A temporada 2028 da Indy promete marcar uma nova era na categoria. Além da estreia de um novo carro, a unidade de potência também será inédita. Pelo que foi anunciado até aqui, o motor não será revolucionário, mas representa um aceno direto à Honda, visando sua permanência no campeonato, e um sinal claro ao mercado para atrair novas montadoras.
A partir de 2028, a Indy utilizará um motor V6 biturbo de 2,4 l, que carrega forte familiaridade tecnológica com os atuais V6 turbo de 2,2 l. Ambos utilizam injeção direta de combustível de alta pressão, e a nova unidade de potência será, na prática, uma evolução do conceito atual, com maior participação do sistema de recuperação de energia.
O objetivo da categoria é tornar esses motores mais potentes. A meta inicial prevê 800 cv provenientes do motor a combustão, somados a 100 cv do sistema elétrico, totalizando 900 cv. Com a evolução dos conjuntos, a expectativa é que esse número possa chegar a 950 cv em meados da década de 2030.
Segundo a revista norte-americana Racer, também está em estudo o aumento da pressão do turbo em circuitos mistos, de rua e ovais curtos, passando de 1,5 bar (21,76 psi) para 1,6 bar (23,2 psi).

Apesar de representar uma evolução mais robusta em relação à atual unidade de potência, o intuito da Indy é que o novo motor seja mais simples e menos oneroso, criando um ambiente mais atrativo para a entrada de novas montadoras. Os custos, aliás, têm sido motivo de insatisfação da Honda nos últimos anos, a ponto de a marca japonesa colocar em dúvida sua continuidade na categoria — o contrato com a Indy vence no fim de 2026. Assim como a Chevrolet, a Honda tem operado no prejuízo nas últimas temporadas.
É importante frisar que a escolha pelo V6 biturbo 2.4 l é, antes de tudo, uma sinalização estratégica à Honda. Trata-se da mesma especificação que os japoneses usam no Acura ARX-06, que disputa a classe GTP do IMSA SportsCar, projeto que chegou a ser cogitado para a Indy no passado, mas acabou descartado após conversas entre a categoria e as montadoras.
O plano da Indy é que o novo motor seja compacto, robusto, conhecido e financeiramente sustentável para garantir a permanência de Honda e Chevrolet e, ao mesmo tempo, despertar o interesse de novos fabricantes. A categoria tem ouvido o mercado e entende que o desejo das montadoras passa por conter a cilindrada, evitar uma escalada descontrolada de custos e reforçar o papel da eletrificação.
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Para isso, quatro medidas principais estão em estudo para evitar que os custos tornem a Indy inviável para os fabricantes: homologações mais rígidas, limitando quando componentes podem ser redesenhados; possível adoção de algumas peças em comum; uso de sensores de torque para monitorar o desempenho real dos motores; e aplicar o Balanço de Performance (BoP) nos motores, com foco em reduzir gastos excessivos em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D).
De acordo com a Racer, essas iniciativas têm recebido feedback positivo das montadoras. Em vez das fabricantes investirem milhões para recuperar uma eventual desvantagem técnica, a Indy poderia conceder ajustes pontuais, como na pressão do turbo. O objetivo é preservar a competitividade, reduzir custos e tornar a categoria mais atrativa e rentável para os fabricantes.
A temporada 2026 da Indy tem início no dia 1 de março, com o GP de St. Pete, no circuito de rua montado na cidade localizada na Flórida.