Assinada pelos 20 pilotos do grid da Fórmula E, a carta enviada ao presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem, obviamente foi um dos principais tópicos de discussão na abertura do eP de Madri. Disputada neste sábado (21), a corrida acabou envolvida em um momento importante da categoria, em que os competidores decidiram se unir para buscar mudanças junto à organização do campeonato —principalmente em relação às decisões da direção de prova. E o brasileiro Lucas Di Grassi, um dos líderes do projeto ao lado de Oliver Rowland, explicou a motivação por trás do ato.
“A verdadeira razão pela qual enviamos essa carta é porque queremos que o esporte seja melhor”, disse Di Grassi ao portal inglês The Race em Jarama. “A carta dizia: ‘Olha, existem formas de melhorar o esporte, e todos os pilotos pensam assim’. É sobre ter mais consistência, mas a ideia em geral foi: como podemos melhorar o esporte?”, questionou.
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Di Grassi explicou que os pilotos já buscaram formas de conversar sobre o assunto, mas deu a entender que o objetivo não foi cumprido — o que levou à ideia da carta, endereçada diretamente ao presidente da FIA. Ao explicar que a intenção não é gerar negatividade, o piloto brasileiro deu até uma cutucada no veículo inglês.
“Não foi algo contra ninguém. Não estamos contra a FIA, nem contra nada. Não estamos sabotando o campeonato, como você escreveu. Não é essa a filosofia. Amamos isso, achamos que a FIA está fazendo um trabalho fantástico em termos de segurança, em várias áreas. Mas há outras em que precisamos melhorar, mas não há uma maneira formal de fazer isso”, explicou.

“Tentamos conversar durante as reuniões com os pilotos, dizendo que ‘deveríamos seguir desta forma’ ou ‘podemos fazer assim?'”, disse. “Estamos tentando conversar e evoluir, esse é o principal motivo da carta. Mas, no fim, é uma vontade comum entre os pilotos. Pensamos que há muito a melhorar, então, como podemos trabalhar juntos para conseguir isso?”, salientou.
Campeão da temporada 2016/17, Di Grassi ainda aproveitou uma analogia entre dois setores bem diferentes da indústria, aviação e medicina, para explicar o cenário. Segundo o brasileiro, o objetivo é emular o que acontece após erros em acidentes aéreos, que costumam sempre colocar em prática novos protocolos — justamente para evitar repetições. Assim, a área evolui constantemente.
“Há um livro muito interessante, ‘Black Box Thinking’, do campeão de squash Matthew Syed, hoje comentarista. Ele usa dois exemplos diferentes de indústrias: aviação, com mais de 20 mil voos por dia e uma queda, e médica, em que temos vários erros durante os procedimentos e pessoas morrendo durante ou após erros médicos. E isso não parece melhorar ao longo dos anos”, detalhou.
“No fim, quando você olha, é sobre o processo. Um deles é capaz de verificar os erros e mudar. Então, tenta corrigir esses erros para tornar as coisas melhores da próxima vez. Não julgam os pilotos em si, mas se ele comete um erro, como podemos mudar o processo para evitar ou reduzir as chances de que ele erre novamente? É isso que queremos construir. Queremos mudar algumas partes do processo para que tenhamos menos erros, mas ele não muda”, disse.

Por fim, Di Grassi voltou a garantir que a carta não tem a intenção de apontar culpados, mas alterar processos para que erros já cometidos não se repitam. E o veterano ainda comentou a insatisfação de alguns chefes de equipe da Fórmula E, irritados por não terem sido avisados pelos pilotos de que a carta seria enviada.
“Não importa se você encontra erros, já que não consegue mudar o processo. Não queremos culpar ninguém individualmente pelos erros, mas ver como podemos melhorar para que, no futuro, tenhamos menos erros. No momento, não há um método para isso na FIA. E todos achamos positivo o fato de podermos corrigir esses erros sem julgar as pessoas a nível particular. E, então, tentar melhorar as coisas ao longo do tempo”, repetiu.
“Primeiro, por que eles ficariam contra uma carta que quer melhorar o esporte?”, questionou Di Grassi. “Em segundo lugar, acho que depende dos pilotos informarem aos chefes. Não sei. No meu caso, quando assinei, disse a Fred [Espinos] que estaria enviando a carta, pensando em um esporte melhor”, finalizou Di Grassi.
Sexta etapa do campeonato, o eP de Madri acontece entre os dias 20 e 21 de março. Em Jarama, a capital espanhola estreia no calendário da categoria elétrica e abre a perna europeia da temporada 2025/26. Emissora oficial no Brasil, o GRANDE PRÊMIO transmite todas as atividades de pista AO VIVO e COM IMAGENS no YouTube e na GPTV.
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