A nova geração não viu Ayrton Senna ou Michael Schumacher, mas tem em Max Verstappen e Lewis Hamilton duas das principais referências da Fórmula 1 nas últimas décadas. É nesses dois pilotos, tão vitoriosos e tecnicamente distintos, que muitos dos novos talentos dividem a preferência pessoal — mas, acima de tudo, encontram inspiração para se tornar, um dia, quem sabe, um campeão mundial como eles.
Fã do neerlandês e tetracampeão mundial com a Red Bull, Fabrício Fogaça é mais uma peça desse grid composto pela nova geração de pilotos brasileiros que começa a construir uma trajetória no esporte a motor. Nascido e criado em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, o jovem de 15 anos não começou no kart nos primeiros anos de vida, mas despontou rapidamente como uma das boas promessas do Brasil e já conquistou espaço nos monopostos. Em entrevista exclusiva ao GRANDE PREMIUM, ele descreveu os primeiros anos no kart e os outros desafios da carreira até aqui, sempre apoiado pela família.
“Faz pouco tempo, cerca de dois anos. Fui até o San Marino Kart, em Paulínia, para testar, ver como era e me apaixonei. Fiz as corridas menores do kartódromo, depois fui correr o campeonato brasileiro, mas foi ali que tudo começou”, diz. “Posso dizer que fiz praticamente tudo sozinho. Comecei a assistir corridas de F1, depois fui me aprofundando e assistindo outras categorias, comprei um simulador, comecei a treinar e decidi ir para o kart.”
Fabrício conta que, já no primeiro mês, começou a registrar tempos de volta próximos aos dos líderes do kartódromo. “Foi ali que eu vi que tinha ritmo para começar a correr. Na primeira corrida, fiquei em segundo na classificação e vi que era competitivo. Depois, comecei a disputar campeonatos.”

A chance na F4 Brasil e o salto para os monopostos
Ao contrário das gerações anteriores, que primeiro acumulavam troféus no kart para depois arriscar nos monopostos, a passagem de Fogaça pelo kart foi rápida. O próximo desafio foi a F4 Brasil, categoria voltada à formação de jovens pilotos para o cenário nacional e internacional.
“Surgiu a oportunidade de fazer um teste e decidi fazer. Modéstia à parte, fui muito bem e me deixaram fazer mais dois treinos extras. No segundo treino, fui 0s4 mais rápido que o melhor piloto. O pessoal gostou e, mais tarde, surgiu a chance de disputar a F4 brasileira neste ano com a Cavaleiro Sports.”
Fogaça conta que a experiência na F4 brasileira é diferente porque o carro é mais lento, possibilitando mais ousadia ao piloto e gerando confiança para arriscar nas curvas e em outros pontos dos circuitos.

“É muito diferente, mas o que mais me surpreendeu foi o freio e a velocidade mesmo. É um carro que, embora atinja 220 km/h na reta, é lento na comparação com o kart e a questão dos reflexos. E isso foi bom porque consegui me adaptar mais rapidamente”, explicou.
“É um campeonato legal, mas é bem de base. Acho que, para quem almeja seguir carreira nos carros de fórmula no Brasil, é o melhor passo possível. Você aprende muito e é um carro que você anda fora do Brasil, por isso é uma ótima categoria.”
O sonho da Europa e a vaga no time do pai de Antonelli
Depois de ganhar experiência na F4 brasileira, mais um salto importante na carreira estava à espera de Fogaça: a F4 italiana. Conhecida como uma das principais portas de entrada para talentos de todo o mundo na Europa, a categoria também abriu as portas para um teste, e o brasileiro decidiu aproveitar a oportunidade.
“Foi parecido com a ida para a F4 brasileira. Apareceu um teste, eu fiz e fui muito bem. Na verdade, estávamos preparados só para correr a F4 brasileira neste ano, mas, depois que eu consegui me destacar no teste, o Marco Antonelli [pai do piloto da Mercedes na F1, Andrea Kimi Antonelli, e proprietário da equipe AKM] disse para eu correr na Itália com o time dele, falou que eu aprenderia muito mais em um campeonato mais competitivo. E aí deu tudo certo.”

A nova experiência na Itália trouxe benefícios, mas também desafios de adaptação à categoria. Para Fogaça, o clima ainda é um obstáculo importante.
“É um campeonato muito competitivo, dos mais difíceis do mundo, com mais de 50 pilotos, muitos campeões mundiais de kart. É um campeonato onde você aprende muita coisa”, contou.
“Mas, tirando isso, o que eu estranhei muito foi o clima. É muito diferente. No Brasil a gente sempre anda no calor, e aqui depende do mês. Um mês você está correndo com 15ºC e no outro a 34ºC. É algo que exige bastante adaptação e foi a minha principal dificuldade.”

Apesar dos desafios, Fogaça segue firme no propósito de subir degraus na escada do automobilismo mundial e, quem sabe, chegar à F1. Porém, o objetivo, agora, é disputar as temporadas 2026 e 2027 na F4 italiana e, mais para frente, avaliar os próximos passos.
“O salto para a FREC (Fórmula Regional Europeia) é muito grande, os carros são bem diferentes, então sei que preciso me preparar. Vou fazer esse ano e o próximo na F4 para pegar experiência e, em 2028, vamos saltar para a FREC”, encerrou.