A Indy retorna a Phoenix neste fim de semana como novidade para a maioria dos pilotos do grid atual — e com um ingrediente histórico em jogo: o recorde de Helio Castroneves, que segue como a volta mais rápida já registrada no oval. Após oito anos de ausência, a etapa no deserto do Arizona reaparece no calendário em um cenário bastante diferente. Exatos 80% do grid nunca disputou uma corrida oficial no traçado, o que transforma o fim de semana em território praticamente inédito para a maioria. Ainda que a categoria tenha promovido testes preparatórios, a falta de dados recentes de corrida adiciona um elemento extra de imprevisibilidade.

É justamente nesse contexto que o nome de Castroneves volta ao centro das atenções, mesmo estando agora do outro lado do pit-lane, como sócio da Meyer Shank. Na classificação de 2017, o brasileiro cravou 18s870 — marca que resistiu ao tempo e que, pelos números apresentados nos testes mais recentes, dificilmente será ameaçada. A volta mais rápida dos ensaios de 2026 foi 20s625, com Alexander Rossi — quase 1s8 de diferença. A margem parece improvável de ser eliminada tanto na definição do grid quanto na corrida, marcada para as 17h (de Brasília, GMT-3), 13h locais, o que indica grandes chances de a prova ser disputada sob altas temperaturas no circuito montado em meio ao deserto do Arizona.

Para não dizer que a Indy mergulha no escuro em Phoenix, a categoria realizou dois dias de testes em 17 e 18 de fevereiro, justamente para que as equipes pudessem se preparar para esta sexta-feira (6), dia dos treinos, e sábado (7), quando está agendada a corrida. As lideranças ficaram com David Malukas, reforço da Penske, e com o próprio Rossi, da Carpenter, respectivamente.

Apesar dos dados colhidos durante os dois dias de testes, as informações de corrida são poucas e antigas. O Dallara IR-18, atual carro da Indy, foi utilizado apenas na última vez em que a categoria esteve em Phoenix, em 2018. Antes disso, o modelo era o DW-12, que, embora seja a base do atual, passou por remodelações que alteraram seu comportamento na pista. Naquela ocasião, a vitória ficou com Josef Newgarden, que defendia o título pela Penske.

Alexander Rossi durante testes em Phoenix (Foto: IndyCar)

Newgarden superou Robert Wickens, que fazia sua temporada de estreia na Indy pela Schmidt Peterson — equipe posteriormente adquirida pela McLaren — e Rossi, então piloto da Andretti. Entre os brasileiros, Tony Kanaan foi o oitavo, pela Foyt; Matheus Leist terminou em 19º, também pela Foyt; enquanto Pietro Fittipaldi abandonou após bater com a Dale Coyne. Aquele foi, ainda, o primeiro ano em que Castroneves não competiu mais em tempo integral pela Penske.

Além de Newgarden, apenas Scott Dixon venceu na pista em que a Indy voltará a correr — levou a vitória em 2016. Entre os que já competiram em Phoenix, Rossi, Graham Rahal e Will Power somam-se aos vencedores, enquanto os demais 20 pilotos do grid tiveram apenas a vivência do teste de fevereiro.

Ao todo, a Indy realizou 64 corridas em Phoenix. A.J. Foyt, em 1964, venceu a primeira edição, enquanto Al Unser, com seis triunfos, é o maior vencedor. Nessa lista, constam ainda Emerson Fittipaldi (1994), Castroneves (2002) e Kanaan (2003 e 2004) como os brasileiros que conquistaram etapas da categoria no circuito. Vencer por lá, entretanto, nem sempre é sinônimo de título: apenas em 11 oportunidades o ganhador da etapa terminou o ano campeão — Kanaan, em 2004, é um exemplo.

Mais pontos a se observar na Indy em Phoenix:

Álex Palou (Foto: Indycar)

Já são 662 dias consecutivos em que Álex Palou lidera a Indy — desde 11 de maio de 2024. A vantagem sobre Scott McLaughlin é de 11 pontos, diferença administrável diante de uma corrida nova para o espanhol nesse contexto. Vale lembrar, porém, que o tetracampeão não costuma sofrer nesse tipo de traçado, especialmente em ovais curtos, onde venceu em Iowa e dominou a corrida em Milwaukee, em 2025, sendo superado apenas no fim por um destemido Christian Rasmussen, que se valeu de pneus novos. Assim, Palou surge como um dos candidatos à vitória — triunfo que teria sabor especial, já que o espanhol completará 100 corridas na categoria e busca a 21ª conquista na carreira.

Com 250 voltas pela frente, Newgarden pode tomar de Dario Franchitti o posto de nono piloto que mais liderou voltas na história da Indy. O piloto da Penske precisa liderar 66 giros para superar o tetracampeão.

Já os estreantes da temporada — Caio Collet, Mick Schumacher e Dennis Hauger — disputarão pela primeira vez um circuito oval na categoria.

A Indy volta nos próximos dia 6 e 7 de março — sexta-feira e sábado — com o GP de Phoenix, no oval de 1 milha do Phoenix Internacional Raceway, localizado em Avondale, no Arizona.

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