Di Grassi tem atuação magistral e vence corrida 2 do eP de Xangai
Lucas di Grassi teve atuação digna de um dos maiores pilotos da história da Fórmula E e venceu a corrida 2 do eP de Xangai com duas ultrapassagens sobre Jean-Éric Vergne e Joel Eriksson na volta final. Felipe Drugovich chegou no 6º lugar
Lucas Di Grassi voltou a vencer na Fórmula E após quatro anos. No mesmo país em que triunfou na primeira corrida da história da categoria elétrica, o brasileiro teve uma atuação magistral, chegou no pelotão dianteiro na reta final e, com um acionamento do Modo Ataque no momento perfeito, ultrapassou Jean-Éric Vergne e Joel Eriksson na última volta para voltar ao degrau mais alto do pódio. Essa é a primeira vitória do veterano desde a corrida 2 do eP de Londres de 2021/22 e dá um brilho especial à temporada que marca a despedida das pistas.
Pascal Wehrlein e Sébastien Buemi completaram o top-5. Felipe Drugovich, Nico Müller, Oliver Rowland, Taylor Barnard e Dan Ticktum fecharam o grupo dos dez primeiros, que marcaram pontos na corrida deste domingo.
A prova começou atrás do safety-car. Após a classificação, voltou a chover em Xangai, e a direção da prova ordenou que o início fosse com o carro de segurança para formação de um trilho menos molhado na pista. Após três voltas, um procedimento de largada parada foi realizado e a prova seguiu normalmente.
Quem não teve nem chance de largar foi Mitch Evans. Poucos instantes antes dos carros partirem, o neozelandês foi visto ainda nos boxes, sem macacão. A Jaguar informou que ele não iria á pista por conta de um problema técnico que ainda será investigado. Como consequência, o #9 perdeu a liderança do Mundial de Pilotos.
A Fórmula E retorna entre os dias 24 e 25 de julho, com a realização da rodada dupla do eP de Tóquio. Emissora oficial no Brasil, o GRANDE PRÊMIO transmite todas as atividades de pista AO VIVO e COM IMAGENS no YouTube e na GPTV.
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Como foi a corrida 2 do eP de Xangai:
Voltou a chover em Xangai após a classificação. Quando os carros foram para o grid, algumas gotas podiam ser percebidas nas câmeras da transmissão e, naturalmente, o trilho seco que havia se formado ao longo da definição do grid foi embora. Momentos antes do início da prova, a chuva apertou um pouco mais. Por conta disso, a direção de prova definiu que a largada seria dada atrás do safety-car.
Uma ausência no grid chamou atenção: Mitch Evans. Atual líder do campeonato, o neozelandês ficou nos boxes, enquanto mecânicos da Jaguar mexiam no carro. Pouco antes da largada, a equipe britânica confirmou que o #9 não participaria da prova e que o problema mecânico seria investigado após a prova.
O safety-car foi liberado e a corrida começou sob bandeira amarela. E a Citroën protagonizou mais uma situação curioca: tanto Nick Cassidy, em 14º, quanto Jean-Éric Vergne, em 17º, apresentaram ritmo muito lento e não conseguiram ficar próximos os carros à frente. Com isso, três blocos de pilotos separados se formaram na pista. Mas, aparentemente, se tratava de uma estratégia da equipe francesa para obter vantagem energética e ambos seguiram normalmente na prova.
Ao término da terceira volta, o safety-car foi para os boxes e um procedimento de largada parada foi iniciado. Quando as luzes vermelhas se apagaram, Felipe Drugovich conseguiu se manter na liderança. De cara, Taylor Barnard, Pepe Martí, Edoardo Mortara e Nyck de Vries acionaram o Modo Ataque.

No giro seguinte, todos os pilotos do top-10 exceto Drugovich e Oliver Rowland também acionaram os 350 kW de potência. O brasileiro da Andretti fez a ativação na volta 6. Com todas as ativações, o top-10 mexeu bastante nos giros iniciais.
Quem fez a melhor estratégia, foi a Porsche, que colocou Pascal Wehrlein e Nico Müller nas duas primeiras posições, seguidos por Drugovich e Jake Dennis. Apesar de ter acionado Modo Ataque por mais tempo, o suíço não atacou o companheiro de equipe e ficou no papel de escudeiro.
Mortara e Sébastien Buemi se engalfinharam na volta 10. O suíço tinha 350 kW de potência e foi para cima do piloto da Mahindra na chicane que leva à reta principal, mas levou uma fechada e quase bateu na barreira de pneus da entrada dos boxes. Alguns metros à frente, fez a ultrapassagem e fez um aceno irritado ao rival.
Quando os níveis de energia foram mostrados, Wehrlein aparecia com 60% disponíveis, levemente a mais que todos os rivais próximos. Apesar de ter aberto vantagem relativamente confortável para os pilotos da Andretti, o alemão conseguiu fazer isso sem consumir tanta bateria.

Na volta 14, António Félix da Costa foi para cima de Rowland com o Modo Ataque ativado e acabou tocando na lateral da Nissan na curva 8. O português ficou com a asa dianteira bem danificada, e o britânico ficou irritado e pediu uma punição no rádio. Apesar dos danos na asa, Da Costa não perdeu performance e seguiu escalando o pelotão e ficou no 3º lugar ao término da potência extra, logo à frente de Drugovich.
Buemi foi o primeiro a fazer o segundo acionamento do Modo Ataque, na volta 19. Porém, o suíço cometeu um erro no último setor no momento de passar pelo companheiro Joel Eriksson e acabou perdendo tempo. Müller também pegou a potência extra, mas não foi para cima de Wehrlein. Pelo contrário, utilizou para se defender na reta e tentar atrasar a dupla da Envision atrás do companheiro de equipe. O esforço durou pouco, e logo o suíço perdeu duas posições.
Apesar da distância, Eriksson tinha bastante vantagem de energia e foi com tudo para cima de Wehrlein. Podendo acelerar mais, o sueco tomou a liderança e entrou na briga pela vitória. Na volta 23, o alemão pegou o segundo Modo Ataque. Apesar disso, começou a sofrer ataques de Jean-Éric Vergne e Lucas Di Grassi, que chegou no pelotão dianteiro com uma ótima estratégia de gestão de energia, e acabou perdendo posição para os dois.
Eriksson fez a ativação do Modo Ataque, mas acabou sendo um momento ruim. Isso porque, quase simultaneamente, Zane Maloney quebrou a suspensão do carro da Lola Yamaha por atacar demais a zebra, bateu no muro na reta principal e ficou parado no meio da pista, forçando uma full course yellow. Com isso, o sueco perdeu o período de potência extra.

Quem se deu muito bem foi Di Grassi. De forma discreta, além da ótima gestão de energia, o brasileirou atrasou ao máximo a utilização da potência extra e, quando o barbadiense causou a neutralização, se tornou o único com um acionamento ainda por fazer.
Quando a bandeira verde foi acionada, a três voltas do fim, Di Grassi não hesitou: pegou o segundo Modo Ataque e partiu para cima de Eriksson e Vergne. Na abertura da última volta, deixou o sueco para trás e, algumas curvas depois, superou o piloto da Citroën para conquistar uma inesperada vitória, 12 anos após subir ao topo do pódio na primeira corrida da história da Fórmula E, também na China.
Fórmula E 2025/26: Resultado da corrida 2 do eP de Xangai
| Pos. | Piloto | Equipe | Dif. |
| 1 | L DI GRASSI | Lola Yamaha | 28 voltas |
| 2 | J.E VERGNE | Citroën | +0.565 |
| 3 | J ERIKSSON | Envision | +2.903 |
| 4 | P WEHRLEIN | Porsche | +11.093 |
| 5 | S BUEMI | Envision | +17.373 |
| 6 | F DRUGOVICH | Andretti | +19.651 |
| 7 | N MÜLLER | Porsche | +22.456 |
| 8 | O ROWLAND | Nissan | +22.539 |
| 9 | T BARNARD | DS Penske | +22.690 |
| 10 | D TICKTUM | Cupra Kiro | +23.685 |
| 11 | M GÜNTHER | DS Penske | +24.248 |
| 12 | J.M MARTÍ | Cupra Kiro | +24.362 |
| 13 | J DENNIS | Andretti | +26.722 |
| 14 | A.F DA COSTA | Jaguar | +26.934 |
| 15 | N CASSIDY | Citroën | +27.138 |
| 16 | E MORTARA | Mahindra | +29.960 |
| 17 | N NATO | Nissan | +31.309 |
| 18 | N DE VRIES | Mahindra | +52.032 |
| 19 | Z MALONEY | Lola Yamaha | Abandonou |
| 20 | M EVANS | Jaguar | Não largou |
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