Não é segredo para ninguém: a Racing Point tem um dos grandes carros da temporada 2020 da Fórmula 1. Com uma ampla, digamos assim, inspiração na Mercedes – além das unidades de potência da marca da estrela das três pontas -, o time inglês teria tudo para ser uma das grandes forças do campeonato. Teria. Passadas cinco etapas do campeonato, fica a impressão de que o time está entregando menos do que o seu potencial.

O GP dos 70 Anos, que aconteceu ontem (9) em Silverstone, Inglaterra, é bem sintomático desse quadro, diga-se.

Para começar, um dos pilotos titulares nem foi para a pista, pela segunda vez seguida. Sergio Pérez, em um momento de pandemia mundial e no qual todos os cuidados são necessários, desafiou o tal do protocolo e acabou testando positivo para a covid-19 antes do GP da Inglaterra, a quarta etapa do mundial.

Em um campeonato onde o mexicano teria a oportunidade de lutar pelo posto de melhor pela “Fórmula 1B”, Checo deu uma grande mancada – e coloca em cheque o futuro dele na categoria, mesmo tendo contrato para 2021.

Ao substituto de Pérez, Nico Hülkenberg, pesa o fato dele não ter disputado as primeiras etapas da temporada, e por não conhecer (tão) bem o carro – ele pilotou pela última vez para a então Force India em 2016. Para piorar, veio o problema antes da largada na semana passada, no GP da Inglaterra, o que tirou o piloto da corrida.

Nico Hülkenberg tem o desconto de ter voltado à F1 há cerca de dez dias (Foto: Racing Point)

Hulk fez bonito na classificação do GP dos 70 Anos, é verdade. Terceiro tempo, atrás apenas do “modo festa” das Flechas Negras da Mercedes. Porém, após a largada, o alemão foi, aos poucos, perdendo espaço na prova. Por fim, bolhas nos pneus o fizeram realizar uma terceira parada nos boxes – e a fechar o GP em sétimo.

Muito pouco para quem tinha esperanças de pódio.

No caso de Lance Stroll, o canadense cresceu muito entre 2019 e 2020. O piloto vem errando menos e tendo corridas mais consistentes, é verdade, mas também está muito longe de tirar todo o desempenho do RP20. É muito pouco para um carro que é quase que uma Mercedes rosa.

Se eu não soubesse, diria que ele está lá apenas porque é filho do dono.

Com tudo isso, a Racing Point é apenas a quinta no Mundial de Construtores, com 41 pontos. Ok, o time perdeu 15 pontos pela punição da FIA – pela cópia dos dutos de freio da Mercedes W10. Porém, sem isso, a equipe teria 56 pontos, um a mais que a terceira colocada, a Ferrari – que vive uma temporada para esquecer.

O cenário é ainda pior no Mundial de Pilotos. Tantas idas e vindas entre Pérez e Hülkenberg colocou os pilotos, respectivamente, em oitavo e 14º no campeonato. Stroll é sétimo.

A dúvida é: será que um piloto mais rápido, com tempo atrás do volante e empenho, poderia conquistar resultados melhores? É possível que sim.

Vettel, cotado para um lugar na Racing Point em 2021, vem tendo um 2020 para esquecer (Foto: Twitter / Ferrari)

Nem mesmo um dos cotados a substituir Pérez em 2021 parece ter melhor sorte. Sebastian Vettel vem de desempenhos abaixo da média, discutindo com a equipe pelo rádio e mostrando que a motivação ficou em 2019. No GP dos 70 Anos, o alemão foi apenas o 12º na classificação, largando em 11º. Fechou o GP em 12º.

No Mundial de Pilotos, Vettel é apenas 13º – com dez pontos. Enquanto isso, o companheiro dele, Charles Leclerc, foi o quarto na última corrida em Silverstone. No campeonato, também é quarto – salvando a Ferrari de uma decepção ainda maior.

Para 2021, a Racing Point provavelmente terá o nome da tradicional Aston Martin. O time também tem um orçamento razoável e um carro que, se não é o melhor do grid, é uma cópia dele.

Mas, como vimos, não é só isso que faz uma equipe que luta lá na frente. Precisa de mais – o que passa necessariamente pela peça que fica atrás do volante.