Em um ano tão dominado por Álex Palou, a Indy viveu um 2025 marcado também pelas passagens de bastão. É claro que nomes veteranos do grid como Scott Dixon, Josef Newgarden e Will Power tiveram seus momentos de brilho, subindo ao Victory Lane. Mas a transição de gerações da categoria, muito bem reforçada por Álex Palou, ganhou outros dois protagonistas: Kyle Kirkwood e Pato O’Ward.
Aos 27 anos, Kirkwood já tinha se destacado na Indy quando venceu duas vezes em 2023, com triunfos que foram os únicos da Andretti naquela temporada. Depois de passar em branco em 2024 — apesar de ter somado mais pontos — ele deu a volta por cima com três triunfos. E em determinado momento da temporada, parecia que apenas Kyle era capaz de vencer Álex.
Após performances regulares com um quinto lugar em St. Pete e a oitava posição no Thermal Club, Kirkwood voltou a brilhar em Long Beach, assim como fez dois anos atrás. Largando da pole, ele sobreviveu a um dominó de estratégias nas ruas californianas, vendo Álex terminar no segundo lugar pela primeira vez em 2025.
Classificações ruins impediram melhores resultados nos GPs do Alabama e de Indianápolis. Nas 500 Milhas de Indianápolis, saiu de 23º para 6º, mas a desclassificação pós-corrida surgiu como um grande golpe nas pretensões de brigar pelo título, especialmente depois que Palou venceu as três provas mencionadas.

Kyle conseguiu dar uma rápida resposta em Detroit. Em uma prova movimentada, o americano esteve nas primeiras posições o tempo inteiro, e com ultrapassagens cruciais sobre Santino Ferrucci e Kyffin Simpson nas voltas finais, venceu no circuito urbano em Michigan, aproveitando de um acidente de Palou.
E para provar que não é só um piloto “das ruas”, venceu logo na sequência. Em Gateway, tudo se encaminhava para uma vitória tranquila de Josef Newgarden, até o líder da prova ser acertado pelo retardatário Louis Foster. A batida também mexeu com a questão estratégica. Kyle tinha mais combustível que a concorrência para sobreviver até a bandeira quadriculada, e ainda teve desse esforçar para segurar O’Ward e Christian Rasmussen atrás. Três vitórias para o piloto em 2025.
A segunda metade da temporada de Kirkwood até teve uma queda de desempenho. O quarto lugar em Road América foi o melhor resultado, enquanto pontos baixos como o abandono em Iowa o fizeram sair da disputa pelo vice-campeonato. Porém, há o fator também do maior equilíbrio no campeonato, com outros fatores surgindo na matemática na briga pelas vitórias.
No quarto lugar e com 433 pontos, Kirkwood deu um recado importante a todos com a forte campanha. E com a saída de Colton Herta, que decidiu sonhar com a Fórmula 2, Kyle partirá para 2026 como o comandante de uma Andretti que tenta brigar e quebrar com um incômodo jejum.

Pato O’Ward, por sua vez, viveu uma arrancada diferente. O piloto mexicano já era tido como um possível candidato ao título, mas amargou derrotas logo no início do campeonato para Palou. A mais dolorosa delas certamente foi no Thermal Club, quando tinha tudo para vencer, mas não resistiu ao ritmo avassalador do espanhol nas voltas finais. Se contentou com o segundo lugar.
O mexicano da McLaren voltaria ao pódio novamente quando acertou a estratégia no misto de Indianápolis, terminando em segundo. Na Indy 500, foi terceiro colocado após as desclassificações, mas bem longe dos traumas de 2022 e 2024, já que as voltas finais foram praticamente dominadas por Álex Palou.
Depois disso, Pato ainda voltou ao pódio em Gateway, quando faltou pouco para alcançar Kyle Kirkwood nas voltas finais. A vitória veio a acontecer mesmo três corridas depois, em Iowa. A corrida em si foi dominada por Josef Newgarden, mas O’Ward esteve atrás o tempo inteiro, e depois de um pit-stop lento da Penske, assumiu a ponta para não perder mais.
Pouco depois, veio outro triunfo. Com uma bandeira amarela cedo, o mexicano tirou os pneus macios na hora certa e se colocou em uma posição confortável. Na reta final, conseguiu o overcut na hora certa para tirar Rinus VeeKay da liderança. Venceu o GP de Toronto e deixou a vantagem de Palou em menos de 100 pontos.

Porém, Álex acabou sendo muito preciso nas voltas finais, com vitória em Laguna Seca e pódio nas três corridas finais, conquistando o título ainda em Portland. Pato, por sua vez, sofreu com uma falha mecânica no Oregon que encerrou as chances de taça, e teve a possibilidade de fechar o ano com mais uma vitória trucidada por um furo de pneu e batida em Nashville, quando fez a pole-position.
Mesmo sendo uma figurinha carimbada nas primeiras posições da Indy há anos, O’Ward teve o melhor resultado em um campeonato em 2025. E se o domínio de Palou parece não ter prazo para acabar, ao menos o espanhol passa a ganhar a companhia de dois pilotos abaixo dos 30 anos que representam também uma passagem de bastão do campeonato.
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