A disputa pelo título da Fórmula 2 em 2026 ganhou um terceiro protagonista na reta final. Depois de chegar a ficar 59 pontos atrás da liderança em Madri, Alexander Dunne protagonizou uma reação nas rodadas da Itália e do Azerbaijão, reduzindo a diferença para apenas 18 pontos. O irlandês da Rodin Motorsport voltou a disputar diretamente o campeonato com Rafael Câmara e Nikola Tsolov depois de uma sequência de resultados que recolocou seu nome entre os candidatos à conquista.
Levantamento do GRANDE PRÊMIO aponta que Dunne descontou 41 pontos de desvantagem em apenas duas etapas, mas também deixou Baku com a sensação de que poderia ter se aproximado ainda mais. Depois de vencer uma das corridas principais, cruzou a linha de chegada em primeiro na última prova do fim de semana, mas perdeu a vitória por uma punição de cinco segundos.
A recuperação é particularmente relevante porque, enquanto Câmara transformou uma desvantagem em liderança no Azerbaijão, Dunne também passou a ameaçar os dois pilotos que haviam concentrado a disputa pelo título durante boa parte da temporada.
Como Dunne recuperou 41 pontos na F2?
O ponto de partida da reação foi Madri, quando Dunne chegou a ficar 59 pontos atrás do líder do campeonato. Após as etapas de Monza e Baku, a distância havia caído para 18 pontos.
| Indicador | Diferença para o líder |
|---|---|
| Madri — referência da maior desvantagem | 59 pontos |
| Após Azerbaijão | 18 pontos |
| Redução da diferença | 41 pontos |
A comparação utiliza a maior desvantagem registrada em Madri como referência inicial, não necessariamente a classificação após a bandeirada daquela rodada. É importante preservar essa distinção para não atribuir os 41 pontos a um intervalo diferente daquele documentado pela F2.
O resultado mostra como a reta final alterou a situação do irlandês. Dunne chegou ao Azerbaijão 38 pontos atrás do então líder Tsolov, mas saiu da etapa apenas 18 pontos atrás de Câmara, que assumiu a primeira colocação.
Assim, a redução de 20 pontos ao longo de Baku é uma comparação com líderes diferentes: Tsolov antes da rodada e Câmara depois dela. O número representa a diminuição da distância para a liderança, e não uma recuperação de 20 pontos sobre um mesmo adversário.

Três corridas, três pódios: Baku recoloca Dunne na disputa
A rodada especial do Azerbaijão foi decisiva para a reação. A Fórmula 2 disputou três corridas em Baku, oferecendo uma oportunidade de pontuação superior à de um fim de semana convencional.
Dunne aproveitou a competitividade da Rodin Motorsport para conquistar a pole na primeira classificação e terminar em segundo na segunda sessão classificatória. Na sprint, largou em décimo e recuperou sete posições para terminar em terceiro.
Na primeira corrida principal, converteu a pole-position em vitória. O resultado aproximou o irlandês de Câmara e Tsolov e confirmou a força da Rodin no circuito de rua.
A sequência foi tão expressiva que, antes da última corrida, Dunne estava apenas oito pontos atrás de Câmara. O brasileiro havia assumido a liderança após o abandono de Tsolov na primeira corrida principal.
Dunne, entretanto, ainda tinha uma oportunidade de encerrar o fim de semana em posição melhor no campeonato.

Punição impede Dunne de ficar a um ponto de Câmara
Na última corrida de Baku, Dunne largou da segunda posição e novamente mostrou o bom ritmo da Rodin. O irlandês disputou a liderança, superou os adversários e recebeu a bandeirada em primeiro.
Mas uma infração na entrada dos boxes mudou o resultado. Dunne cruzou a linha branca do pit lane e recebeu cinco segundos de punição, caindo para terceiro na classificação oficial.
Com isso, Câmara herdou a vitória e ampliou a vantagem sobre Tsolov. Dunne permaneceu na terceira posição do campeonato, com 189 pontos, 18 atrás do brasileiro.
O impacto matemático da punição foi expressivo. Sem o acréscimo dos cinco segundos e mantendo os demais resultados, Dunne teria terminado a corrida em primeiro e encerrado a etapa com 199 pontos, contra 200 de Câmara nesse cenário alternativo.
| Indicador | Resultado oficial | Cenário sem punição |
|---|---|---|
| Pontos de Dunne | 189 | 199 |
| Pontos de Câmara | 207 | 200 |
| Diferença entre ambos | 18 | 1 |
O cenário alternativo representa uma simulação fundamentada na ordem de chegada e na punição, não uma classificação oficial. Os pontos efetivamente conquistados continuam sendo 207 para Câmara e 189 para Dunne.
Após a prova, Dunne reconheceu a frustração com o erro que lhe custou a vitória, apesar de avaliar positivamente o desempenho apresentado durante todo o fim de semana.
A reação de Dunne é resultado de ritmo ou de problemas dos rivais?
A recuperação do irlandês não pode ser explicada exclusivamente pelos resultados negativos de Câmara e Tsolov.
Em Baku, Dunne conquistou três pódios em três corridas, uma vitória oficial e duas posições de primeira fila nas classificações. Esses resultados representam evidências concretas de competitividade da Rodin e do próprio piloto.
Ao mesmo tempo, os problemas enfrentados pelos adversários contribuíram para a aproximação na classificação. Tsolov abandonou uma das corridas principais, enquanto Câmara também teve incidentes e punições durante o fim de semana.
O ponto essencial é separar os acontecimentos: os resultados de Dunne demonstram uma melhora competitiva, mas a quantidade de pontos recuperados no campeonato também dependeu do desempenho dos rivais.
A punição na última corrida oferece um exemplo claro da diferença entre resultado comprovado e hipótese. Dunne tinha posição de pista para vencer, mas a classificação oficial considera a infração. Portanto, os dez pontos adicionais que teria conquistado pela mudança de terceiro para primeiro não podem ser contabilizados como pontos efetivamente obtidos.
Câmara, Tsolov e Dunne chegam próximos à reta final
Após Baku, Câmara lidera o campeonato com 207 pontos, seguido por Tsolov, com 200, e Dunne, com 189.
| Pos. | Piloto | Equipe | Pontos | Diferença |
|---|---|---|---|---|
| 1º | R. CÂMARA | Invicta Racing | 207 | — |
| 2º | N. TSOLOV | Campos Racing | 200 | −7 |
| 3º | A. DUNNE | Rodin Motorsport | 189 | −18 |
A recuperação de Dunne altera a dinâmica da disputa porque o irlandês não depende apenas de uma sequência de erros dos adversários para se aproximar. A Rodin mostrou velocidade em classificação e corrida, enquanto o piloto conseguiu transformar o desempenho em uma sequência de pódios.
Mesmo assim, Câmara mantém a liderança e Tsolov permanece entre os candidatos mais próximos. As contas do campeonato continuam condicionadas às etapas de Catar e Abu Dhabi, previstas para o fim da temporada.
Dunne reduziu em 41 pontos sua desvantagem para a liderança em duas etapas e esteve a uma punição de terminar Baku apenas 1 ponto atrás de Câmara. A recuperação foi real, mas o cenário de um campeonato ainda mais apertado permanece hipotético.