A Fórmula 1 vive, em 2025, uma temporada em que a McLaren voltou a ocupar o papel de protagonista absoluta. Lando Norris e Oscar Piastri têm imposto um domínio raro de se ver na categoria, acumulando vitórias com autoridade e deixando rivais como Ferrari, Mercedes e Red Bull à margem da luta pelos títulos. O nível de supremacia exibido pela dupla, até aqui, remete a capítulos históricos que pareciam inalcançáveis desde a lendária era Ayrton Senna–Alain Prost no fim dos anos 1980.

O desempenho arrasador deste ano fez reacender memórias de outras campanhas marcantes. Em diferentes épocas, a McLaren já escreveu temporadas que entraram para o imaginário da F1 não apenas por números expressivos e títulos, mas também por duelos intensos, polêmicas e até fracassos retumbantes.

Neste especial, o GRANDE PREMIUM reuniu as dez temporadas mais vitoriosas da história da McLaren na F1, listando ano a ano as campanhas em que a equipe somou mais triunfos, com breve contexto de cada período. Confira!

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A McLaren dominou a temporada 1988, e Ayrton Senna conquistou seu primeiro título na F1 (Foto: Reprodução)

1988

Ayrton Senna. Alain Prost. MP4/4. Símbolos de uma das temporadas mais dominantes da história da Fórmula 1. Em 1988, a McLaren foi dona do campeonato e venceu simplesmente 15 das 16 corridas. O único triunfo que escapou foi na Itália, quando Gerhard Berger aproveitou o abandono da dupla para levar a Ferrari ao topo do pódio em casa — Prost teve problemas no motor e Senna se envolveu em um toque com o retardatário Jean-Louis Schlesser, mas oficialmente terminou em 11º pois completou 90% das voltas. Por mais de três décadas, foi o maior domínio da história, perdendo a marca apenas para a Red Bull, em 2023. Ano especial para McLaren e brasileiros, que viram Ayrton sagrar-se campeão mundial pela primeira vez.
Corridas: 16
Vitórias: 15
Aproveitamento: 93,75%
Mundial de Pilotos: Campeão (Ayrton Senna) e vice-campeão (Alain Prost)
Mundial de Construtores: Campeã

1984

Duas lendas, uma em ascensão e outra nos momentos finais da carreira. Em um domínio que não se via desde os primórdios da F1, Niki Lauda e Alain Prost protagonizaram a disputa de título mais apertada de todos os tempos: apenas 0,5 ponto dividiu os dois. A diferença decimal — e até a decisão do título — se deu pelo encerramento antecipado do GP de Mônaco, que teve apenas 31 voltas disputadas devido à forte chuva no principado. Prost anotou 4,5 pontos, metade do distribuído ao vencedor na época e, por isso, amargou o vice-campeonato após a McLaren levar 12 das 16 provas do ano.
Corridas: 16
Vitórias: 12
Aproveitamento: 75%
Mundial de Pilotos: Campeão (Niki Lauda) e vice-campeão (Alain Prost)
Mundial de Construtores: Campeã

2025*

A temporada 2025 está na metade, mas Lando Norris e Oscar Piastri já venceram 11 das 14 corridas disputadas até aqui. Com mais dez provas pela frente, esse deverá ser o campeonato com mais vitórias da história da equipe papaia — a menos que uma tragédia inimaginável aconteça. Como não podia ser diferente, o Mundial de Pilotos tende a ficar com Norris ou Piastri. E a política de liberar a disputa entre ambos deve garantir emoção até a última etapa do calendário.
Corridas: 14
Vitórias: 11
Aproveitamento: 78,57%
Mundial de Pilotos: Líder (Oscar Piastri) e vice-líder (Lando Norris)
Mundial de Construtores: Líder
*até o momento

A McLaren domina a temporada 2025 da F1 até aqui (Foto: McLaren)

1989

A temporada 1989 foi quase uma continuação do campeonato anterior. Apesar de não manter o mesmo patamar de domínio, a McLaren levou 10 das 16 corridas do ano e a briga pelo título foi, novamente, monopolizada por Senna e Prost. Desta vez, o francês levou a melhor e faturou o terceiro título da carreira após o polêmico GP do Japão, quando abandonou após forçar uma batida com o brasileiro, que voltou a pista, mas foi desclassificado.
Corridas: 16
Vitórias: 10
Aproveitamento: 62,50%
Mundial de Pilotos: Campeão (Alain Prost) e vice-campeão (Ayrton Senna)
Mundial de Construtores: Campeã

2005

Um ano de muitos altos e baixos. A McLaren tinha um carro extremamente rápido, comprovado pelas dez vitórias de Kimi Räikkönen (6) e Juan Pablo Montoya (4), mas sofreu com muitos problemas técnicos. O finlandês abandonou três provas enquanto liderava — em Ímola, Nürburgring e Hockenheim. Melhor para Fernando Alonso e Renault, que levaram os Mundiais de Pilotos e Construtores. Até hoje, é a equipe com mais vitórias a fechar o ano sem conquistar, pelo menos, um dos dois títulos.
Corridas: 19
Vitórias: 10
Aproveitamento: 52,63%
Mundial de Pilotos: Vice-campeão (Kimi Räikkönen) e 4º colocado (Juan Pablo Montoya)
Mundial de Construtores: Vice-campeã

1998

Em anos com mudanças no regulamento técnico, quem tem Adrian Newey tende a pular na frente — e assim foi com a McLaren em 1998. Com a reintrodução dos pneus com sulcos e redução na diferença entre eixos, o MP4/13 começou dominante. As quatro vitórias nas primeiras seis corridas — além de um segundo lugar — colocaram Mika Häkkinen e o time de Woking em forte posição para conquistar os Mundiais de Pilotos e Construtores pela primeira vez desde a ‘Era Senna’. Michael Schumacher e Ferrari ainda ensaiaram uma reação no meio do campeonato, mas as vitórias nas últimas duas provas do calendário garantiram as conquistas a Käkkinen e McLaren.
Corridas: 16
Vitórias: 9
Aproveitamento: 56,25%
Mundial de Pilotos: Campeão (Mika Häkkinen) e 3º colocado (David Coulthard)
Mundial de Construtores: Campeã

Mika Häkkinen levou o Mundial de Pilotos em 1998 (Foto: Reprodução)

1991

Carro rápido, lenda no auge e rival oscilante: uma combinação que não podia ter outro resultado que não fosse título. Senna e McLaren tiveram Nigel Mansell e Williams como rivais em 1991. Mas as quatro vitórias no início do ano, aliadas aos três abandonos iniciais do britânico — além de mais três de Riccardo Patrese —, colocaram o brasileiro e o time de Woking em posição de administrar o campeonato. O ‘Leão’ ainda emendou uma sequência de quatro vitórias em seis provas no segundo terço da disputa, mas o abandono em Suzuka foi o ponto final na disputa que deu o tricampeonato a Ayrton — que, além de fechar o ano com sete vitórias, ainda tirou o pé para dar ao amigo e companheiro Gerhard Berger o primeiro triunfo pela equipe.
Corridas: 16
Vitórias: 8
Aproveitamento: 50%
Mundial de Pilotos: Campeão (Ayrton Senna) e 4º colocado (Gerhard Berger)
Mundial de Construtores: Campeã

2007

O ano que tinha tudo para ser brilhante, mas que acabou em melancolia. A McLaren entrou em 2007 com uma nova dupla formada pelo então bicampeão reinante Fernando Alonso e o novato estrela Lewis Hamilton. Com um carro que manteve a velocidade e corrigiu os problemas de confiabilidade dos modelos anteriores, o time de Woking chegou forte para bater de frente com uma Ferrari repaginada após a aposentadoria de Michael Schumacher, tendo Felipe Massa e Kimi Räikkönen nos cockpits. A disputa na pista entregou tudo o que prometeu, com o Mundial de Pilotos sendo decidido na última prova do ano, em Interlagos, por apenas um ponto. Mas, para tristeza dos britânicos, a temporada ficou marcada pelo caso de espionagem à rival italiana, que resultou na desclassificação no Mundial de Construtores, e pela guerra interna entre Alonso e Hamilton, que jogou o título no colo de Räikkönen.
Corridas: 17
Vitórias: 8
Aproveitamento: 47,06%
Mundial de Pilotos: Vice-campeão (Lewis Hamilton) e 3º colocado (Fernando Alonso)
Mundial de Construtores: Excluída

1999

Na esteira do título no ano anterior, a McLaren entrou em 1999 como grande favorita pelo bicampeonato, mas os 12 abandonos combinados entre Mika Häkkinen e David Coulthard abriram brecha para a Ferrari superar os britânicos e encerrar uma seca no Mundial de Construtores que durava desde 1983. Apesar disso, as cinco vitórias de Häkkinen foram o suficiente para garantir o Mundial de Pilotos no Japão por apenas dois pontos sobre Eddie Irvine, que assumiu a liderança dos italianos após Michael Schumacher quebrar a perna em um acidente em Silverstone.
Corridas: 16
Vitórias: 7
Aproveitamento: 43,75%
Mundial de Pilotos: Campeão (Mika Häkkinen) e 4° colocado (David Coulthard)
Mundial de Construtores: 2ª colocada

2000

O sonho do tricampeonato de Mika Häkkinen esbarrou em um brilhante Michael Schumacher e nos crônicos problemas de confiabilidade da McLaren. As sete vitórias e pole-positions entre o finlandês e David Coulthard provam a velocidade do MP4/15, mas os abandonos nas duas primeiras provas do ano deixaram Häkkinen com a difícil missão de perseguir o alemão — que só não subiu ao pódio em uma prova que recebeu a bandeira quadriculada no ano inteiro —, que se tornou impossível após a quebra de motor nos Estados Unidos, na antepenúltima prova do campeonato.
Corridas: 17
Vitórias: 7
Aproveitamento: 41,18%
Mundial de Pilotos: Vice-campeão (Mika Häkkinen) e 3º colocado (David Coulthard)
Mundial de Construtores: vice-campeã

A Fórmula 1 volta às pistas após o recesso de verão, entre os dias 29 e 31 de agosto, para o GP dos Países Baixos, em Zandvoort.

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