Com a confirmação de que Noah Strømsted vai formar dupla com Freddie Slater na temporada 2027 da Fórmula 2, a Invicta se tornou a primeira equipe a fechar a formação para o próximo ano. O curioso, no entanto, é que, com a decisão, a equipe interrompe a sequência de três anos em que contou com o campeão vigente da Fórmula 3. Ugo Ugochukwu, que venceu o campeonato em 2026, ainda não teve o futuro anunciado.

Desde que a F2 introduziu o novo regulamento, em 2024, a Invicta contou com os pilotos que haviam conquistado o título da F3 no ano anterior. Portanto, foi assim com Gabriel Bortoleto e, posteriormente, Leonardo Fornaroli, em 2025, e Rafael Câmara, em 2026. Os dois primeiros sagraram-se campeões da F2. O último assumiu a liderança do campeonato após a rodada no Azerbaijão e ainda aguarda uma decisão da categoria para entender se as etapas do Catar e de Abu Dhabi vão acontecer.

Ugo Ugochukwu correu pela Campos na F3 (Foto: F3)

Ugochukwu, no entanto, quebrou a sequência e não vai dar continuidade à carreira junto da Invicta. Não é possível cravar o motivo de a parceria não ter acontecido, mas existem alguns elementos que nos ajudam a explicar a decisão.

O primeiro é o time pelo qual Ugochukwu conquistou a taça. O americano deixou a Prema em 2026 para se juntar à Campos, que apresentou o melhor conjunto e, além de vencer o Campeonato de Equipes, ajudou Ugo a conquistar duas vitórias e seis pódios para marcar 159 pontos contra 145 de Slater.

A Campos também possui operações na F2 e, desde a virada do regulamento, se colocou ao lado da Invicta como uma das potências. A diferença, no entanto, é que o time espanhol não converteu o desempenho em título, embora Isack Hadjar tenha brigado até o fim em 2024 e Nikola Tsolov ainda esteja vivo na disputa, caso a F2 dê continuidade com as etapas no Oriente Médio.

Portanto, seguir trabalhando com uma equipe em que já conhece os engenheiros pode facilitar o processo de adaptação, ao mesmo tempo em que tem um equipamento que o permite brigar pelo título.

Ugo Ugochukwu selou o título da F3 em Madri (Foto: F3)

Além disso, o fator financeiro também precisa ser levado em consideração. Ugochukwu fez parte do programa de desenvolvimento da McLaren entre 2021 e 2025 e, muitas vezes, as equipes da F1 ajudam com uma quantia parcial ou total dos custos de uma temporada nas categorias de base.

Até o momento, ainda que tenha sido campeão da F3, Ugo não se juntou a nenhuma equipe, o que pode ter sido um fator que dificultou as negociações com a Invicta. No podcast AS Colombia, publicado 8 em outubro, Juan Pablo Montoya, ex-piloto de F1 e que tem o filho correndo na principal categoria de acesso, disse que a alta demanda por uma vaga na F2 faz com que equipes do fundo do pelotão cobrem cerca de 4 milhões de euros (aproximadamente R$ 22,3 milhões na cotação atual) por uma temporada completa.

Freddie Slater, que vai correr na Invicta, foi o grande rival de Ugochukwu na F3 (Foto: F2)

A Invicta, por sua vez, pode se dar ao luxo de elevar um pouco as cifras, considerando que é a melhor equipe do grid atualmente. Slater, além de ser visto como o nome mais talentoso na base, possui o apoio da Audi, enquanto Strømsted é piloto júnior da Mercedes.

Mas, ainda que não guie pela Invicta, Ugochukwu não pode ser descartado da briga pelo título da F2 no ano que vem. Caso se mantenha com a Campos ou consiga um acordo com a Rodin, que também está entre as principais equipes, o mais provável é que o americano se coloque novamente na briga pelo título e, possivelmente, reviva a rivalidade com Slater. Afinal, talento para isso já mostrou que tem.

A Fórmula 2 planeja voltar às pistas entre 27 e 29 de novembro, com a etapa no Catar. O GRANDE PRÊMIO faz a cobertura completa da temporada.