No início da temporada de 2025, uma pergunta ecoou na coletiva de imprensa do GP de St. Pete, a primeira etapa da Indy naquele ano: “O que fazer para parar Álex Palou?”. O questionamento causou irritação em Scott Dixon e Josef Newgarden, que terminaram em segundo e terceiro, respectivamente, disputando com o espanhol até o fim daquela prova. Na época, o piloto da Penske ironizou Bob Pockrass, o repórter responsável pela pergunta, dizendo que aquela era a primeira corrida dele cobrindo a categoria. Mas o que se viu desde então foi um domínio absurdo do espanhol, que criou um verdadeiro elefante na sala da Indy.

A categoria sempre foi conhecida pelo equilíbrio e pela enorme variedade de vencedores ao longo das temporadas, mas o tal do Palou resolveu quebrar essa escrita depois que foi para a Ganassi. E, antes que alguém possa argumentar que a Indy viveu uma era dominada por Scott Dixon e seus seis títulos, é preciso lembrar que o neozelandês precisou de 17 anos para conquistá-los, sem nunca ter vencido dois campeonatos consecutivos.

O domínio de Palou é absurdo e constrangedor — por isso o elefante na sala, pois ninguém sabe o que fazer para encerrar esse período de glórias do #10. Em seis anos por uma equipe de ponta, tendo disputado apenas sete campeonatos, o espanhol vai conquistar o quinto título — só não será campeão se algo muito fora da curva acontecer. Se estiver apto a entrar na pista nas cinco etapas que faltam, será campeão. Com 110 pontos de vantagem, o espanhol tem duas corridas de vantagem para Kyle Kirkwood, sem contar os cinco pontos que soma a cada vez que larga.

A única chance de alguém superar Palou neste ano é ter dias de Palou — o que não vai acontecer, pois apenas Palou é Palou no grid da Indy. Parece óbvio dizer isso, mas não há ninguém que saiba lidar com o IR-18 e jogar o jogo da categoria como o espanhol.

O GP de Portland foi mais uma prova disso. Uma corrida que foi ainda mais modorrenta pela forma como Palou atuou, deixando claro que venceria a prova a qualquer momento, até mesmo quando não era o líder no primeiro stint. Mais uma vez, apenas cercou os líderes, poupou pneus e combustível para dar uma volta muito rápida e voltar na frente. Depois disso, o sexto triunfo do ano não foi ameaçado — um enredo muito parecido com o que tem acontecido nas vitórias mais recentes.

Álex Palou (Foto: IndyCar)

Vai soar repetitivo, mas os recordes da Indy parecem ser apenas questão de tempo para serem batidos. Palou vai se tornar o terceiro maior campeão da categoria e já está próximo de entrar no top-10 em número de vitórias em um campeonato que reúne estatísticas desde 1909 — e tudo isso com apenas sete anos de carreira na modalidade.

Com um novo carro vindo aí, talvez venha também o freio a Palou. Mas nem nisso dá para ficar otimista. Na última grande mudança da Indy, com a introdução dos componentes híbridos durante a temporada de 2024, o espanhol foi campeão graças às vitórias conquistadas no período em que os carros ainda utilizavam apenas o motor a combustão, já que a Ganassi não venceu mais naquele ano. Ainda assim, a equipe precisou de apenas seis meses para se reencontrar e fazer com que o tetracampeão — quase penta — voltasse a dominar a categoria.