A temporada 2026 da Fórmula 2 parecia caminhar para uma conquista de Nikola Tsolov depois de Silverstone. O búlgaro havia vencido seis corridas, somava 141 pontos e aberto 47 de vantagem sobre Rafael Câmara. Cinco etapas depois, porém, a situação mudou completamente: o brasileiro assumiu a liderança com 207 pontos, contra 200 do piloto da Campos Racing.

Levantamento do GRANDE PRÊMIO indica que 70,5% de toda a pontuação de Tsolov foi conquistada nas sete primeiras rodadas. O búlgaro somou apenas 59 pontos nas cinco etapas seguintes, período em que Câmara acumulou 113 e conseguiu uma recuperação de 54 pontos líquidos.

A queda de rendimento nos resultados não significa necessariamente que Tsolov perdeu velocidade em todas as provas. A investigação identifica uma combinação de corridas sem pontuação, erros, incidentes e dificuldades operacionais que comprometeram a vantagem construída na primeira metade do campeonato.

Tsolov concentrou 70,5% dos pontos nas sete primeiras etapas

A diferença entre os dois períodos da temporada revela uma mudança expressiva na produção de pontos do piloto da Campos.

PeríodoTsolovCâmara
Primeiras 7 etapas14194
Últimas 5 etapas59113
Total200207

Tsolov construiu sua vantagem com uma sequência de seis vitórias, incluindo a dobradinha em Silverstone. Na ocasião, conquistou 35 pontos no fim de semana e chegou a 141, abrindo a maior vantagem que teve sobre Câmara em 2026.

Depois da etapa britânica, entretanto, o búlgaro passou a enfrentar dificuldades para repetir a mesma produtividade. Nas cinco rodadas seguintes, sua média caiu de 20,1 para 11,8 pontos por etapa, enquanto Câmara passou de 13,4 para 22,6.

A mudança explica matematicamente a virada no campeonato, mas os resultados sem pontuação ajudam a entender onde a vantagem começou a desaparecer.

Nikola Tsolov (Foto: Red Bull Content Pool)

Quantas vezes Tsolov ficou sem pontuar na F2 2026?

Até o Azerbaijão, Tsolov disputou 25 corridas, considerando as 12 sprints e as 13 corridas principais, já que Baku teve duas provas principais.

O búlgaro deixou de pontuar em oito corridas, sendo quatro sprints e quatro provas principais. Câmara, por sua vez, zerou seis vezes.

IndicadorTsolovCâmara
Corridas disputadas2525
Corridas com pontos1719
Corridas sem pontos86
Aproveitamento pontuando68%76%

A diferença mostra que Tsolov foi capaz de conquistar mais vitórias, mas Câmara conseguiu marcar pontos em uma parcela maior das corridas. Essa regularidade foi especialmente importante quando o brasileiro iniciou sua recuperação.

O número de resultados zerados, entretanto, não deve ser confundido com pontos comprovadamente perdidos. Cada ocorrência exige análise própria, pois abandonos, punições e chegadas fora da zona de pontuação têm causas diferentes.

Madri foi o primeiro grande golpe na vantagem de Tsolov

A etapa espanhola foi particularmente prejudicial para Tsolov. O búlgaro chegou a Madri com 177 pontos, 11 à frente de Câmara, mas deixou o fim de semana sem acrescentar nenhum.

Na sprint, Tsolov rodou sozinho e abandonou. Na corrida principal, terminou apenas em 18º, novamente fora dos pontos.

Câmara também teve um fim de semana discreto, somando quatro pontos, mas a diferença foi suficiente para reduzir a distância para apenas 7.

A rodada demonstrou como um fim de semana sem pontuação pode comprometer uma vantagem construída durante meses, mesmo quando o principal adversário também não apresenta um resultado expressivo.

Baku transforma recuperação de Câmara em liderança

O Azerbaijão completou a mudança de cenário. Tsolov chegou à etapa ainda na liderança e conseguiu ampliar temporariamente sua vantagem para 11 pontos após a sprint.

Na primeira corrida principal, porém, o búlgaro enfrentou uma parada problemática nos boxes, perdeu posições e acabou envolvido em um acidente que provocou seu abandono. A corrida terminou com Câmara assumindo a liderança do campeonato.

Tsolov também recebeu uma punição por cruzar a linha branca na entrada do pit lane. Como não completou a corrida, a sanção foi convertida em perda de três posições no grid da prova seguinte.

O piloto da Campos reagiu na última corrida e terminou em segundo, atrás de Câmara, mas já não conseguiu impedir a virada. O brasileiro venceu após a punição aplicada a Alexander Dunne e saiu de Baku com sete pontos de vantagem.

Rafael Câmara (Foto: Dutch Photo Agency)

Mais vitórias não foram suficientes para preservar a liderança

A campanha de Tsolov continua marcada por uma estatística relevante: seis vitórias nas primeiras sete etapas, um desempenho que o colocou em posição privilegiada na disputa.

O búlgaro também apresentou maior produtividade nas sprints, somando 41 pontos contra 18 de Câmara. Entretanto, nas corridas principais, a vantagem foi do brasileiro, por 189 a 159.

A diferença entre esses dois formatos ajuda a explicar o campeonato. Tsolov conquistou mais vitórias e foi superior nas provas curtas, mas Câmara construiu uma vantagem de 30 pontos nas corridas principais, suficiente para compensar os 23 pontos de diferença nas sprints.

A recuperação de 54 pontos de Câmara em cinco etapas já havia demonstrado o peso dessa sequência. Sob a perspectiva de Tsolov, os números revelam como a concentração de resultados na primeira metade da temporada deixou o búlgaro vulnerável quando a regularidade diminuiu.

A disputa também ganhou um terceiro candidato: Alexander Dunne reduziu em 41 pontos sua desvantagem para a liderança e chegou a 189 após Baku.

Com Câmara em 207, Tsolov em 200 e Dunne em 189, a definição do campeonato segue condicionada às etapas finais previstas no calendário.