Ao contrário da maioria das etapas do Mundial de Motovelocidade nos últimos anos, as disputas na pista durante o GP da Malásia ficaram em segundo plano no último fim de semana. O motivo foi o grave acidente envolvendo José Antonio Rueda e Noah Dettwiler durante a volta de apresentação da Moto3.

A caminho do grid para a largada da Moto3 em SepangDettwiler apareceu lento na lateral da pista e acabou atingido em cheio por Rueda. Os dois pilotos foram atendidos ainda na pista e transferidos de helicóptero para o hospital.

Enquanto Rueda fraturou uma das mãos e sofreu uma concussão, mas está consciente e sem riscos maiores, o suíço foi submetido a diversas cirurgias e está internado em estado grave.

Por isso, o GRANDE PRÊMIO separou cinco coisas que aprendemos no GP da Malásia, 20ª etapa da temporada 2025 da MotoGP:

Noah Dettwiler (Foto: Lukasz Swiderek/PSP)

▶️ Inscreva-se nos dois canais do GRANDE PRÊMIO no YouTube: GP | GP2

Dorna não teve sensibilidade ao permitir corrida da Moto3 após acidente

Poucas coisas realmente importavam no Mundial de Motovelocidade no domingo (26). Dos três campeonatos, dois já estavam definidos, com MotoGP e Moto3 encerrando as principais disputas. Mesmo assim, a Dorna decidiu realizar a corrida da categoria inferior, mesmo após o grave acidente envolvendo Rueda e Dettwhiler.

Taiyo Furusato venceu pela primeira vez, mas precisou comemorar sem muita empolgação. A decisão da Dorna reflete uma falta de sensibilidade que, infelizmente, não surpreende. É preciso ter um olhar diferenciado para corridas de moto, em que os competidores — apesar da evolução tecnológica e dos itens de segurança — estão constantemente expostos a riscos.

Realizar a corrida de uma categoria com pilotos tão jovens, amigos entre si, e com o campeonato já decidido, não só demonstrou pouca empatia da entidade, como também aumentou o risco para os demais competidores, que provavelmente estavam afetados psicologicamente pelo ocorrido minutos antes em Sepang.

Moto3 continuou normalmente depois do acidente grave (Foto: Gold & Goose/Red Bull Content Pool)

▶️ Inscreva-se nos dois canais do GRANDE PRÊMIO no YouTube: GP | GP2

Acidente em Sepang expõe obrigação de retorno de warm-up para Moto2 e Moto3

Faço das minhas as palavras do ex-piloto da MotoGP, Alex Hofmann, que foi às redes sociais pedir que o Mundial volte a realizar warm-ups para Moto3 Moto2. Na visão do ex-competidor, motos e pilotos devem ser “tecnicamente checados antes de qualquer corrida”.

No início da temporada 2023, a Dorna, promotora do Mundial, eliminou os warm-up de Moto3 e Moto2 e reduziu pela metade o tempo da sessão da MotoGP, que agora tem só dez minutos. A mudança teve como objetivo a introdução de uma atividade destinada ao público, na qual os pilotos percorrem a pista em uma carreta, são entrevistados por jornalistas locais e arremessam merchandising ao público.

Com a ausência do warm-up, os pilotos das classes menores do Mundial de Motovelocidade saem para a corrida sem nenhum tipo de teste prévio mesmo quando as motos são desmontadas após a classificação. Creio que não seja necessário explicar o tamanho desse absurdo em um evento dessa proporção.

Precisamos falar mais sobre Álex Márquez

É claro que a temporada de Marc Márquez é absolutamente dominante e indiscutível, mas também precisamos falar sobre o nível de Álex Márquez. O #73 confirmou o vice-campeonato na corrida sprint do GP da Malásia e, na prova principal, emplacou um ritmo fulminante para deixar Francesco Bagnaia, Pedro Acosta e companhia para trás.

Álex encontrou um nível correndo de Ducati incomparável com os tempos de Honda. Venceu três corridas em 2025 e hoje é, sim, um piloto completo e com chances reais de brigar por coisas grandes na MotoGP.

Álex Márquez (Foto: Gold & Goose/Red Bull Content Pool)

▶️ Inscreva-se nos dois canais do GRANDE PRÊMIO no YouTube: GP | GP2

A Honda vai brigar por coisas maiores em 2026

Joan Mir saiu do sétimo posto na largada para chegar em terceiro na Malásia e só confirmar o que todos estão vendo há algumas semanas na MotoGP: a Honda cresceu e vai brigar por coisas maiores em 2026. O espanhol contou com a sorte de ver o pneu traseiro de Bagnaia furar para conquistar o pódio, mas o progresso técnico da RC213V é mais do que nítido.

Além de Mir, Luca Marini também vem demonstrando performance forte, com consistência, e já disse que acredita que a equipe da asa dourada pode até mesmo brigar por vitórias no próximo ano. Realmente, não dá para discordar do #10.

Joan Mir (Foto: Honda)

▶️ Inscreva-se nos dois canais do GRANDE PRÊMIO no YouTube: GP | GP2

Moreira assume ponta e já é favorito ao título da Moto2

Com apenas duas etapas restando no calendário de 2025Diogo Moreira passou Manuel González e terá a chance de decidir o campeonato em Portimão. Depois de uma classificação ruim em Sepang, o #10 da Italtrans escalou o pelotão no GP da Malásia de domingo (26) e garantiu a quinta colocação, a 5s672 de Jake Dixon, o vencedor.

González, por sua vez, caiu quando rodava em quarto e, apesar de ter voltado para a corrida, recebeu a bandeirada apenas em 25º. Com o espanhol sem pontuar, Moreira tomou a liderança do Mundial de Pilotos e ainda abriu nove pontos de vantagem. Assim, Diogo pode ser campeão em Portugal.

A julgar pela segunda metade da temporada, o brasileiro tem se mostrado mais consistente e decisivo que o espanhol, consolidando-se como o principal favorito ao título mundial antes do salto à MotoGP.

Diogo Moreira (Foto: Gold & Goose/ Red Bull Content Pool)

MotoGP volta a acelerar entre os dias 7 a 9 de novembro com o GP de Portugal, direto de Portimão, 21ª etapa da temporada 2025. O GRANDE PRÊMIO faz a cobertura completa do evento, assim como das outras classes do Mundial de Motovelocidade durante todo o ano.

▶️ Inscreva-se nos dois canais do GRANDE PRÊMIO no YouTube: GP | GP2