A classificação do GP de Washington foi o mais puro exemplo do termo “paloufobia”, cunhado na definição do grid das 500 Milhas de Indianápolis. Por mais que Álex Palou seja um gênio e mereça toda a glória pelo pentacampeonato da Indy — algo que só depende da confirmação matemática —, os adversários têm dado uma contribuição enorme para que o espanhol caminhe cada vez mais tranquilo rumo ao título. Quando surge a oportunidade de superá-lo, os rivais simplesmente dão um mole incrível.
Antes de tudo, vale explicar o que é paloufobia. Se existisse um “Dicionário Daniel Balsa”, a definição seria mais ou menos assim: sensação de medo, pressão ou incapacidade de competir com Álex Palou, especialmente em situações decisivas de uma temporada da Indy, levando os adversários a cometer erros ou desperdiçar oportunidades de reduzir a vantagem do espanhol. Fenômeno recorrente no qual os rivais de Palou parecem sucumbir à pressão da disputa, enquanto o piloto da Ganassi capitaliza os vacilos e amplia sua vantagem.
Exemplo: “A classificação em Washington foi mais um capítulo da paloufobia: enquanto Palou avançou ao Fast 6, seus principais rivais ficaram pelo caminho.” E foi exatamente isso que aconteceu neste sábado.
Kyle Kirkwood mostrou que tinha totais condições de cravar a pole-position do GP de Washington. O piloto da Andretti foi o mais rápido no treino livre 1 e chegou ao Fast 6 com o melhor tempo da classificação. Além disso, escolheu abrir a fase decisiva na frente, uma vantagem importante em um formato no qual cada piloto tem apenas uma tentativa: entra na pista com os pneus mais aquecidos e, principalmente, sem ter a marca de Palou como referência ou pressão.
Só que Kirkwood errou logo na curva 1. Uma enorme fritada de pneus comprometeu a volta e jogou no lixo uma oportunidade de ouro de largar na pole. O vice-líder do campeonato tinha tudo para colocar certa pressão sobre Palou, mas entregou um cenário muito bom para o espanhol: observar os adversários errarem enquanto faz o trabalho dele.

Então Palou entrou na pista. O piloto da Ganassi cravou 56s899 e abriu impressionantes 0s566 para Kirkwood. Mais do que a diferença no cronômetro, o tempo colocou uma pressão enorme sobre quem ainda precisava completar a volta rápida, que abriu uma sequência de erros.
David Malukas, Scott McLaughlin, Christian Rasmussen e Marcus Armstrong foram, um a um, cometendo erros em suas respectivas tentativas. Não havia espaço para recuperação. Uma curva mal feita, uma freada além do limite ou uma pequena perda de aderência significavam o fim da possibilidade de brigar pela pole.
E há um detalhe importante: essa condição de cada piloto ter apenas uma tentativa na fase decisiva é praticamente uma repetição do que aconteceu na classificação das 500 Milhas de Indianápolis. Parece, portanto, que esse formato é especialmente cruel para quem tenta desbancar o espanhol. Parece que Palou não precisa necessariamente fazer algo extraordinário, pois vão sucumbir.
Depois da classificação, Kirkwood deu uma pequena amostra de como os rivais enxergam esse cenário. O piloto admitiu que Palou faz os adversários se sentirem pequenos. É uma declaração forte, mas que ajuda a explicar o que vem acontecendo. Não há dúvida de que Palou é, hoje, muito superior à maioria dos pilotos do grid. O espanhol tem velocidade, consistência, capacidade de leitura de corrida e, principalmente, uma impressionante habilidade para minimizar erros quando a pressão aumenta. Só que também é preciso reconhecer que os adversários contribuem — e muito — para transformar essa superioridade em um domínio tão amplo.

Palou não precisa derrotar todo mundo o tempo inteiro. Muitas vezes, basta esperar. Kirkwood tinha a chance e errou. Os demais, por mais que não eram os favoritos, sucumbiram pelos erros. É justamente aí que entra a paloufobia.
Não se trata de dizer que os rivais literalmente têm medo de Palou ou de diminuir o tamanho do talento do espanhol. Muito pelo contrário. É reconhecer um padrão que se tornou recorrente: quando a oportunidade de atacar Palou aparece, a pressão parece aumentar proporcionalmente — e os adversários acabam cometendo erros que não poderiam cometer. No fim, o espanhol capitaliza.
E, enquanto isso acontece corrida após corrida, classificação após classificação, Palou não vai parar no quinto título, que é apenas uma questão de matemática.
Palou já é um gênio. Mas os rivais também estão ajudando — e bastante — a construir a lenda do pentacampeão. A paloufobia, aparentemente, veio para ficar.
A Indy volta neste domingo (23) com o GP de Washington, a 15ª de 18 etapas da temporada 2026, marcado para as 14h (de Brasília, GMT -3), com cobertura completa do GRANDE PRÊMIO.