É fato: com 109 pontos de vantagem para Charles Leclerc após conquistar na Holanda a sua décima vitória em 15 possíveis — a quarta consecutiva —, Max Verstappen já entrou em contagem regressiva para a conquista do seu segundo título na Fórmula 1. Até o próprio rival da Ferrari já se rendeu à superioridade do holandês e admite que a briga pelo vice-campeonato é um alvo mais realista.

O domínio de Verstappen é algo que remete a um período de glória da própria Red Bull com Sebastian Vettel, mais precisamente o ano de 2013. Foi naquela temporada, o ano do tetra, que o atual piloto da Aston Martin igualou a marca de 13 vitórias numa mesma temporada, pertencente a Michael Schumacher. O mesmo Schumacher que também dominou a F1 em outra era, com a Ferrari.

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Em 2022, Verstappen caminha não apenas para igualar a marca, pois faltam apenas três canecos na conta para tal. Porém, com mais sete GPs a serem disputados, o #1 segue firme para estabelecer muito em breve um novo recorde na F1, e com méritos. E o GRANDE PREMIUM listou os dez momentos deste ano que explicam por que Max e a Red Bull são fortes candidatos a iniciarem uma nova era na categoria.

1. A primeira vitória de 2022

A temporada começou da pior forma possível para Verstappen: com um abandono. A Red Bull, aliás, sofreu bastante no início com os problemas de confiabilidade que assombravam os boxes. No Bahrein, o holandês era segundo quando uma falha na bomba de combustível forçou sua retirada na volta 54 de 57.

Mas a volta por cima veio na etapa seguinte, na Arábia Saudita, e com direito a um belo pega com Leclerc e a famosa freada na linha do DRS para ver quem teria a vantagem de usar a asa móvel na reta principal. Verstappen deu o bote definitivo na volta 46 de 50 e enfim marcou os seus primeiros pontos na temporada.

Max Verstappen no pódio da Arábia Saudita (Foto: AFP)

2. O Grand Chelem em Ímola

O GP da Emília-Romanha representou um ponto de virada para Max Verstappen e, consequentemente, a própria Red Bull. No quintal da Ferrari, o #1 começou a construir o seu segundo Grand Chelem — pole, volta mais rápida e vitória de ponta a ponta — na carreira no sábado, quando colocou 0s7 sobre Leclerc com pista molhada. Para completar o domínio em Ímola, ele ainda venceu a sprint race, corrida de classificação que define o grid de domingo. A Leclerc, restou um erro bobo que custou o pódio. Para Max, mais 34 pontos e o início da arrancada rumo à liderança.

3. O domínio em Miami

Em um circuito totalmente novo para a Fórmula 1, a Red Bull chegou em Miami com ligeira vantagem pelas características do seu carro, mais veloz em reta, que o da Ferrari. Na classificação, porém, a força de Leclerc em volta lançada apareceu, mas Verstappen foi para a corrida ciente do equipamento que tinha em mãos e precisou de apenas nove voltas para deixar o monegasco para trás e conquistar a sua terceira vitória em cinco GPs. A diferença no Mundial já caía para 19 pontos.

Verstappen se aproximou de Leclerc na classificação com a vitória em Miami (Foto: Red Bull Content Pool)

4. O momento da virada

A sorte resolveu sorrir para Verstappen no aguardado GP da Espanha, sexta etapa, que costuma ser o palco das grandes atualizações. Do lado da rival Ferrari, o pacote preparado para Barcelona funcionou muito bem, e Leclerc aproveitou a pole-position para sobrar na corrida. Enquanto isso, o representante da Red Bull sofria com uma falha no DRS e ficava preso atrás de George Russell, enquanto o #16 seguia firme na liderança.

Mas eis que, na volta 27, a F1-75 começou a perder potência, causando o primeiro abandono de Charles na temporada. Verstappen ainda contou com o jogo de equipe — que gerou muita controvérsia e reclamação da parte de Sergio Pérez — para assumir a liderança pela primeira vez no ano, abrindo seis pontos de vantagem para Leclerc.

5. A pole sob chuva no Canadá

Max Verstappen na chuva é quase imbatível (Foto: Red Bull Content Pool)

Mais uma corrida em que a Ferrari partia com certo favoritismo, porém viu a Red Bull reverter a vantagem já na classificação. Mas a ajuda, dessa vez, veio dos céus: sob chuva, Verstappen impressionava em cada tentativa de volta lançada, chegando a ser 1s mais rápido que os adversários. Em Montreal, o holandês comandou todas as atividades pré-classificação, exceto o TL3, que foi de um incansável Fernando Alonso, outro mestre em pista molhada.

A pole-position no Canadá veio com nada menos que 0s7 sobre Carlos Sainz, a melhor Ferrari do grid — Leclerc sequer participou do Q2, já que largaria do fundo do pelotão por ter trocado o motor. A volta mais rápida ainda encerrou uma sequência de quatro corridas da Ferrari largando na posição de honra (todas com Leclerc).

6. A vitória inesperada na Hungria

O fim de semana na Hungria era visto pela Red Bull com uma espécie de corrida para marcar pontos, já que a técnica Hungaroring e suas curvas de média e baixa velocidade combinavam muito mais com o perfil da F1-75, um carro que sabe trabalhar bem em pistas que exigem do downforce, do que do RB18 e seu apreço por velocidade. Para completar, a classificação de Verstappen foi um desastre: o erro na primeira tentativa do Q3 e a perda de potência no fim o fizeram largar apenas em décimo.

Mas a Red Bull não se deu por vencida. Antes mesmo da largada, começou a construir a recuperação do #1 ao calçá-lo com pneus macios na primeira parte, proporcionando ao holandês a chance de escalar rapidamente o pelotão. Antes da primeira parada, já aparecia em quinto. A história mudou de vez quando a Ferrari errou ao colocar pneus duros em Leclerc para o stint final, enquanto os taurinos partiram para os compostos médios. Verstappen chegava à sua oitava vitória e transformava o bi em questão de tempo.

Verstappen superou uma classificação ruim com uma ótima estratégia na Hungria (Foto: Red Bull Content Pool)

7. A escalada em 12 voltas na Bélgica

A corrida na Bélgica foi daquelas que marcam a carreira de pilotos na história da Fórmula 1. A Red Bull aproveitou a confortável vantagem de 80 pontos após a Hungria para promover a troca do motor de Verstappen. Com isso, ele automaticamente caiu para o fundo do grid, mas como outros pilotos também optaram pela mesma estratégia, Max alinhou seu carro em 14° depois de ser o mais rápido na classificação — detalhe: estabeleceu o tempo no início do Q3, foi para os boxes, deixou o carro e apenas acompanhou a última tentativa dos rivais de bater sua marca em vão.

O que se viu no domingo foi um capítulo à parte de uma temporada que começou irregular para a Red Bull, mas passou a ser dominante da França em diante: Verstappen precisou de apenas 12 voltas para assumir a liderança e só sair de lá quando teve de parar para trocar pneus.

8. O veloz RB18

Justiça seja feita: se Verstappen caminha a passos largos para ser bicampeão, há uma parcela que deve ser atribuída ao RB18, o carro que começou com muitos problemas de confiabilidade, mas que tinha um grande trunfo: era o mais baixo de todos do grid, o que melhor entendeu a mudança técnica no regulamento e aproveitou a volta do efeito-solo.

O RB18 começou problemático, mas melhorou e é o carro a ser batido (Foto: Mark Thompson/Getty Images/Red Bull Content Pool)

O responsável pelo projeto tem nome e sobrenome: Adrian Newey. Ainda na pré-temporada, o projetista da Red Bull modificou o assoalho do carro e conseguiu resolver um problema que gerou tanta dor de cabeça que fez até a FIA (Federação Internacional de Automobilismo) intervir: o porpoising, os quiques que os carros dão em alta velocidade por causa do efeito-solo gerado.

Ao longo do ano, a equipe ainda buscou atualizações para resolver a questão da falta de confiabilidade e também diminuir o peso. E mesmo sendo um dos carros mais pesados do grid, consegue ser versátil o bastante para se igualar à Ferrari até em pistas onde os italianos são claramente melhores.

9. A rainha das estratégias

Outra justiça que precisa ser feita a esse conjunto que caminha para mais um título é a força da Red Bull como equipe, mas aqui vale uma menção em especial à estrategista-chefe dos taurinos, Hannah Schmitz. Engenheira de formação, ela tem se destacado pelas reações rápidas e certeiras frente às situações inesperadas.

O caso mais notório aconteceu na Holanda. Verstappen, então na liderança, havia feito o seu pit-stop final e colocado pneus duros, mas a Mercedes começou a crescer no fim se tornar uma ameaça, já que Lewis Hamilton e George Russell estavam com compostos médios. Foi quando o safety-car entrou em ação na volta 56 pela quebra de Valtteri Bottas.

Imediatamente, a Red Bull chamou Verstappen aos boxes para colocar pneus macios, mesmo sabendo que ele voltaria à pista atrás da Mercedes. Só que os prateados mantiveram seus pilotos por mais um giro e, quando decidiram parar, chamaram apenas Russell, deixando Hamilton novamente vulnerável na liderança, com pneus mais desgastados contra Verstappen. Um xeque-mate de Schmitz.

Verstappen celebra com a Red Bull: estrategista-chefe tem feito diferença (Foto: Mark Thompson/Getty Images/Red Bull Content Pool)

10. A maturidade

O Verstappen de 2022 é muito mais cerebral que o de versões anteriores, por mais que o arrojo continue lá. A diferença agora é que o holandês sabe que não precisa dividir curvas como se fossem as últimas. Max se tornou um piloto que estuda o momento certo de fazer a ultrapassagem (Arábia Saudita), ou mesmo que joga com o regulamento quando entende que a vitória não será possível (Inglaterra, quando um pedaço de AlphaTauri danificou seu assoalho e ele lutou para marcar o máximo de pontos possíveis). É extremamente rápido, mas confia sem medo nas decisões da equipe, e é por isso que verá o bicampeonato muito antes do final do ano. Com o tempo jogando a seu favor, ainda terá uma longa estrada de sucesso a percorrer na F1. Basta a Red Bull fazer a sua parte, como o próprio Christian Horner já disse.