A temporada de 1995 da Indy simbolizava uma passagem de bastão, com a chegada de jovens brasileiros ao grid da categoria. Mas, ainda assim, no dia 23 de abril daquele ano, há exatos 30 anos, poucos imaginavam que seria um dos últimos capítulos de glória da carreira de Emerson Fittipaldi, que venceu no curto oval de Nazareth pela 22ª e última vez na categoria.

Apesar de seus 48 anos, Emerson estava na poderosa Penske, onde venceu as 500 Milhas de Indianápolis de 1993 e disputou o título da temporada de 1994, terminando como vice-campeão. Mostrava que tinha lenha para queimar. Fittipaldi liderava um extenso pelotão brasileiro, que já possuia Raul Boesel e Mauricio Gugelmin, mas recebeu Christian Fittipaldi, Gil de Ferran e André Ribeiro naquele ano.

Mas o fato é que até a etapa de Nazareth, a temporada de Fittipaldi não era empolgante. Em quatro corridas, teve três falhas mecânicas e apenas o terceiro lugar no GP de Phoenix como bom resultado. Ao menos, o brasileiro desembarcava em um palco onde venceu em três ocasiões até ali — contando o Marlboro Challenge, evento extracalendário, que funcionava como uma espécie de All-Star, e a vitória que lhe rendeu o título de 1989.

O fã brasileiro da Indy estava dividido entre a recuperação de Emerson e a empolgação com os novos egressos à categoria. Gugelmin, que estava em seu terceiro ano no campeonato, tinha feito três top-5 até então e colocava a PacWest na disputa pelo título.

Emerson Fittipaldi durante etapa de Nazareth da Indy em 1995 (Foto: IndyCar)

Após a classificação, a expectativa de renascimento de Fittipaldi para o campeonato aumentou um pouco, com o brasileiro anotando o quarto tempo. A pole ficou com Robby Gordon, que venceu o GP de Phoenix, também em um oval curto, o que demonstrou que o norte-americano tinha o favoritismo. Jimmy Vasser colocou a Ganassi em segundo, logo à frente de Jacques Villeneuve — sim, aquele, que foi à Fórmula 1 no ano seguinte.

Entre os brasileiros, Ribeiro conquistou o sexto tempo, Boesel foi oitavo, Gugelmin ficou em 12º, com Christian Fittipaldi e De Ferran dividindo a nona fila, enquanto Marco Greco ficou em 26º e último.

Na largada, Gordon se manteve à frente até a volta 19, quando não resistiu ao ritmo de Michael Andretti, que assumiu a liderança na corrida após ter largado em quinto. Robby começou a despencar. Em poucas voltas, viu Vasser, Paul Tracy, Villeneuve e Emerson Fittipaldi o superar.

Na volta 30, Tracy aprontou das suas ao acertar Vasser e o muro. O canadense trouxe o carro para os boxes, mas não evitou a bandeira amarela — o representante da Ganassi seguiu na corrida. Pouco depois da relargada, nova intervenção do safety-car após Buddy Lazier bater.

Vitória de Emerson Fittipaldi passou pelo bom trabalho da Penske no pit (Foto: Reprodução)

Na volta 57, Villeneuve atacou Andretti e assumiu a liderança pela primeira vez. Emerson Fittipaldi aproveitou a oportunidade e pulou ao segundo posto no giro seguinte. Com problemas, Vasser encostou o carro nos boxes e abandonou a corrida, sem causar nova bandeira amarela.

Com um stint longo em bandeira verde, a janela de pit-stop foi aberta por volta do giro 90, com Villeneuve, Emerson Fittipaldi, Michael Andretti, André Ribeiro e Bobby Rahal formando o top-5.

Por conta das estratégias variadas, Teo Fabi assumiu a liderança na volta 94, mas que durou até um pouco mais da metade da corrida. Uma bandeira amarela veio após Gugelmin rodar e evitar o muro. Porém, seu carro ficou parado na pista e precisou ser rebocado. Todo mundo foi aos boxes, mas Christian Fittipaldi não. Com isso, o brasileiro assumiu a liderança e formou 1-2 com seu tio.

No giro 116, a Walker chamou Christian aos boxes, na tentativa de fazer desta a última parada. Com isso, o duelo pela ponta ficou entre Emerson Fittipaldi e Villeneuve, que ainda precisavam de mais uma troca de pneus e reabastecimento. Naquele momento, destaque também para Eddie Cheever, que largou em 21º e estava em terceiro.

Christian Fittipaldi foi líder, mas problema mecânico encerrou as chances do brasileiro (Foto: Reprodução)

Com 150 voltas, Emerson Fittipaldi parecia ter a corrida sob controle, com mais de 5s de vantagem para Villeneuve, que também estava confortável na segunda posição. Pouco antes, o brasileiro chegou a tocar Boesel no momento em que colocava uma volta sob o compatriota, mas o incidente não ocasionou nenhum problema na Penske.

O último pit-stop de Emerson Fittipaldi veio na volta 153, caindo para o sétimo lugar no retorno. Com isso, a liderança ficou com Villeneuve. Cheever, Stefan Johansson, Teo Fabi, Michael Andretti e Ribeiro estavam entre ambos.

Durante a janela de pit-stop, Andretti causou uma bandeira amarela. Logo após sair dos boxes, o norte-americano acertou o muro por conta de uma roda mal apertada na troca de pneus. Villeneuve aproveitou e fez sua parada derradeira, retornando logo atrás de Emerson Fittipaldi.

Quem ficou na pista foi Cheever, visto que a Foyt arriscou não parar mais até o fim. E parecia que a estratégia daria certo ao norte-americano. A bandeira amarela foi estendida com o problema elétrico no carro de Christian Fittipaldi. Na sequência, após a relargada, De Ferran bateu depois de pegar sujeira.

Gil de Ferran bateu forte em Nazareth (Foto: Reprodução)

Atrás do safety-car, Cheever ia prolongando sua liderança. Com 10 voltas para o final, o piloto da Foyt era o líder, com Emerson Fittipaldi, Villeneuve e Johansson na sequência — os únicos na volta do líder. Gordon, Rahal, Boesel, Fabi, Adrián Fernández e Ribeiro no top-10.

A relargada veio com sete voltas para o fim. Cheever saiu muito bem, abrindo uma boa vantagem para Fittipaldi e Villeneuve — pouco mais de 3s, contando com os retardatários entre eles.

No entanto, na volta 198 de 200, Cheever ficou lento pela falta de combustível e Emerson Fittipaldi assumiu a ponta. O brasileiro teve muito trabalho para segurar Villeneuve, mas cruzou com 0s308 de vantagem para o canadense, que venceu as 500 Milhas de Indianápolis no mês seguinte e fechou o ano de 1995 como campeão, embarcando para uma jornada na Williams na F1. Johansson completou o pódio.

Gordon completou a corrida em quarto, com Cheever conseguindo o quinto lugar, mesmo se arrastando sem combustível. Rahal, Fabi, Scott Pruett, Fernández e Boesel concluíram o top-10. Ribeiro ficou em 11º, enquanto Gugelmin se recuperou do problema na metade da prova e terminou em 17º, mas 14 voltas atrás. Gil de Ferran, Christian Fittipaldi e Marco Greco ficaram entre 19º e 21º, respectivamente.

No restante do ano, Emerson Fittipaldi não manteve o nível de resultados. Junto com seu companheiro Al Unser Jr., esteve no vexame da Penske, que não se classificou para as 500 Milhas de Indianápolis daquele ano. No fim da temporada, a equipe não renovou com o brasileiro, que ficou em 11º no certame, mas encontrou um contrato com a Hogan, com quem Roger Penske tinha parceria.

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