Depois de um início de temporada um tanto abaixo da expectativa ― especialmente para quem era tida como favorita ao título ―, a Ducati surgiu mais forte com as GP22 em Austin. No primeiro dia de treinos para a quarta etapa da temporada 2022 da MotoGP, Johann Zarco foi o mais rápido, com Jack Miller em segundo e Enea Bastianini, Francesco Bagnaia e Jorge Martín colocando outras Desmosedici no top-10 combinado desta sexta-feira (8) no Circuito das Américas.
Das 31 voltas que completou em Austin neste primeiro dia nos Estados Unidos, Zarco fez a melhor delas em 2min02s542, 0s247 melhor do que Jack Miller, o segundo colocado. Mais 0s048 atrás, Fabio Quartararo colocou a Yamaha no terceiro posto.

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“Estou muito feliz com o tempo que conseguimos fazer depois de um único dia de treino”, comemorou Johann. “Faz muito tempo desde que senti uma sensação tão positiva”, comentou.
“Amanhã vou tentar melhorar ainda mais. Me sinto em ótima forma”, frisou.
Em um ano em que a equipe de fábrica tem sido ofuscada pelos times satélites, Miller comemorou o bom início de trabalho e aproveitou para elogiar a melhora nas condições da pista, embora nem todas as ondulações tenham desaparecido.
“O fim de semana começou bem”, sintetizou Jack. “A moto está funcionando bem e as condições de pista são incríveis em comparação com o ano passado, embora ainda tenham algumas pequenas ondulações que acho que são parte da característica desta pista”, avaliou.
“O Circuito das Américas é único e eu sempre gosto de voltar aqui. Desde o começo, a sensação com a minha Desmosedici foi boa, e a equipe está fazendo um ótimo trabalho, o que me permitiu melhorar entre as duas sessões. Estou feliz e confiante de que posso me sair bem nos dois próximos dias aqui na América”, declarou.
Nono colocado em Austin, Francesco Bagnaia saiu satisfeito da sexta-feira e agora foca em avançar direto ao Q2 e na escolha de pneus para a corrida.

“Estou satisfeito com o primeiro dia de trabalho aqui no Texas. Foi um início normal em comparação com as últimas corridas, e hoje eu foquei principalmente em melhorar o meu ritmo”, pontuou. “A minha sensação com a moto é boa e, no TL2, conseguimos fazer um ótimo trabalho. Amanhã de manhã, durante o TL3, vamos tentar fazer o tempo para nos classificarmos diretamente para o Q2, ao mesmo tempo em que será importante trabalhar na escolha de pneus no TL4”, avisou.
“Estou feliz e determinado a ter uma boa sessão de classificação amanhã”, assegurou.
Campeão vigente, Quartararo explicou que tinha o top-5 como meta para este primeiro dia e afirmou que o objetivo agora é evoluir em termos de ritmo com a YZR-M1.
“É ótimo estar no top-3. Ainda precisamos melhorar nosso ritmo, mas nossa meta era terminar dentro do top-5, e conseguimos”, apontou Fabio. “Talvez tenhamos um pouco de margem nos setores 2 e último. Me sinto bem e acho que quando fizermos mais voltas com os pneus macios, será ótimo”, indicou.
Depois de muitas queixas dos pilotos em relação às muitas ondulações do asfalto em 2021, o traçado de Austin foi parcialmente recapeado, o melhorou as condições, embora não tenha sanado o problema.
“O novo asfalto é totalmente diferente em comparação com o ano passado”, comparou. “Da última vez, perdemos o prazer de pilotar, mas este ano podemos realmente entrar com a moto nas curvas 2, 3 e 10. Podemos realmente ser rápidos. É como se realmente tivéssemos voltada para o Circuito das Américas de verdade”, acrescentou.

Dono de três vitórias em Austin, inclusive uma na MotoGP, Alex Rins foi um dos destaques desta sexta-feira. O piloto da Suzuki marcou 2min03s030 na melhor de 23 voltas e ficou com o quinto tempo, 0s488 mais lento do que Zarco.
Após as duas sessões do dia, Álex explicou que a casa de Hamamatsu mudou a estratégia e trabalhou já pensando na corrida.
“Decidimos mudar a estratégia e trabalhar para a corrida, e, por isso, fiz a volta rápida na metade da sessão”, explicou Rins. “O fim de semana começa muito bem e o ritmo com o pneu macio é bom. No papel, ele resiste até o fim da corrida”, seguiu.
“A moto vai bem, tenho controle e bom ritmo. O combinado das cinco melhores voltas de todo mundo, estou na frente”, ressaltou.
Apesar da liderança, o dia não passou completamente sem problemas para Álex. O espanhol, primeiro, teve um problema com a GSX-RR e, depois, ficou sem combustível.
“De manhã, tivemos um problema com a eletrônica”, minimizou.
Rins contou, também, que a fábrica japonesa levou para o circuito americano uma evolução do dispositivo que ajusta a altura da traseira da moto.
“Na pré-temporada, nós demos um passo com o regulador traseiro de altura e agora ele abaixa de maneira mais suave”, apontou.
Único piloto a quebrar o domínio de Marc Márquez no GP das Américas, Rins reconheceu que o espanhol da Honda “está bem” neste fim de semana, mas ressaltou que “gostaria de ganhar aqui, pois o nível é muito alto. Esta pista me dá segurança”.

‘Rei de Austin’, Márquez voltou à ativa de mais um episódio de diplopia, um sintoma que faz com que ele enxergue em dobro, mas fechou a sexta-feira na sexta colocação, 0s499 atrás do líder.
“Comecei agressivo, pois era a melhor forma de fazer. Hoje era o meu dia: o dia de voltar a confiar na moto”, destacou Marc. “Utilizei o acerto com que caí na Indonésia, a mesma base com que saí no Catar. Não fazia sentido mudar”, ponderou.
“Não foi fácil sair e esquecer o que passou nas últimas duas semanas, mas nos saiu bem”, considerou Marc, que revelou que liberou a equipe para fazer as mudanças necessárias da moto. “Neste sábado, voltaremos a trabalhar para buscar alguns ajustes e, de fato, a equipe já têm várias ideias”, continuou.
“As sensações com a Honda de 2022 ainda são o que mais me custa”, admitiu.
De volta após lesão, Marc não se mostrou disposto a seguir falando de problemas físicos nos boxes. “Já disse que vim aqui para correr, que não me perguntem pelo meu estado físico. Se eu não estivesse bem, eu avisaria”, garantiu.
Vindo de vitória, Aleix Espargaró teve um dia apenas discreto na América do Norte. Com 2min03s370, o catalão ficou em 11º, a 0s828 do líder dos trabalhos.
“Depois de ganhar na Argentina, jamais diria que estou satisfeito com o 11º lugar aqui. Mas estou contente, pois me sinto rápido e a Aprilia trabalha muito melhor do que no ano passado”, afirmou Aleix.
Apesar de ter ficado de fora do top-10 combinado desta sexta-feira, Aleix se mostrou confiante em assegurar vaga na fase final da classificação na manhã de sábado.
“Amanhã de manhã eu terei de forçar um pouco mais para tentar me meter no Q2. Esta moto vai muito melhor do que a do ano passado em todos os sentidos. Eu sou mais rápido, a moto é diferente e o asfalto é novo. No ano passado, eu caí muitas vezes”, recordou.

Mesmo embalado pela vitória, o mais velho dos Espargaró segue com os pés no chão, já que entende que “por mais rápido que eu seja, não posso ganhar todas as corridas que faltam”.
“Acho que estou seguro para brigar para terminar dentro do top-6. E fazer isso em um dos piores circuitos do calendário para nós é muito bom”, avaliou. “Não é um bom circuito nem para mim e nem para a moto. Não piloto bem. Estamos analisando também os dados de Maverick, que é muito rápido aqui. Ele não está tentando levar a Aprilia para o terreno dele, mas, sim, entendê-la, e isso é muito bom da parte dele”, elogiou.
“Quero aprender com ele, como ele controla a aceleração e levanta a moto, pois ele faz isso melhor do que eu. A verdade é que eu esperava ficar mais distante de Maverick”, admitiu.
O companheiro de Aprilia ficou com a sétima melhor marca, a 0s543 de Zarco, e sente que está se entendendo cada vez melhor com a moto da casa de Noale.
“A adaptação está correndo muito bem, talvez mais rápido do que eu esperava. Não marquei uma data ou um resultado, não estou me colocando pressão, simplesmente vou com a mentalidade de seguir melhorando, aprendendo a moto”, disse Maverick. “No entanto, ainda não a tenho 100% dominada, ainda falta dar um salto de qualidade. Me vejo bem, pois estou ali, mas acho que ainda falta algo, o que quer dizer que, quando tudo estiver na mão, estaremos em um bom nível. Então estou com gana e muito contente com o resultado de hoje”, sintetizou.
O ‘Top Gun’ avaliou que alguns pilotos poderiam ter fechado o dia mais à frente, mas, mesmo assim, ele acredita que está na posição em que deveria estar na tabela.
“Têm pilotos que poderiam estar mais para frente, mas nós estamos bem, estamos no lugar que devemos estar. Para nós, é muito importante termos nos classificado [provisoriamente] para o Q2. O que vier a mais, é lucro”, comentou. “Em termos de ritmo, me sinto muito bem. Com o pneu usado, me sinto bem em cima da moto e só preciso de um detalhe para chegar ao máximo quando estou com pneu novo”, falou.
“Me sinto melhor a cada dia, dou passos à frente em termos de sensação e guiando a moto, estamos subindo e subindo e estou muito contente. Ainda me faltam alguns detalhes e fazer as curvas tão agressivo quando gostaria. Mas, principalmente, me sinto bem em termos de ritmo”, concluiu.
A MotoGP volta à pista na semana que vem, em Austin, para o GP das Américas, agendado para o dia 10 de abril. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades da quarta etapa do Mundial de Motovelocidade 2022.