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Guia 2025/26: Rowland segue forte, mas depende de Nissan menos oscilante pelo bi

Fórmula E

Guia 2025/26: Rowland segue forte, mas depende de Nissan menos oscilante pelo bi

Oliver Rowland e Nissan demonstraram velocidade na pré-temporada, mas equipe japonesa precisa superar oscilações que marcaram segunda metade de 2024/25 para dar chances ao britânico brigar pelo bicampeonato da Fórmula E

Marcos Gil

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A Nissan chegou ao fim da temporada 2024/25 da Fórmula E com o título de Oliver Rowland, mas atravessou uma curva descendente tão profunda na segunda metade do campeonato que nem a conquista serviu como escudo para uma realidade incontornável. A equipe perdeu performance de forma drástica, viu o ritmo dominante evaporar, despencou na briga pelos Mundiais de Equipes e Construtores e entrou na pré-temporada 2025/26 pressionada — e, sobretudo, inquieta.

Entre a vitória de Rowland na Cidade do México, segunda etapa do campeonato, e o primeiro eP de Xangai, décima prova, a Nissan viveu seu auge. O britânico venceu quatro vezes, subiu ao pódio em todas as rodadas, com exceção de São Paulo (quando poderia ter vencido), e o time sustentou média de 27 pontos por corrida, desempenho digno de domínio. Era o período em que o pacote japonês parecia maduro, eficiente e, acima de tudo, previsível. Mas o brilho não durou o campeonato todo.

A partir dali, quando o campeonato virou para o terço final, a queda foi vertiginosa. Da 11ª corrida ao encerramento da temporada, a média despencou para 2,8 pontos por etapa, e o time passou de candidato real a varrer o campeonato para um distante terceiro lugar entre Construtores e Equipes, quase alcançado pela ascendente Mahindra. Em Londres, parecia irreconhecível: problemas de equilíbrio, dificuldade de adaptação ao circuito fechado, erros operacionais e abandono de Rowland na prova derradeira. O contraste com o início do ano era gritante.

O diretor da escuderia japonesa, Dorian Boisdron, foi direto ao analisar o campeonato após o fim: “A última parte da temporada foi muito decepcionante, a ponto de sermos praticamente o pior time”. A questão não era perda absoluta de velocidade, mas sim a soma de vários fatores: instabilidade em classificações, erros internos, decisões estratégicas ruins e falta de adaptação às pistas mais travadas do calendário. E, sobretudo, uma perda de embalo que custou caro.

Início avassalador foi o bastante para Rowland ser campeão apesar de declínio da Nissan (Foto: Nissan)

Essa queda coincidiu com um momento delicado internamente. O diretor técnico Theophile Gouzin deixou a equipe antes do eP de Berlim e se juntará à Jaguar após período de licença. A chefe de performance e simulação, Cristina Manas Fernández, voltou para a Williams na Fórmula 1. Mudanças profundas nos departamentos mais sensíveis da equipe — justamente aqueles responsáveis por desenvolvimento, correlação e ajuste fino — criaram uma turbulência difícil de mascarar, mesmo com a conquista do título individual.

Os testes coletivos de pré-temporada, em Valência, pareciam a oportunidade ideal para mostrar que as falhas haviam sido identificadas e corrigidas. E, em parte, houve motivos para otimismo: Rowland marcou o segundo melhor tempo geral, apenas atrás de Edoardo Mortara, com diferença mínima de 0s005. Norman Nato também apareceu muito competitivo e foi quarto na tabela combinada. Em voltas com 300 kW, no modo de corrida, a Nissan voltou a liderar: Nato fez o melhor tempo geral do teste, evidenciando que o pacote ainda tem força em ritmo de prova. Mas a análise fria revela nuances preocupantes.

Logo nos primeiros dias de atividades, a esquadra apareceu apagada. Rowland passou períodos discretos, teve de encerrar a segunda sessão antecipadamente após ouvir ruídos estranhos na suspensão e praticamente não fez tempos relevantes até os dias finais do teste. Os engenheiros seguiam um programa tão fragmentado e intermitente que outras equipes classificaram o time japonês como imprevisível: ora surgia no fundo, ora brigava pelas primeiras posições. Além disso, em quilometragem total, completou 541 voltas, número mediano no pelotão, atrás de Andretti, Envision, Porsche, Lola Yamaha e Mahindra.

A Nissan vai repetir essa instabilidade ou se aproximar de Mahindra, Porsche e Jaguar? Essa é a grande pergunta — e, neste momento, a resposta é incerta. O pacote é rápido, como mostram as voltas em potência máxima. A equipe evoluiu no controle de oscilações do trem de força, corrigiu parte das inconsistências elétricas e aprimorou gerenciamento de pneus. Mas o histórico de altos e baixos reapareceu nos testes.

Velocidade acompanhada de problemas: Nissan voltou a mostrar melhor e pior na pré-temporada (Foto: Fórmula E)

O que se vê é um time que não perdeu performance, mas luta para traduzir velocidade em execução, exatamente como nas etapas finais da temporada passada. Se repetir o início de 2024/25, Rowland pode entrar como forte candidato ao bicampeonato. Mas se a instabilidade da segunda metade do campeonato — marcada por erro, ineficiência e queda abrupta — reaparecer, a equipe arrisca ver Jaguar, Porsche e Mahindra abrirem distância. O campeão parece forte individualmente. A Nissan, nem tanto. Resta ver qual dessas duas realidades irá se impor.

Com a pré-temporada devidamente encerrada, a Fórmula E agora volta à ação no início do campeonato, que ocorre no Brasil. O eP de São Paulo está programado para acontecer no dia 6 de dezembro, no Sambódromo do Anhembi, com cobertura completa e IN LOCO do GRANDE PRÊMIO.

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