O GP dos Países Baixos deste fim de semana será o último dessa segunda passagem da Fórmula 1 por Zandvoort na história. Isso porque, salvo algumas exceções, como em 1957, por exemplo, devido à Guerra de Suez, a etapa em solo neerlandês aconteceu de forma quase ininterrupta entre 1952 e 1985, quando, aí sim, a categoria ficou sem visitar o local por 36 anos.

O retorno só aconteceu em 2021, quando Max Verstappen subiu no degrau mais alto do pódio exatamente em uma temporada marcada pela disputa acirrada pelo título contra Lewis Hamilton. Desde então, além do titular da Red Bull, que também venceu em 2022 e 2023, Lando Norris e Oscar Piastri sentiram o gosto do sucesso por lá nas duas últimas oportunidades, ambos com a McLaren.

Assim como há quatro décadas, a F1 se despede do GP dos Países Baixos em 2026, sem qualquer previsão para voltar. Desta forma, no Lado a Lado desta quinta-feira (20), o GRANDE PREMIUM relembra o que aconteceu na corrida da última despedida e analisa o que esperar deste fim de semana.

GP dos Países Baixos de 1985

Niki Lauda venceu o GP dos Países Baixos de 1985 (Foto: Rob de Korte)

Sem sombra de dúvidas, uma etapa que entrou para a história por alguns motivos. Além da despedida, como citada anteriormente, que marcou o fim de um ciclo importante na F1, a pole-position conquistada por Nelson Piquet foi a 39ª e última da equipe Brabham na categoria. Ao anotar 1min11s074, o brasileiro foi 0s573 mais rápido do que Keke Rosberg, da Williams, na segunda posição, e terminou mais de 0s7 à frente de nomes como Alain Prost (McLaren), Ayrton Senna (Lotus) e Teo Fabi (Toleman), que fecharam a lista dos cinco primeiros.

Mas o grande nome da corrida foi mesmo Niki Lauda, que anunciara a aposentadoria das pistas durante o fim de semana do GP da Áustria, exatamente a etapa anterior. Ao largar da décima posição com a McLaren, o austríaco contou com infortúnios de alguns adversários e também com uma estratégia diferente para assumir a liderança na volta 34. Por ter parado mais cedo do que Prost, então companheiro de equipe, foi alcançado pelo rival nos momentos finais, mas conseguiu se defender bem e cruzou a linha de chegada com uma vantagem de somente 0s232.

Enquanto Piquet terminou mais de uma volta atrás, visto que ficou parado no grid na hora da largada, Senna driblou problema de superaquecimento no motor para garantir o último lugar no pódio, com 48s491 de atraso em relação a Lauda. Michele Alboreto, em quarto, foi o último a concluir a 11ª etapa daquela temporada no mesmo giro do vencedor, com 48s837 de desvantagem.

Importante destacar, porém, que em uma época em que todos sofriam bastante com questões de confiabilidade, nada menos que 16 pilotos abandonaram a corrida, com somente dez vendo a bandeira quadriculada.

GP dos Países Baixos de 2026

Fórmula 1 se prepara para se despedir de Zandvoort mais uma vez (Foto: Reprodução/F1)

Com a chegada do novo regulamento, que trouxe também uma nova unidade de potência, é verdade que boa parte das equipes apresentam quebras aqui ou ali, embora nem perto do nível apresentado pela F1 no passado. Mas se vale o alerta, a Mercedes precisa ficar de olho. Isso porque, entre aquelas que frequentam o top-4, a escuderia liderada por Toto Wolff já viu Andrea Kimi Antonelli e George Russell ficarem na mão em algumas oportunidades — o que, inclusive, impediu que a vantagem das Flechas de Prata no topo da tabele do Mundial de Construtores fosse maior.

Até porque não dá para prever o que vai acontecer em Zandvoort, principalmente em um fim de semana com formato sprint. Se os prateados desembarcam como favoritos devido ao domínio apresentado nas primeiras etapas, Ferrari e McLaren sonham em incomodá-los. Nas seis corridas anteriores, o time de Maranello venceu na Catalunha e na Inglaterra com Lewis Hamilton e Charles Leclerc, respectivamente, enquanto os papaias levaram a melhor com Lando Norris na Hungria, prova que antecedeu as férias de verão.

Em uma pista com características tão particulares, existe, sim, a expectativa de muita competitividade entre os três times. A Red Bull corre por fora, é verdade, uma vez que tem oscilado mais do que as principais rivais e só frequentou o pódio por causa de exibições excepcionais de Max Verstappen. Será que o neerlandês vai surpreender a torcida presente em Zandvoort?

Na parte de trás, boa parte da atenção está voltada para a Aston Martin, que apresentou evolução interessante com as 16 atualizações em Budapeste e que agora vai competir com a nova versão do motor Honda pela primeira vez. Se os esmeraldinos obtiverem os ganhos esperados, podem deixar Cadillac e Williams de vez para trás e se envolverem com mais frequência nos duelos com Haas e Alpine, visto que Audi e principalmente Racing Bulls tiveram um destaque maior nas corridas anteriores.

Ou seja, a despedida dos Países Baixos da F1 pode acontecer em grande estilo. É uma pista que não proporcionou muitas emoções nas edições recentes, mas com tanto ingredientes misturados, incluindo os desafios do novo regulamento, existe potencial para um desfecho interessante.

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