A Fórmula 2 sofreu uma reviravolta no campeonato durante o fim de semana no Azerbaijão. Alex Dunne, que teve o melhor desempenho no ano, conquistou uma vitória e dois pódios para colar nos líderes e entrar de vez na briga pelo título. Nikola Tsolov, por sua vez, sofreu com altos e baixos e perdeu a liderança na tabela, embora esteja a apenas sete pontos do líder Rafael Câmara. Portanto, com as etapas do Catar e de Abu Dhabi ainda previstas — embora sob risco —, a briga pelo título segue muito aberta.

Os postulantes ao título brigaram pela vitória na corrida 3 no Azerbaijão (Foto: Reprodução / F2)

Ao herdar a vitória do punido Dunne na corrida 3, Câmara chegou a 207 pontos. Tsolov, que também se beneficiou do incidente com o irlandês, fechou a prova na segunda posição e foi a 200. Alex chegou a 189 tentos com o terceiro lugar e está a 18 da liderança. Gabriele Minì está 43 pontos atrás do líder e ainda tem possibilidades matemáticas de ser campeão, mas não há nenhum cenário em que dependa somente de si. O mesmo vale para Dino Beganovic e Noel León, mas para esses, que estão a respectivos 70 e 74 tentos de Câmara, até sonhar é improvável.

A F2, no entanto, vive um impasse em relação ao calendário. Com os conflitos que atingem o Oriente Médio, a categoria ainda não sabe tem condições de realizar as etapas no Catar e em Abu Dhabi. Como forma de contenção, fala-se na possibilidade de a categoria seguir os passos da F1 e substituir Yas Marina por Ímola. Mas o GRANDE PRÊMIO apurou que a rodada na Itália é um tanto improvável para a categoria de base, principalmente por questões de custo e logística.

Existem três cenários possíveis para a reta final da F2 2026: mais duas etapas, sediadas no Catar e em Abu Dhabi; uma etapa em Ímola; ou o fim da disputa após o Azerbaijão. Confira as possibilidades e saiba o que cada um dos postulantes precisa para ser campeão sem depender dos rivais.

COMO FICA A DISPUTA COM AS RODADAS NO CATAR E EM ABU DHABI

No cenário em que o campeonato acabe no Azerbaijão, não há muito o que elaborar. Câmara saiu de Baku na liderança e, portanto, o destino está selado: será o terceiro campeão brasileiro nas últimas três temporadas. Caso o calendário siga o cronograma inicial, contudo, restam 78 pontos ainda em jogo, o que abre diversas possibilidades. Assim, embora estejam na posição de perseguidores, tanto Tsolov quanto Dunne dependem apenas de si para conseguirem uma virada.

Dunne é quem tem maior desafio

Por ter 18 pontos de desvantagem para Câmara, Dunne é quem está em situação mais complicada. A diferença pode ser neutralizada caso o irlandês vença as duas corridas principais largando da pole, mesmo que o brasileiro termine ambas em segundo. ‘Pode’, porque Rafael ainda tem possibilidade de conquistar volta mais rápida nestas provas e, assim, somar mais dois pontos e continuar em vantagem, ainda que pequena.

Alex Dunne está na briga (Foto: F2)

Ainda há um trabalho a ser feito nas sprints, nas quais Dunne precisa marcar quatro pontos a mais. Assim, Câmara pode fazer a melhor volta em todas as disputas — incluindo as provas sprint —, e ambos terminam empatados. Porém, Dunne leva a melhor no critério de desempate.

Ambos ficam com três vitórias e quatro segundos lugares nas corridas principais, mas Dunne é campeão por ter ficado em terceiro em quatro oportunidades, enquanto Câmara o fez apenas duas vezes.

Tsolov é a maior ameaça a Câmara

Sete pontos de desvantagem é uma diferença relativamente simples de reverter num fim de semana de F2. Portanto, o búlgaro tende a sofrer menos que Dunne para conseguir a virada.

Vencer uma corrida principal é suficiente para igualar o jogo e levar a melhor no critério de desempate pelo número de vitórias, já que vai para sete no total. Porém, ainda é preciso ficar de olho no brasileiro e garantir ao menos oito pontos a mais nas outras três corridas. Assim, ainda que Câmara conquiste todos os oito pontos por fazer as duas poles e as quatro voltas mais rápidas, Tsolov sagra-se campeão.

Nikola Tsolov tem boas chances de virar o jogo na F2 (Foto: F2)

O que Câmara precisa para ser campeão?

Para levantar a taça, basta marcar os rivais. Mas, ainda que fique atrás em alguma corrida, precisa somar 72 dos 78 pontos em disputa ao longo dos fins de semana para chegar a 279 tentos. Tsolov, no melhor dos cenários, chega a 278, enquanto Dunne alcança 267.

PilotoPontos atuaisMáximo disponívelMáximo possível
R. CÂMARA20778285
N. TSOLOV20078278
A. DUNNE18978267

E SE RESTAR APENAS ÍMOLA?

Se a Fórmula 2 de fato conseguir substituir Yas Marina por Ímola, a matemática do campeonato muda de forma considerável. Embora Tsolov permaneça como uma grande ameaça a Câmara, Dunne não depende apenas de si para conquistar o título. Neste cenário, apenas os três poderiam ainda ser campeões.

Dunne depende de uma combinação de resultados

Mesmo com um fim de semana perfeito — duas vitórias, pole e volta mais rápida em ambas as provas —, não existem garantias de que é possível virar o jogo. Afinal, se Câmara maximizar as oportunidades disponíveis e ficar na segunda colocação em ambas as corridas, Dunne só consegue descontar 13 pontos. Portanto, precisa de uma combinação de resultados para levantar a taça.

Para postergar ao máximo a derrota, não pode deixar que Câmara eleve a diferença de 18 para 28 após a sprint. Afinal, ainda que faça 28 pontos na corrida 2 com vitória, volta mais rápida e a pole, o irlandês perde no critério de desempate por ter menos triunfos em 2026.

F2 2026, AZERBAIJÃO, INVICTA, RAFAEL CÂMARA
Câmara lidera a F2 com sete pontos de vantagem sobre Tsolov (Foto: F2)

Tsolov parte para o confronto direto

Para ele só resta partir para o ataque. Vencer as duas corridas do fim de semana, no entanto, não é uma garantia de título, visto que Câmara mantém uma vantagem de dois pontos se terminar ambas as provas em segundo com a melhor volta e largando da pole.

Portanto, além das vitórias, é necessário ao menos fazer a pole ou as melhores voltas. Aí, sim, assume o topo da tabela por uma vantagem de dois pontos.

E para Câmara?

Com 39 pontos em jogo, Câmara pode chegar a 246, os tetos de Tsolov e Dunne são, respectivamente, 239 e 228. Para tirar o irlandês da disputa, basta que o brasileiro some 21 tentos. O búlgaro também fica automaticamente fora caso a pontuação suba para 33.

PilotoPontos atuaisMáximo disponívelMáximo possível
R. CÂMARA20739246
N. TSOLOV20039239
A. DUNNE18939228

De um jeito ou de outro, a F2 vai passar bastante tempo sem ir à pista. A próxima etapa, do Catar, está marcada para o fim de semana dos dias 27 a 29 de novembro. Caso haja somente Ímola, a data ainda precisa de confirmação.