A liderança de Rafael Câmara na Fórmula 2 de 2026, com 207 pontos contra 200 de Nikola Tsolov, coloca o brasileiro diante de uma situação já vivida por dois compatriotas que conquistaram o campeonato nos últimos anos. Tanto Felipe Drugovich, em 2022, quanto Gabriel Bortoleto, em 2024, chegaram às duas últimas etapas da temporada na primeira posição e conseguiram confirmar o título.

Levantamento do GRANDE PRÊMIO confirma que nenhum dos dois brasileiros campeões da F2 moderna perdeu o campeonato depois de entrar nas duas últimas rodadas na liderança.

A comparação ganha relevância porque a situação atual de Câmara é muito mais próxima da enfrentada por Bortoleto do que da campanha dominante de Drugovich. O piloto da Invicta tem 7 pontos de vantagem sobre Tsolov e 18 sobre Alexander Dunne, enquanto a recuperação de 54 pontos nas últimas cinco etapas permitiu assumir a liderança em Baku.

Como estavam os brasileiros a duas etapas do fim da F2?

A comparação considera a classificação imediatamente anterior às duas últimas etapas de cada temporada.

TemporadaPilotoVantagem sobre vice-líderResultado
2022F. DRUGOVICH70 pontosCampeão
2024G. BORTOLETO4,5 pontosCampeão
2026R. CÂMARA7 pontosEm disputa

Drugovich chegou às duas últimas etapas de 2022 com vantagem de 70 pontos sobre Théo Pourchaire. A diferença era suficientemente ampla para permitir que o brasileiro conquistasse o título antecipadamente, mesmo sem pontuar na sprint de Monza.

Bortoleto viveu um cenário muito diferente em 2024. O brasileiro liderava Isack Hadjar por apenas 4,5 pontos antes do Catar, margem que diminuiu para meio ponto depois da penúltima rodada. A disputa foi decidida somente na corrida principal de Abu Dhabi.

Câmara, por sua vez, tem uma vantagem de sete pontos sobre Tsolov após o Azerbaijão. A diferença é 2,5 pontos maior que a de Bortoleto na mesma fase de 2024, mas não permite projetar o resultado das provas restantes.

Drugovich chegou à reta final com vantagem de 70 pontos em 2022

A campanha de Felipe Drugovich em 2022 foi marcada pela consistência e por uma vantagem expressiva construída ao longo da temporada. O piloto da MP Motorsport chegou à penúltima etapa, em Monza, com 70 pontos de frente para Théo Pourchaire, da ART Grand Prix.

O brasileiro não precisou sequer completar a sprint italiana para assegurar matematicamente o campeonato. Drugovich abandonou a prova, mas Pourchaire também ficou sem pontuar, resultado suficiente para tornar a diferença inalcançável.

A conquista transformou Drugovich no primeiro brasileiro campeão da Fórmula 2 desde a adoção do nome atual, em 2017. Ao fim da temporada, somou 265 pontos, contra 164 de Pourchaire, diferença de 101.

A vantagem de Drugovich mostra um cenário de domínio acumulado ao longo do campeonato. Por isso, embora o brasileiro tenha preservado a liderança até o título, sua situação é menos comparável à de Câmara do que a campanha de Bortoleto.

Felipe Drugovich (Foto: F2)

Bortoleto tinha apenas 4,5 pontos de vantagem em 2024

O exemplo mais próximo da situação atual de Câmara aconteceu com Gabriel Bortoleto, campeão de 2024 pela Invicta Racing.

O brasileiro chegou às duas últimas etapas com 4,5 pontos de vantagem sobre Isack Hadjar, da Campos Racing. A disputa estava completamente aberta, com margem pequena diante da pontuação disponível no Catar e em Abu Dhabi.

Na penúltima rodada, Bortoleto viu Hadjar reduzir a diferença para apenas 0,5 ponto. O campeonato chegou à decisão em Yas Marina praticamente empatado.

Bortoleto, entretanto, conseguiu preservar a liderança. Na corrida principal de Abu Dhabi, terminou em segundo, enquanto Hadjar teve problemas na largada e ficou fora da disputa pelas primeiras posições.

O brasileiro encerrou a temporada com 214,5 pontos, contra 192 de Hadjar, garantindo o título em sua temporada de estreia na categoria.

O resultado é particularmente relevante para Câmara porque demonstra que uma vantagem inferior à atual do brasileiro pode ser suficiente para conquistar o campeonato, desde que o líder mantenha os resultados necessários na reta final.

Isso não significa, entretanto, que Bortoleto tenha vencido por causa da vantagem inicial. A decisão foi influenciada pelos resultados das últimas corridas, inclusive pelos problemas enfrentados por Hadjar.

Gabriel Bortoleto (Foto: F2)

Câmara chega à reta final após recuperar 54 pontos

A trajetória de Rafael Câmara em 2026 também apresenta uma recuperação expressiva. Depois de ficar 47 pontos atrás de Tsolov após Silverstone, o brasileiro tirou 54 pontos da diferença nas cinco etapas seguintes e assumiu a liderança no Azerbaijão.

O desempenho foi sustentado principalmente pelas corridas principais, nas quais Câmara conquistou 189 pontos, contra 159 de Tsolov. Nas sprints, a vantagem foi do búlgaro, por 41 a 18.

A queda de produtividade de Tsolov na segunda metade da temporada também contribuiu para a mudança na classificação. O piloto da Campos somou 141 pontos nas sete primeiras etapas, mas apenas 59 nas cinco seguintes.

Ao mesmo tempo, a disputa deixou de envolver apenas os dois. Alexander Dunne reduziu em 41 pontos sua desvantagem para a liderança em duas rodadas e aparece em terceiro, com 189 pontos.

O desempenho recente dos três reforça o equilíbrio. Câmara marcou 82 pontos nas últimas quatro etapas, Dunne somou 81 e Tsolov conquistou 39.

As etapas de Catar e Abu Dhabi ainda dependem de confirmação definitiva. Caso sejam mantidas, Câmara terá a oportunidade de preservar a liderança nas duas rodadas restantes. Se houver alterações, as contas do campeonato precisarão ser refeitas de acordo com o regulamento e as decisões oficiais.