O GP de Detroit da Indy foi uma das gratas surpresas da temporada. Da expectativa de uma corrida ruim, vimos um ótimo espetáculo para os fãs, graças ao modo “raiz” que a direção de prova adotou neste fim de semana.
Mas, além da volta às origens da Indy, vimos um Josef Newgarden de “boca solta”, ironizando um repórter após ser questionado inúmeras vezes sobre as dores e a possibilidade de não ter corrido em Detroit em decorrência do forte acidente em Indianápolis. Estaria o norte-americano com os dias contados na Penske?
Com Caio Collet precisando confirmar os bons desempenhos com resultados, executivos da Stellantis visitando a Indy e mais um passeio da Honda na casa da Chevrolet, confira as 5 coisas que aprendemos no GP de Detroit:
Receita de sucesso
Costumo dizer que a Indy não precisa inventar dispositivos ou formatos para ter boas corridas. Tradicionalmente, o equilíbrio cerca a categoria, mesmo quando Álex Palou enfileira vitórias. Ainda são raras as atuações em que o espanhol abre uma vantagem enorme e não precisa rebolar para vencer. É mais mérito dele e da Ganassi do que propriamente de um carro ou motor superior, ainda mais em uma categoria que utiliza o mesmo chassi para todos e propulsores equivalentes entre os competidores.
Mas voltar a acionar a bandeira amarela imediatamente e permitir algum nível de contato entre os carros, como era nos tempos áureos da CART, contribuiu imensamente para uma grande corrida no GP de Detroit, sem que parecesse artificial demais.

A Indy sempre foi assim: carro parado ou rodado na pista significava bandeira amarela em todo o circuito e safety-car na pista. Nas últimas temporadas, a direção de prova optou por esperar, por exemplo, janelas de pit-stop, buscando não interferir no lado esportivo, mas pecando pela segurança, com disputas acontecendo enquanto alguns pilotos permaneciam parados na pista. Foi o caso de Alexander Rossi no misto de Indianápolis, episódio que serviu como estopim para a mudança.
Claro que a escolha da pista foi feita de caso pensado, mas as ultrapassagens em Detroit vieram acompanhadas de toques na maioria das vezes, consequência de um traçado estreito. A comissão de arbitragem julgou mais as consequências do que as ações em si, punindo quem gerou danos aos adversários. É uma linha que pode ser perigosa lá na frente, mas, olhando apenas para o espetáculo, permitiu uma ótima corrida.
Batata de Newgarden assando?
Josef Newgarden encerrou o GP de Detroit na décima colocação, resultado comemorado pelo fato de ele ter corrido com uma bota imobilizadora e sofrido com as sequelas do forte acidente em Indianápolis. O norte-americano exaltou a equipe e lamentou as dores, que impediram um resultado melhor e condizente com o “ótimo carro” que tinha em mãos.

Isso desencadeou uma série de perguntas sobre o nível das dores e a possibilidade de não ter competido. No fim da entrevista, ainda no pit-lane, Newgarden, com boa dose de ironia, disparou:
“Havia uma chance [de eu não correr]. Esta é a equipe deles, não a minha. Se quisessem que eu não corresse, eu teria aceitado numa boa. Se quisessem otimizar as chances de vitória, colocariam alguém no carro, colocariam o Felipe [Nasr]. Estou dividido, porque adoraria ver o Felipe pilotando esse carro”, encerrou.
O discurso aumentou os rumores em torno da continuidade de Newgarden na Penske, visto que o contrato entre as partes se encerra no fim da temporada. Neste ano, Felipe Nasr, piloto da equipe no IMSA SportsCar, tem deixado clara a intenção de correr na Indy em breve e surge como candidato à vaga.
Desempenho melhor que resultados. Hora de confirmar

Quem acompanha o desempenho de Caio Collet na temporada de 2026 percebe que o brasileiro tem pilotado muito mais do que a 22ª colocação no campeonato sugere. Boa parte dessa discrepância passa pelas dores de crescimento de um novato, mas a Indy se aproxima da metade da temporada e o representante da Foyt precisa de pontos para confirmar as boas performances.
Em Detroit, o próprio Collet admitiu que teve um fim de semana complicado, cercado por problemas no carro #4, decisões equivocadas nos pit-stops e bandeiras amarelas em momentos inoportunos. Por isso, o 16º lugar foi visto como positivo diante desse contexto.
Mas Collet começa a ver Dennis Hauger, da Dale Coyne, abrir uma vantagem preocupante na disputa pelo título de Novato do Ano. O norueguês soma 128 pontos, 38 a mais que o brasileiro. Pode parecer pouco, mas é preciso lembrar que ambos não dispõem de equipamentos para frequentar o pelotão da frente, onde está a maior fatia da pontuação. Assim, a disputa direta tende a ser mais apertada, exigindo uma reação rápida do piloto da Foyt.
Dinheiro e negócios como parte do show. Vem aí a terceira montadora?

Apesar da ótima corrida no fim de semana, a Indy deixa Detroit com questionamentos sobre o traçado urbano adotado no centro da cidade. A escolha passa pelo investimento da Chevrolet, que detém os naming rights da prova, e também pela relevância do mercado automotivo local, já que grandes montadoras possuem escritórios na cidade de Michigan.
Nesse aspecto, a Indy acertou em cheio em 2026. Executivos da Stellantis, grupo que controla marcas como Fiat, Ram, Chrysler, Dodge, Peugeot, Alfa Romeo e Maserati, estiveram no paddock do GP de Detroit, fato confirmado por Michael Montri, vice-presidente de comunicação da categoria.
Todos sabem que a Indy busca uma terceira montadora — uma promessa de Roger Penske desde que comprou a categoria, em 2020 — e a proximidade com esses executivos pode contribuir para o sucesso dessa empreitada.
Casa da… Honda?

A mudança de Belle Isle para o centro de Detroit teve forte influência da Chevrolet, que investiu pesado no projeto. Como pano de fundo para a corrida está o prédio que abriga os escritórios da marca, com um enorme logotipo aparecendo constantemente nas transmissões.
No entanto, em quatro edições disputadas até aqui, a Honda venceu todas. Em 2023, Álex Palou triunfou, enquanto Will Power e Felix Rosenqvist, então na Penske e na McLaren, salvaram a honra da Chevrolet com presenças no pódio. Em 2024, Scott Dixon, Marcus Ericsson e Marcus Armstrong garantiram um pódio totalmente Honda. Em 2025, Kyle Kirkwood venceu, e apenas Santino Ferrucci, em segundo, representou a Chevrolet no top-3, já que Colton Herta completou o pódio. Em 2026, Palou, Kirkwood e Graham Rahal deixaram a montadora americana fora do pódio novamente.
Para completar o vexame em casa, a Chevrolet ainda precisou trocar motores de alguns carros por problemas mecânicos. O trio da McLaren, a dupla da Juncos, Josef Newgarden e David Malukas receberam novos propulsores ao longo do fim de semana.
A Indy retorna no próximo fim de semana, entre os dias 6 e 7 de junho, para o GP de Gateway, o terceiro oval da temporada. A largada está marcada para domingo (7), às 22h (de Brasília, GMT-3).
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