Fórmula E
Guia 2025/26: Pit Boost é aprovado com ressalvas e encara prova final na Fórmula E
Pit Boost enfim estreou com sucesso na Fórmula E, mesmo deixando alguns pontos de alinhamento ao longo da temporada. Agora, tecnologia entra em temporada decisiva antes da chegada dos Gen4
A estreia do Pit Boost demorou muito mais tempo do que a Fórmula E esperava, é verdade, mas finalmente aconteceu na temporada 2024/25 e rendeu as primeiras análises sobre a nova tecnologia. E o saldo geral é bastante positivo, com ressalvas de que houve, sim, interferência no resultado de ao menos uma corrida do calendário. Nada que tenha afetado substancialmente o campeonato, porém, e que deixou lições já aprendidas para a edição que se aproxima. Trata-se de uma espécie de ‘prova final’ antes da chegada da Gen4, em 2026.
De início, o Pit Boost levantava sobrancelhas por alguns motivos: a parada longa, de 30s (que inevitavelmente seria comparada com outras categorias), possíveis questões de confiabilidade (grande obstáculo da tecnologia nos anos anteriores), a mudança drástica no pelotão (que passou a ficar dividido em dois na pista) e até a chance de que tudo não passasse de uma grande inutilidade.
No fim, os três primeiros aconteceram, mas longe do drama que se esperava. A parada não pode ser feita em 2s ou menos, como na Fórmula 1, devido à novidade da tecnologia e as questões de segurança. Afinal de contas, os testes preliminares renderam carregadores que chegaram a derreter por superaquecimento, algo que não pode ser transmitido às células da bateria. Portanto, até que a ciência evolua no quesito, é necessário manter o intervalo.
O principal medo, porém, ainda estava ligado à confiabilidade do equipamento. Após muitos testes, tanto em janelas privadas como em treinos livres, a estreia enfim veio em Jedá e pareceu não alterar muito o curso da corrida. Em Mônaco, porém, uma falha no carregador de Nico Müller impediu que o suíço fosse ao pódio, inclusive com chances de vitória. Premiou Sébastien Buemi, que encerrou o maior jejum da categoria, mas interferiu de fato no resultado e gerou as primeiras preocupações.

A FIA até tentou intervir e aumentou remotamente o nível de potência permitido ao piloto, mas não havia como elevar a carga. Assim, Müller passou a torrar cada vez mais energia, perdendo ritmo e a chance de terminar entre os três primeiros. O problema chegou a se repetir depois, mas dessa vez sem impacto real no resultado; não é o fim do mundo, mas é algo permissível apenas para o primeiro ano. Na próxima temporada, repetições do tipo levantariam questões maiores.
Por fim, a separação do pelotão também aconteceu, mas ficou claro que a edição de imagem das transmissões é fundamental neste ponto. As paradas normalmente separam o grid em duas partes, já que as equipes não podem parar os dois carros ao mesmo tempo, e é algo que até pode gerar certa confusão para quem estiver nas arquibancadas. Na transmissão, porém, a coisa ficou bem menos bagunçada do que se imaginava, algo que vai diminuir cada vez mais com a evolução da tecnologia e a redução do tempo de parada.
Após a tímida estreia em Jedá e o problema em Mônaco, o Pit Boost voltou com tudo em Tóquio e gerou sua grande história da temporada. Na primeira corrida do fim de semana, Stoffel Vandoorne arriscou uma estratégia ousada na chuva e foi o primeiro a parar; na saída, voltou à frente do pelotão e rumou para vencer pela primeira vez desde 2022, quando foi campeão. Mesmo largando em 14º, o belga cruzou a linha 8s à frente de Oliver Rowland, segundo colocado.

A participação em Xangai acabou apagada pela tempestade que se abateu sobre o circuito chinês, tornando o fim de semana um suplício para os pilotos. Em Berlim, o fato de a pista ser curta também gerou algum nível de confusão, já que as paradas faziam alguns pilotos perderem voltas, e a direção de prova precisou entrar em ação. Por fim, com o título já decidido, Londres voltou a mostrar o impacto que o Pit Boost pode fazer e permitiu a vitória de Nick Cassidy após uma parada no momento certo.
O balanço final, desta forma, é absolutamente positivo. Alguns percalços surgiram aqui e ali, conforme descrito acima, mas nada que a Fórmula E não possa resolver em um futuro próximo. No fim das contas, é uma tecnologia necessária para a indústria de carros elétricos, que sempre encara as mesmas dúvidas em relação à autonomia da bateria, e permite uma camada estratégica a mais em termos esportivos. O primeiro gosto veio em Tóquio, mas o sonho da categoria é que o artifício chegue para ficar. O primeiro ano trouxe aprovação, com meio ponto aqui e ali, e deixou a expectativa absolutamente em alta para a prova final.
A Fórmula E agora volta à ação no início do campeonato, que ocorre no Brasil. O eP de São Paulo está programado para acontecer no dia 6 de dezembro, no Sambódromo do Anhembi, com cobertura completa e IN LOCO do GRANDE PRÊMIO.
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