A Fórmula E terá um carro bem diferente na quarta geração de monopostos, denominada Gen4, a partir da temporada 2026/27. De acordo com informações do portal inglês The Race, a construção até vai manter alguns traços do atual Gen3 Evo, principalmente na parte dianteira. No entanto, o conceito geral lembra muito mais um modelo da Fórmula 2 ou da Super Fórmula do que os atuais.

A versão oficial do carro ainda é um protótipo, que vem sendo testado há três meses. A previsão é de que as montadoras do grid recebam os equipamentos em setembro para iniciar os testes de pista. Em novembro, a Fórmula E pretende organizar uma sessão conjunta, com todas as fabricantes, para compartilhamento de aprendizados com o novo carro. Isso deve acontecer após a pré-temporada, marcada para outubro.

Os testes oficiais com o novo carro estão programados para começar em 2026, já a partir do primeiro dia do ano. Jaguar, Porsche, Nissan, Lola e Stellantis — inicialmente por meio da Maserati — confirmaram presença no próximo ciclo de regras. Mahindra e Penske ainda analisam como serão os próximos passos.

Em termos de especificações, o Gen4 será o maior e mais pesado carro da história da Fórmula E. Com tecnologia mais avançada, mais potência, aderência e aerodinâmica, o monoposto ganhou uma série de traços que elevaram não apenas as medidas, mas também o peso. Enquanto o Gen3 Evo ficou em 859 kg, a expectativa é de que o Gen4 tenha 1.016 kg.

Na próxima temporada, o carro Gen3 Evo vai se despedir da categoria (Foto: Fórmula E)

Entre outros motivos, esse acréscimo também está relacionado à troca de bateria. Ao contrário da Gen3, a Fórmula E não foi em busca do que há de mais atualizado no mercado, mas de uma célula mais simples e de design mais tradicional. Isso mostra uma mudança forte de rota, já que a busca por uma bateria de última geração na Gen3 rendeu uma série de dores de cabeça e problemas de confiabilidade — o que é esperado em tecnologias que ainda engatinham.

Para o carro Gen4, porém, a Fórmula E optou pelo caminho do entretenimento. O objetivo é focar em desempenho, com um grande salto de performance e mais capacidade para alimentar um trem de força mais potente e com um grau de exigência maior. Assim, a bateria fornecida pela Podium Advanced Technologies — que substitui a Fortescue Zero — será maior e, consequentemente, mais pesada.

Desta forma, as dimensões do carro também serão diferentes. A largura será de 1,8 m, enquanto a distância entre eixos ficará em 3,08 m. No total, o Gen4 será maior que o atual Gen3 Evo em 520 mm. Tudo isso para fortalecer a evolução de potência, que vai deixar os atuais 350 kW para andar a 600 kW na próxima geração. A recuperação de energia ao longo das corridas vai saltar de 600 kW para 700 kW.

Outra grande novidade já antecipada pela Fórmula E será a aerodinâmica. Os carros Gen4 terão dois acertos diferentes neste quesito, de alto e baixo arrasto, por meio de kits de chassi que serão utilizados em corridas específicas. Essa novidade surge como um primeiro passo em direção ao foco aerodinâmico na Fórmula E, algo que não foi uma questão até hoje, como forma de melhorar ainda mais os tempos de volta. Mas também tem levantado preocupações.

Fórmula E vai em direção à quarta geração de carros, que vai estrear na 13ª temporada (Foto: Fórmula E)

A primeira delas é com o aumento dos custos, já que esses kits precisarão ser transportados junto ao circo da Fórmula E. E isso ainda se soma à chegada dos pneus focados em chuva, o que aumentaria o peso de qualquer forma. Desta maneira, discussões têm acontecido entre algumas fabricantes e a FIA — que foi a responsável pela ideia de aumentar o foco aerodinâmico.

O segundo ponto diz respeito às corridas em si. Em uma categoria em que os carros conseguem perseguir uns aos outros de maneira muito próxima, há a preocupação que o aumento do arrasto aerodinâmico aumente o ar sujo jogado para trás. Isso aumentaria a dificuldade de aproximação, um problema clássico vivido pela Fórmula 1, e poderia mudar drasticamente as provas na Fórmula E. No entanto, só será possível conhecer os impactos práticos quando os carros forem à pista.

Vale ressaltar que as fabricantes ainda questionam certos pontos do regulamento, como a responsabilidade pela produção de partes importantes do chassi — o que dificultaria uma troca rápida após acidentes, por exemplo — e pelo design dos diferenciais, que serão hidráulicos e mais caros. Naturalmente, surgiu o questionamento sobre o motivo de não torná-los eletrônicos, decisão que partiu da FIA.

Enquanto acerta os ponteiros rumo a uma nova era de carros, a Fórmula E ainda encerra a temporada 2024/25 neste fim de semana. Entre os dias 25 e 27 de julho, a categoria disputa o eP de Londres, que terá transmissão AO VIVO e COM IMAGENS de todas as atividades de pista no GRANDE PRÊMIO.

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