A Fórmula E ainda discute detalhes importantes do formato esportivo da era Gen4, que começa na temporada 2026/27, e Roger Griffiths, chefe da Andretti e presidente da Associação de Equipes da categoria, admitiu preocupação com pontos práticos relacionados ao novo carro. O dirigente destacou pontos como uso dos diferentes níveis de carga aerodinâmica e limitações logísticas como focos de atenção e que seguem em debate antes da aprovação final do regulamento.
Apresentado publicamente em Paul Ricard no mês passado, o Gen4 representa uma ruptura importante para a Fórmula E ao combinar mais potência, tração integral permanente e um pacote técnico significativamente mais agressivo. Apesar do entusiasmo em torno do desempenho do novo carro, Griffiths indicou que ainda existe trabalho a fazer para definir como tudo funcionará na prática.
Em entrevista ao portal The Race, o dirigente explicou que a principal questão aberta envolve justamente o formato esportivo dos fins de semana e os desafios para utilizar as diferentes configurações desenvolvidas para o novo modelo.
Uma das principais preocupações está ligada ao uso dos diferentes pacotes aerodinâmicos. A ideia da Fórmula E é utilizar o kit de alto downforce nas classificações para exibir o desempenho máximo do Gen4, com o conjunto de menor pressão aerodinâmica sendo usado nas corridas. Porém, isso exigiria trocas físicas de componentes entre sessões, algo que Griffiths considera operacionalmente complexo.

“A principal coisa ainda em debate é o formato do fim de semana de corrida e como isso vai funcionar, particularmente com os dois diferentes níveis de carga aerodinâmica, os diferentes modos de potência que teremos e qual é a combinação certa do ponto de vista esportivo, do produto na pista e também operacional”, afirmou.
“Se fosse apenas apertar um botão e o carro mudasse o modo aerodinâmico, seria uma coisa. Mas quando é preciso trocar fisicamente as peças, não é tão simples. Estamos tentando encontrar a melhor solução para isso”, ponderou.
Segundo informações do The Race, desde o lançamento do novo modelo, a Fórmula E promoveu encontros em Paul Ricard, Berlim e Mônaco, além de reuniões remotas entre representantes de Federação Internacional de Automobilismo (FIA), equipes e da própria categoria para avançar na definição do regulamento. O formato precisa estar finalizado a tempo do próximo encontro do Conselho Mundial do Esporte a Motor, marcado para 23 de junho
Griffiths explicou que os times trabalham agora em um documento técnico para formalizar propostas antes das próximas reuniões do grupo esportivo. Embora reconheça a ambição da categoria em maximizar o espetáculo, o dirigente alertou que algumas ideias ainda esbarram em dificuldades práticas — especialmente dentro do teto orçamentário e das limitações de transporte impostas às equipes.

“Em um mundo ideal, você quer fazer tudo perfeitamente, mas não vivemos nesse mundo ideal. Talvez precisemos abrir mão de algumas coisas para facilitar o fluxo do fim de semana. Vivemos em um ambiente de teto de gastos, mas também temos limite de frete, não apenas em peso, mas também em volume. Algumas coisas que estão sendo propostas são ótimas na teoria, mas não são tão simples de administrar na prática”, disse.
Apesar das discussões logísticas e técnicas, a tendência é que a programação dos fins de semana de rodada simples mantenham estrutura semelhante à atual: TL1 abrindo as atividades de forma isolada na sexta-feira, com TL2, classificação e corrida concentrados no dia seguinte. Houve propostas para dividir as três sessões que atualmente são realizadas no sábado em dois dias, mas foram descartadas.
Rodadas duplas, porém, podem sofrer maiores ajustes. Existe, inclusive, possibilidade de um maior número de corridas serem realizadas às sextas-feiras, dependendo do circuito e promotor local. Atualmente, essas etapas são divididas da seguinte forma: TL1 na sexta-feira, TL2, classificação e corrida 1 no sábado, com programação replicada no domingo. As exceções são Jedá, onde a agenda é toda antecipada em um dia, e Mônaco, que empurra o TL1 para sábado.
A Fórmula E retorna entre os dias 19 e 20 de junho, com a realização do eP de Sanya. Emissora oficial no Brasil, o GRANDE PRÊMIO transmite todas as atividades de pista AO VIVO e COM IMAGENS no YouTube e na GPTV.
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