Marcus Ericsson sobreviveu ao caos e venceu o GP de Markham deste domingo (16). O sueco, que apresentou um forte ritmo com a Andretti ao longo da corrida, superou Romain Grosjean faltando cinco voltas para o final e encerrou um jejum de mais de três anos sem vitória na Indy.
A chave da vitória de Ericsson se deu pelo ritmo do próprio sueco. Na última bandeira amarela, a Andretti optou por deixar o sueco na pista e chamar Will Power aos boxes — acompanhando diversos outros pilotos. Depois da relargada, o #28 fez voltas em ritmo de classificação e abriu mais de 14s de vantagem para Grosjean, que era o segundo.
Ericsson voltou à pista em quinto, mas perdeu posições para Rinus VeeKay e o próprio Power enquanto deixava os pneus em condições ideais, com 21 voltas para o fim. O ex-piloto da Ganassi trabalhou junto do australiano para escalar o grid até que ambos eram o terceiro e quarto, respectivamente, quando o #28 mergulhou no hairpin e assumiu o posto — causando reclamação do bicampeão da Indy.
Com Palou pela frente, Ericsson logo chegou no espanhol e não perdeu muito tempo para fazer a ultrapassagem, o que deu margem para se aproximar do então líder Grosjean. Enquanto o francês vinha poupando combustível, o sueco não precisou economizar e logo fazer a ultrapassagem que rendeu a vitória.
Power completou o pódio, mas precisou suar para segurar Palou, terminando 0s186 à frente do quase pentacampeão, que ampliou ainda mais a vantagem no campeonato com os problemas que David Malukas teve no fim e finalizou em 17º, enquanto Kyle Kirkwood bateu sozinho e abandonou.

Pato O’Ward pode não ter sido protagonista na corrida, mas conseguiu superar as dificuldades com a McLaren e terminar em quinto depois de largar em 23º. O mexicano completou à frente de Christian Lundgaard.
Rinus VeeKay, da Juncos, fechou a prova em sétimo, à frente de Scott McLaughlin. O piloto da Penske andou boa parte do GP de Markham na frente, mas não sucumbiu à estratégia de poupar combustível e terminou em oitavo. Graham Rahal, da RLL, e Santino Ferrucci, da Foyt, concluíram o top-10.
Caio Collet voltou a ter azar em Markham. O piloto do #4 largou em 19° por conta das diversas punições aos pilotos que trocaram o motor e, logo após a bandeira verde tocou duas vezes em Felix Rosenqvist, o que danificou a suspensão traseira esquerda. A Foyt conseguiu reparar o carro e devolvê-lo à pista, mas com 18 voltas de atraso. Aproveitando o caos no circuito de rua, o brasileiro ainda conseguiu salvar a 19ª colocação.

A Indy volta no próximo fim de semana, entre os dias 22 e 23 de agosto, com o GP de Washington, em um circuito de rua montado nas cercanias do Capitólio.
Como foi o GP de Markham da Indy
A bandeira verde foi acionada às 13h25 (de Brasília, GMT -3), com a largada na reta logo após o hairpin. Louis Foster pulou muito bem na frente, enquanto Caio Collet recebeu um toque e precisou entrar nos boxes ainda na primeira volta com problemas — a quebra do toe link. Destaque para Kyle Kirkwood e Pato O’Ward, que ganharam cinco posições na largada.
Foster logo abriu mais de 2s para Christian Lundgaard, com quatro voltas de prova. Com pneus duros, Scott McLaughlin seguia em terceiro, à frente de Marcus Ericsson, Dennis Hauger, Rinus VeeKay, Scott Dixon, David Malukas, Mick Schumacher e Graham Rahal, que completava o top-10. Álex Palou continuava na 11ª posição.
Na sexta volta, Felix Rosenqvist foi o primeiro a ir para os boxes, deixando os pneus duros para colocar os macios. Entretanto, a parada aconteceu por causa de um furo no pneu, e não apenas por uma questão estratégica.
O início de prova no estreito circuito teve um ritmo morno, sem muitas tentativas de ultrapassagem. Na volta 8, Christian Rasmussen também realizou sua parada nos boxes, enquanto a maior movimentação acontecia atrás de Hauger, que segurava um enorme pelotão na quinta posição. Ericsson, em quarto, já tinha 7s de vantagem.

Foster começou a perder um pouco da vantagem a partir da volta 11, quando viu Lundgaard reduzir a diferença para 1s4. Na sequência, o rádio da RLL surgiu na transmissão com o pedido para o britânico administrar o ritmo.
VeeKay fez sua parada na volta 12, um pouco depois de Josef Newgarden, que estava mais atrás. Na volta seguinte, O’Ward e Marcus Armstrong foram aos boxes, com Nolan Siegel e Sting Ray Robb parando no giro 14.
A primeira bandeira amarela surgiu na 15ª volta. Mick Schumacher errou a freada e bateu forte no muro da curva 4.
Com os boxes abertos, Foster, McLaughlin, Ericsson, Hauger, Dixon, Malukas, Palou, Rossi, Simpson, Kirkwood e Power ficaram na pista. Entre os que pararam, VeeKay, Rasmussen e Robb vinham na sequência.
A bandeira verde voltou a ser acionada na abertura da volta 19, com Foster mantendo a liderança. Palou aproveitou a relargada para ultrapassar Malukas e subir para a quinta posição após Hauger errar no hairpin. O norueguês perdeu bastante desempenho e passou a ser ultrapassado por diversos carros, inclusive após um toque com Rasmussen.
A corrida se agitou com isso, com destaque para Kirkwood e Rasmussen, que subiram para sétimo e décimo, respectivamente, enquanto VeeKay e Hauger foram na direção contrária, caindo para 17º e 20º. Rosenqvist voltou aos boxes e por lá ficou. Já sem muitas pretensões, Collet retornou à pista, com 18 voltas de desvantagem.
Malukas foi aos boxes na volta 22, no mesmo momento em que Kirkwood fez nova ultrapassagem e superou Rossi. Com isso, o top-10 ficou da seguinte forma: Foster, McLaughlin, Ericsson, Dixon, Palou, Kirkwood, Rossi, Siegel, que já havia feito a parada, Power e Rasmussen.
Foster abriu 2s de vantagem para McLaughlin na 25ª volta, com o detalhe de que o britânico estava com pneus macios, enquanto o neozelandês utilizava os duros. O piloto da Penske tinha trabalho para segurar Ericsson, que vinha com ritmo aparentemente melhor logo atrás.
Palou entrou nos boxes no fim da volta 26 e colocou um novo jogo de pneus macios. Newgarden foi para a segunda parada na sequência. Assim que o espanhol foi aos pits, alguns adversários fizeram as voltas mais rápidas da pista, como Dixon, Kirkwood e Rossi.
McLaughlin surpreendeu e parou antes de Foster e Ericsson, que estavam com pneus macios, na volta 29. Ericsson, Rossi, Power e Hauger pararam no giro 31, quando a bandeira amarela deu as caras novamente. Um toque com Robb fez Armstrong rodar na saída do hairpin e ficar atravessado na pista, causando uma confusão no grid, com carros ultrapassando outros e quase ocasionando um acidente com o safety-car quando este tentou deixar o local. O neozelandês tomou um stop & go por não ter respeitado a fiscalização de permanecer parado quando os pilotos chegavam.
Foster, Dixon e Kirkwood, enfim, foram aos boxes. Com isso, Siegel assumiu a liderança, com Grosjean, Ericsson, Robb, Rahal, McLaughlin, Power, Palou, Rossi e Hauger entre os dez primeiros.
A bandeira verde apareceu na volta 36, com Rahal mergulhando para cima de Robb. McLaughlin começou a perder posições para Power e Palou, em meio ao caos no hairpin, com o neozelandês tocando no piloto da Andretti. Siegel e Grosjean abriram vantagem na frente, mas a bandeira amarela surgiu novamente. Dixon recebeu um toque de Hauger, rodou na curva 10 e acertou Rasmussen.
Newgarden aproveitou a bandeira amarela para realizar o terceiro pit-stop. Simpson e Dixon também foram aos boxes. Na volta 39, a Juncos chamou Robb para uma nova parada. Naquele instante, Siegel, Grosjean, Ericsson, Rahal, Power, Palou, Rossi, Foster, O’Ward e McLaughlin formavam os dez primeiros.
A bandeira verde voltou na abertura da volta 41, com Palou arriscando para cima de Power, mas sem conseguir a ultrapassagem. No hairpin, Grosjean aproveitou para ultrapassar Siegel, assim como Foster passou o espanhol por fora. Na sequência, o #10 foi perdendo rendimento e caiu para nono.
Foster seguiu sua progressão, ultrapassando Rahal e Power, mas recebeu um toque do companheiro de equipe e gerou um congestionamento logo atrás, que ocasionou um forte contato entre VeeKay e Palou. No entanto, o avanço do britânico parou no muro da curva 3, na volta 43. Ao tentar superar Ericsson, o #45 passou reto e bateu forte.
Siegel e Rahal aproveitaram para fazer nova parada, deixando o top-10 da seguinte forma na volta 46: Grosjean, Ericsson, Power, Kirkwood, Lundgaard, O’Ward, Rossi, Palou, McLaughlin e Malukas.
A abertura da volta 51 veio com a bandeira verde, com Grosjean segurando o trio da Andretti. Palou tentou uma ultrapassagem no hairpin, mas não conseguiu superar Rossi e caiu para nono depois de perder a posição para McLaughlin. O #20 da Carpenter teve um furo no pneu após um contato e precisou ir aos boxes.
Grosjean foi aos boxes no fim da volta 53, com o indicativo de última parada, deixando a liderança nas mãos de Ericsson. Assim que o francês deixava os boxes, Kirkwood bateu forte no muro e trouxe a bandeira amarela mais uma vez.
A entrada do safety-car embaralhou novamente as estratégias, com alguns pilotos indo aos boxes, como McLaughlin e Malukas. Com isso, o top-10 ficou com Ericsson, Power, Lundgaard, O’Ward, Ferrucci, Robb, Grosjean, Newgarden, Siegel e McLaughlin.
A bandeira verde ressurgiu na volta 59, com uma boa relargada de Ericsson. Grosjean logo despachou Robb para assumir o sexto lugar, mas a amarela voltou assim que o grid passava pelo hairpin: Siegel mergulhou e tocou em Newgarden, que rodou e ficou parado na pista. Os pit-stops foram abertos, e Ericsson ficou na pista, enquanto Power, O’Ward, Rahal e Rossi foram aos boxes.
Ericsson manteve a liderança na relargada, à frente de Grosjean, que não precisaria parar mais. Dessa vez, o grid passou ileso pelo hairpin, com Hauger tentando atacar Palou na sequência. Quem conseguiu a ultrapassagem foi Power, que deixou Simpson para trás e assumiu a oitava posição.
Ericsson logo abriu quase 4s para Grosjean, que tinha uma folga de 1s5 para McLaughlin. Malukas era o quarto, com Palou atrás, depois de o espanhol superar VeeKay. Hauger, Power, Simpson e O’Ward completavam o top-10. O sueco abriu mais de 10s com 68 voltas.
Ericsson vinha fazendo voltas na casa de 1min14s baixo, enquanto Grosjean andava em 1min17s. A tentativa do sueco era abrir o máximo possível de vantagem para conseguir se recuperar depois da parada, que aconteceu na volta 70. Enquanto isso, Palou aproveitou uma oportunidade para superar Malukas e assumir o terceiro lugar. Com pneus macios frios, o #28 voltou em quinto, mas perdeu a posição para VeeKay em seguida.

Grosjean conseguiu abrir mais de 1s6 para McLaughlin, que passou a ter muito trabalho com Palou e Malukas, que vinham na sequência. VeeKay era o quinto e viu Power superar Ericsson e assumir a sexta posição. Simpson, Hauger e O’Ward completavam os dez primeiros lugares.
Palou aproveitou a bobeada de McLaughlin na curva 6 e mergulhou na volta 74 para assumir a segunda colocação. Depois da ultrapassagem, o tetracampeão começou a caça a Grosjean. Quem ganhou uma posição também foi O’Ward, que superou Hauger e assumiu a nona posição.
VeeKay despencou a partir da volta 76. Depois de ser superado por Power, o neerlandês foi ultrapassado por Ericsson e Simpson no hairpin. Sem o embalo devido, o piloto da Juncos perdeu para O’Ward o oitavo posto.
Em busca da primeira posição, Palou errou na curva 6 na volta 77 e quase tocou o muro, mas perdeu tempo para Grosjean, que ampliou para 2s4. Naquele momento, Power e Ericsson tinha um forte ritmo. O australiano superou McLaughlin e Malukas na volta 79, enquanto o sueco deixou o #12 para trás.
Com 10 voltas para o fim, Grosjean tinha 2s de vantagem para Palou, que via Power e Ericsson se aproximarem, com menos de 2s para a dupla da Andretti, que já abria 5s para McLaughlin.
Ericsson mergulhou no hairpin para cima de Power e conseguiu a ultrapassagem na marra, com direito a um toque entre ambos, o que gerou uma enorme reclamação do australiano no rádio — além de uma folga para Palou, que praticamente não tinha mais vantagem para os dois.
Ericsson seguiu o embalo e conseguiu ultrapassar Palou com sete voltas para o fim, com um novo mergulho no hairpin, mas que não teve resistência do espanhol, que acabou superado por Power na sequência.
O sueco não demorou muito para chegar em Grosjean, que duelaram a partir de cinco voltas para o final. Com mais pneus e sem precisar economizar combustível, Ericsson mergulhou na curva 6 e fez a ultrapassagem.
Com três voltas para o fim, Ericsson já tinha 3s de vantagem para Grosjean, então tinha somente que administrar o resto da prova. Power, Palou e O’Ward ocupavam os cinco primeiros lugares. McLaughlin continuava despencando e perdia posições para Lundgaard e VeeKay, que ocupavam a sexta e sétima posição. Rahal e Ferrucci fechavam o top-10.
Com a quadriculada agitada, Marcus Ericsson venceu pela primeira vez pela Andretti, com mais de 6s de frente para Grosjean. Power completou o pódio, com Palou, O’Ward, Lundgaard, VeeKay, McLaughlin, Rahal e Ferrucci no top-10. Collet ainda conseguiu salvar um 19º lugar, depois de voltar à pista 18 voltas atrás.
Indy 2026, resultado do GP de Markham:
| 1 | Marcus ERICSSON | Andretti Honda | 2h16min22s234 | 90 voltas |
| 2 | Romain GROSJEAN | Dale Coyne Honda | +7.530 | |
| 3 | Will POWER | Andretti Honda | +10.558 | |
| 4 | Álex PALOU | Ganassi Honda | +10.745 | |
| 5 | Pato O’WARD | McLaren Chevrolet | +11.165 | |
| 6 | Christian LUNDGAARD | McLaren Chevrolet | +21.784 | |
| 7 | Rinus VEEKAY | Juncos Chevrolet | +22.170 | |
| 8 | Scott MCLAUGHLIN | Penske Chevrolet | +25.442 | |
| 9 | Graham RAHAL | RLL Honda | +26.006 | |
| 10 | Santino FERRUCCI | Foyt Chevrolet | +26.924 | |
| 11 | Sting Ray ROBB | Juncos Chevrolet | +39.535 | |
| 12 | Nolan SIEGEL | McLaren Chevrolet | +40.184 | |
| 13 | Josef NEWGARDEN | Penske Chevrolet | +41.280 | |
| 14 | Kyffin SIMPSON | Ganassi Honda | +1:08.716 | |
| 15 | Dennis HAUGER | Dale Coyne Honda | +1 volta | NC |
| 16 | Marcus ARMSTRONG | Meyer Shank Honda | +1 volta | |
| 17 | David MALUKAS | Penske Chevrolet | +1 volta | |
| 18 | Scott DIXON | Ganassi Honda | +6 voltas | |
| 19 | Caio COLLET | Foyt Chevrolet | +23 voltas | NC |
| 20 | Alexander ROSSI | Carpenter Chevrolet | +24 voltas | NC |
| 21 | Kyle KIRKWOOD | Andretti Honda | +37 voltas | NC |
| 22 | Louis FOSTER | RLL Honda | +48 voltas | NC |
| 23 | Christian RASMUSSEN | Carpenter Chevrolet | +55 voltas | NC |
| 24 | Felix ROSENQVIST | Meyer Shank Honda | +72 voltas | NC |
| 25 | Mick SCHUMACHER | RLL Honda | +76 voltas | NC |