A McLaren domina a F1 e tem tudo desenhado para conquistar o Mundial de Construtores e o Mundial de Pilotos em 2025 — seja com Lando Norris ou Oscar Piastri. Apesar da indiscutível competência técnica, a equipe teima em interferir na briga, ainda que pregue o discurso de que sempre vai manter a igualdade entre os pilotos.

A McLaren ganhou os holofotes no GP da Itália pelos motivos errados. Durante a corrida, Piastri, que estava atrás, teve prioridade no momento da parada nos boxes e trocou os pneus na volta 46 para evitar um avanço de Charles Leclerc. Norris, que estava à frente em segundo, foi para os pits no giro seguinte e tinha margem para voltar à frente.

Porém, uma falha na troca do pneu dianteiro esquerdo custou um tempo considerável e Piastri foi promovido para o segundo lugar. Na volta 48, a McLaren entrou no rádio e ordenou a inversão das posições. Oscar não titubeou e abriu passagem para Norris.

Ordens de equipe não são proibidas e é relativamente comum que elas aconteçam em algum momento na F1. Porém, ninguém espera que o piloto tenha de abrir passagem para o rival direto na briga pelo título — principalmente por causa de um erro de equipe.

Com toda a repercussão da decisão da McLaren, o GRANDE PREMIUM listou outras dez polêmicas envolvendo troca de posições entre companheiros de equipe na F1 Confira.

GP da Itália de 1956: Peter Collins e Juan Manuel Fangio

A primeira troca polêmica aconteceu nos primórdios da F1. Na ocasião, Monza recebia a última etapa do campeonato e Peter Collins e Juan Manuel Fangio, ambos da Ferrari, e Jean Behra, da Maserati, tinham chances de título. O argentino, na época tricampeão, sustentava oito pontos de vantagem sobre os rivais.

Para ser campeão, Collins precisava vencer e ver Fangio terminar em terceiro ou pior. Na corrida, o argentino estava brigando pela vitória, mas sofreu uma quebra e teve de abandonar. 

Na época, o regulamento permitia um piloto guiar o carro do companheiro em casos de abandono e, ao compartilhar o equipamento, os pontos eram divididos entre os competidores. A Ferrari pediu para Luigi Musso ceder o lugar a Fangio, mas o italiano recusou.

Assim, na 35ª volta, Collins foi para os boxes trocar os pneus e cedeu o carro a Fangio. Questionado pelo próprio argentino a razão da gentileza, respondeu que era “muito novo para ser campeão”. Peter tinha 24 anos de idade na época e morreu no GP da Alemanha de 1958 sem ter a chance de ser campeão na F1.

GP do Japão de 1991: Ayrton Senna e Gerhard Berger

Ayrton Senna (#1) deixou Gerhard Berfer (#2) vencer no Japão (Foto: Reprodução)

O GP do Japão era o penúltimo daquela temporada, mas ainda assim Ayrton Senna podia assegurar o tricampeonato em Suzuka. Para isso, bastava marcar o rival Nigel Mansell.

Na corrida, Gerhard Berger partiu da pole e tinha Senna e Mansell logo atrás. O austríaco largou bem e se manteve na ponta, enquanto os postulantes ao título começaram a brigar. Ainda na parte inicial da corrida, Nigel abandonou depois de cometer um erro e o brasileiro assegurou o tricampeonato.

Senna ainda encontrou ritmo para superar Berger e teria vencido a prova. Porém, devido a um acordo com a McLaren, abriu passagem na última curva e deu a vitória para o austríaco. O resultado não interferiu em nada a decisão do campeonato.

GP da Austrália de 1998: David Coulthard e Mika Häkkinen

O cenário do GP da Austrália de 1998 é muito parecido com o do GP da Itália de 2025. Naquela ocasião, Melbourne, etapa inaugural da F1, viu um passeio da dupla da McLaren ao longo de todo o fim de semana.

Depois de largar da pole, Häkkinen sobrava na corrida e caminhava para uma vitória tranquila quando, de repente, entrou para os boxes pela segunda vez. Porém, não havia um mecânico sequer para fazer os trabalhos. No fim das contas, não passou de uma falha de comunicação que induziu o finlandês ao erro.

Mika Häkkinen contou com uma ajudinha de David Coulthard em 1998 (Foto: Reprodução)

Ao voltar para a pista, Häkkinen forçou o ritmo para alcançar David Coulthard e descontava a diferença rapidamente. Na 56ª volta David abriu passagem e permitiu que o companheiro de equipe vencesse a corrida. A atitude veio depois de um pedido do chefe Ron Dennis, que quis restabelecer a ordem natural da prova, quebrada por um erro da própria McLaren.

GP da Áustria de 2001: Rubens Barrichello e Michael Schumacher

Michael Schumacher conquistou o título da temporada 2001 com certa tranquilidade, mas na primeira metade do ano David Coulthard deu indícios de que poderia ser campeão. Assim, os rivais chegaram para a corrida na Áustria separados por oito pontos. 

A Ferrari não conseguiu fazer frente à McLaren no domingo e Coulthard venceu a prova. Porém, Rubens Barrichello estava em segundo, à frente de Schumacher, até a última volta. Se a prova terminasse assim, a diferença entre os líderes seria reduzida para dois pontos. 

Assim, a Ferrari ordenou Barrichello a dar passagem para Schumacher, que assumiu o segundo lugar próximo da linha de chegada e saiu da Áustria com uma vantagem de quatro pontos sobre o rival no campeonato.

GP da Áustria de 2002: Rubens Barrichello e Michael Schumacher

O constrangimento marcou o pódio na Áustria em 2002. Schumacher se negou a ficar no primeiro posto, puxando Barrichello (Foto: F1)

O cenário se repetiu no ano seguinte, mas a situação foi um pouco mais delicada. Schumacher chegou à Áustria liderando o campeonato com 44 pontos, 21 a mais que Juan Pablo Montoya, rival mais próximo.

Barrichello caminhava para vencer, mas a Ferrari achou de bom tom inverter as posições. O brasileiro esperou até o último momento e, mais uma vez, deu passagem na reta final. Montoya fechou em terceiro. O público não gostou nada do movimento e não poupou vaias à Ferrari durante a cerimônia do pódio.

GP dos Estados Unidos de 2002: Michael Schumacher e Rubens Barrichello

Dominando a temporada 2002, a Ferrari estava sobrando no fim de semana do GP dos Estados Unidos e Schumacher caminhava para uma vitória tranquila com Barrichello em segundo.

Com o pentacampeonato já assegurado, Schumacher reduziu o ritmo nas voltas finais. No último giro, o alemão definitivamente tirou o pé na última curva para deixar Barrichello passar. O brasileiro se assustou com o movimento e também reduziu a velocidade. Porém, percebeu que se tratava de uma retribuição pelo que aconteceu na Áustria. 

Os dois cruzaram a linha de chegada separados por apenas 0s011 e Barrichello assegurou o vice no Mundial de Pilotos.

“O fim não foi planeado antes da corrida. Estávamos nos divertindo tentando bater os tempos um do outro e tenho de agradecer ao Michael pela vitória e também à equipe por todo o seu apoio ao longo do ano. Na última curva eu não sabia o que fazer, e o Michael foi muito simpático ao nos deixar terminar lado a lado”, disse Rubinho.

GP da Alemanha 2010: Fernando Alonso e Felipe Massa 

Massa teve de abrir caminho para Alonso no GP da Alemanha de 2010 (Foto: Reprodução)

Fernando Alonso lutou até o fim pelo título da temporada 2010, mas estava longe da briga quando a F1 desembarcou na Alemanha. Antes da corrida em Hockenheim, o espanhol era quinto no Mundial de Pilotos com 98 pontos, 47 a menos que o líder Lewis Hamilton.

A Ferrari estava com um bom ritmo, e Alonso partiu de segundo com Massa logo atrás. Na largada, o brasileiro assumiu a ponta e foi seguido por Fernando e Sebastian Vettel.

Na volta 48, após a parada nos boxes, Massa foi informado que Alonso era mais rápido. Isso, na verdade, foi uma forma que a Ferrari encontrou para pedir discretamente a inversão das posições. Afinal, devido ao que aconteceu na Áustria em 2002, as ordens de equipe estavam proibidas na F1.

No giro seguinte Massa abriu caminho para o espanhol assumir a ponta e vencer a corrida.

GP da Malásia 2013: Sebastian Vettel e Mark Webber

O caso do GP da Malásia de 2013, na verdade, se trata de um descumprimento das ordens de equipe. Na classificação, Sebastian Vettel cravou a pole, enquanto Mark Webber foi apenas quinto. 

Webber teve uma largada boa e escalou o pelotão até ocupar a segunda posição, atrás apenas de Vettel. Na volta 5, no entanto, a coisa começou a mudar, pois o alemão foi muito cedo para os boxes trocar os pneus intermediários para os de pista seca. O australiano fez o mesmo movimento, mas dois giros mais tarde.

Vettel descumpriu uma ordem da Red Bull na Malásia em 2013 (Foto Reprodução)

Na parte final da corrida, a Red Bull pediu para que as posições fossem mantidas e, liderando a prova, Webber reduziu o ritmo para poupar os pneus. Vettel, no entanto, ignorou a orientação, realizou a ultrapassagem a dez voltas do fim e venceu o GP da Malásia.

O episódio azedou de vez o ambiente interno da Red Bull e Webber cobrou explicações. Vettel, posteriormente, reconheceu o erro, se desculpou e disse que as posições deveriam ter sido mantidas. Porém, na etapa seguinte, na China, voltou atrás no discurso.

GP da Rússia de 2018: Valtteri Bottas e Lewis Hamilton

A F1 chegou à Rússia em 2018 com Vettel ainda vivo na briga pelo título contra Lewis Hamilton — ainda que a diferença fosse de 40 pontos. Mas o fim de semana foi dominado por Valtteri Bottas, que fez a pole-position e tinha boas chances de vencer.

Mas na volta 25, a Mercedes alegou que Vettel era um risco para Hamilton tanto na corrida quanto no campeonato e pediu para o finlandês abrir passagem. 

Assim, Hamilton apenas administrou a vantagem, comandou a dobradinha da Mercedes e colocou mais dez pontos sobre Vettel na briga pelo título.

GP da Hungria de 2024: Lando Norris e Oscar Piastri

Lando Norris e Oscar Piastri no pódio do GP da Hungria (Foto: F1)

O GP da Hungria de 2024 também foi similar ao que aconteceu na Itália neste ano. Inclusive, foi utilizado como pretexto para Piastri abrir caminho para Norris.

Norris largou da pole na Hungria, mas perdeu a ponta para Piastri na largada. O australiano dominou a corrida praticamente toda, mas foi vítima da estratégia da McLaren que, na segunda parada nos boxes, priorizou o britânico e realizou a troca dos pneus na volta 46.

Oscar só foi chamado para os boxes no giro 48. Porém, quando voltou para a pista, já estava a 3s2 de Norris. Para consertar a bobagem, a McLaren entrou no rádio e pediu para as posições serem invertidas. Lando relutou, mas acatou o pedido quando faltavam três voltas para o fim.

A F1 retorna de 19 a 21 de setembro com o GP do Azerbaijão, 17ª etapa da temporada 2025.

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