A situação parece surreal na atualidade, até fantasiosa se contada sem grandes explicações: mas, sim, Jim Clark foi campeão mundial de Fórmula 1, em 1965, já no dia 1° de agosto, tamanho o domínio. E isso mesmo não disputando um dos sete GPs realizados até então.
Mas onde estava o escocês enquanto seus adversários na F1 disputavam a tradicional corrida nas ruas de Mônaco? Bem longe dali, mas numa prova tão especial quanto. E vencendo.

Clark, naquele 31 de maio de 1965, exatos 55 anos atrás, optou por disputar as 500 Milhas de Indianápolis. Porque não precisava vencer Mônaco para ser campeão na F1 e, assim, se tornou o único a vencer o Mundial e a mais famosa prova americana no mesmo ano.
Ele não buscava a sonhada Tríplice Coroa da atualidade ou nada do gênero: simplesmente gostava de correr e se provar o melhor em tudo que é categoria. E assim viajou para os EUA para liderar 190 das 200 voltas em Indy.
Com sua Lotus 38 — de motor Ford, e na parte traseira, o primeiro a vencer assim —, não saiu na pole, ficando atrás de AJ Foyt, mas já terminou o primeiro giro na ponta. No seguinte, ficou atrás do rival, mas no terceiro já retomou a liderança, começando a abrir distância.

Apenas na volta 65 perdeu a posição, quando fez pit-stop. Nada que tenha demorado ou causado desespero: 10 voltas depois, lá estava o escocês liderando.
Com o abandono de Foyt após 115 voltas, Clark foi até o final tranquilamente na ponta, sem grande concorrência. Desde 1916 que americanos venciam a prova – ou seja, além das conquistas na pista, ainda quebrou tabu histórico.
Vitorioso em Indy, voltaria à F1 para ganhar em sequência em Spa, na França, Grã-Bretanha, Holanda e Alemanha, para já em 1° de agosto marcar 1965 para a história.