A disputa pelo título da Fórmula 2 de 2026 ganhou uma nova configuração nas últimas quatro etapas. Enquanto Rafael Câmara e Alexander Dunne apresentaram desempenhos praticamente idênticos em pontuação, Nikola Tsolov perdeu terreno na classificação. O brasileiro conquistou 82 pontos desde a Hungria, apenas um a mais que o irlandês, enquanto o búlgaro somou 39.
Levantamento do GRANDE PRÊMIO mostra que os dois pilotos em melhor fase conquistaram mais que o dobro dos pontos de Tsolov nas quatro rodadas. A diferença ajuda a explicar por que Câmara assumiu a liderança do campeonato e Dunne passou a disputar diretamente o título, depois de um período em que o representante da Campos Racing parecia ter o controle da temporada.
A comparação também revela uma distinção importante entre os dois principais destaques recentes. Enquanto Câmara construiu a virada sobre Tsolov com uma recuperação de 54 pontos em cinco etapas, Dunne concentrou sua reação nas três últimas rodadas, especialmente no Azerbaijão.
Câmara e Dunne têm desempenho quase idêntico nas últimas quatro etapas
A comparação considera Hungria, Itália, Madri e Azerbaijão, período que reúne oito corridas do formato convencional e uma prova principal adicional em Baku.
| Etapa | Câmara | Dunne | Tsolov |
|---|---|---|---|
| Hungria | 20 | 0 | 6 |
| Itália | 21 | 10 | 10 |
| Madri | 4 | 21 | 0 |
| Azerbaijão | 37 | 50 | 23 |
| Total | 82 | 81 | 39 |
Câmara somou pontos nas quatro etapas, com destaque para os 37 conquistados em Baku. Dunne terminou a Hungria sem pontuar, mas reagiu nas três rodadas seguintes, acumulando 81 pontos e praticamente igualando o brasileiro no recorte completo.
Tsolov, por outro lado, não conseguiu manter o aproveitamento da primeira metade da temporada. Seus 39 pontos representam uma média de 9,75 por etapa, contra 20,5 de Câmara e 20,25 de Dunne.
A diferença não demonstra, isoladamente, qual piloto teve o carro mais rápido. Os resultados incluem classificações, sprints, corridas principais, punições e incidentes que influenciaram a pontuação.
Dunne foi o maior pontuador das últimas três etapas
A análise fica ainda mais interessante quando a Hungria é retirada do recorte. Dunne passou a apresentar o melhor aproveitamento entre os três candidatos nas rodadas de Monza, Madri e Baku.
| Piloto | Pontos nas últimas 3 etapas |
|---|---|
| Alexander Dunne | 81 |
| Rafael Câmara | 62 |
| Nikola Tsolov | 33 |
A diferença entre Dunne e Câmara nesse período foi de 19 pontos a favor do irlandês. O desempenho foi impulsionado principalmente pelo Azerbaijão, onde o piloto da Rodin Motorsport conquistou 50 pontos em três corridas.
A recuperação já havia sido identificada em levantamento sobre os 41 pontos de desvantagem descontados por Dunne em duas etapas. Agora, a comparação direta com os outros candidatos mostra que o irlandês não apenas reduziu a diferença para a liderança: também passou a ser o maior pontuador no recorte mais recente.
A campanha, entretanto, não foi perfeita. Na última corrida de Baku, Dunne recebeu cinco segundos de punição por cruzar a linha branca na entrada dos boxes. Embora tenha recebido a bandeirada em primeiro, caiu para terceiro na classificação oficial.
A penalização impediu que encerrasse a etapa apenas um ponto atrás de Câmara em um cenário alternativo sem a infração. Os números utilizados nesta análise, porém, consideram exclusivamente a pontuação oficial.

Tsolov perdeu rendimento justamente quando os rivais cresceram
O desempenho de Tsolov contrasta com sua primeira metade de temporada. Depois de somar 141 pontos nas sete primeiras etapas, o búlgaro conquistou apenas 59 nas cinco seguintes.
A queda de produtividade de Tsolov já havia sido demonstrada em levantamento anterior, mas a comparação com Câmara e Dunne mostra outra consequência: os dois adversários passaram a pontuar em ritmo semelhante, enquanto o piloto da Campos ficou distante de ambos.
Nas últimas quatro etapas, Tsolov somou 43 pontos a menos que Câmara e 42 a menos que Dunne. O desempenho foi especialmente prejudicado em Madri, onde não pontuou, e em Baku, quando abandonou uma das corridas principais.
Apesar disso, o búlgaro continua na segunda posição do campeonato, apenas sete pontos atrás do líder. A reação na última prova do Azerbaijão, quando saiu do 11º lugar no grid para terminar em segundo, também demonstrou que ainda tem capacidade de disputar resultados importantes.
Regularidade de Câmara contrasta com arrancada de Dunne
A distribuição dos pontos revela dois caminhos diferentes para chegar à reta final em condições de disputar o título.
Câmara pontuou nas quatro rodadas analisadas e apresentou maior equilíbrio na produção de resultados. Dunne zerou na Hungria, mas compensou com uma sequência particularmente forte nas três etapas seguintes.
| Indicador | Câmara | Dunne | Tsolov |
|---|---|---|---|
| Pontos nas últimas 4 etapas | 82 | 81 | 39 |
| Média por etapa | 20,5 | 20,25 | 9,75 |
| Etapas pontuando | 4 | 3 | 3 |
| Maior pontuação em uma etapa | 37 | 50 | 23 |
A maior pontuação individual foi de Dunne, com 50 em Baku. Câmara, por sua vez, foi o único dos três a marcar pontos em todas as quatro etapas.
Esses indicadores ajudam a explicar a diferença entre consistência e desempenho concentrado. O brasileiro apresentou maior regularidade no recorte, enquanto o irlandês teve a reação mais intensa nas últimas três rodadas.

Três pilotos separados por apenas 18 pontos
Depois do Azerbaijão, Câmara lidera a Fórmula 2 com 207 pontos. Tsolov aparece em segundo, com 200, enquanto Dunne ocupa o terceiro lugar, com 189.
| Pos. | Piloto | Equipe | Pontos | Diferença |
|---|---|---|---|---|
| 1º | R. CÂMARA | Invicta Racing | 207 | — |
| 2º | N. TSOLOV | Campos Racing | 200 | −7 |
| 3º | A. DUNNE | Rodin Motorsport | 189 | −18 |
A classificação demonstra que a melhor sequência recente não corresponde necessariamente à posição no campeonato. Dunne foi o maior pontuador das últimas três etapas, mas Câmara mantém a liderança graças ao conjunto da temporada, enquanto Tsolov preserva o segundo lugar pela vantagem construída anteriormente.
A realização das etapas finais previstas para Catar e Abu Dhabi ainda exige acompanhamento das decisões do campeonato. Até que o calendário seja definitivamente confirmado, não é adequado apresentar a pontuação restante como garantia de que haverá duas rodadas completas.
Os números revelam uma disputa em que Câmara apresenta a maior regularidade recente, Dunne concentra a arrancada mais forte e Tsolov tenta recuperar o desempenho que o colocou na liderança durante boa parte de 2026.