A Ducati identificou e corrigiu o problema nos freios que prejudicou Marc Márquez durante o GP da Áustria de MotoGP. Antes da etapa do Japão, em Motegi, Davide Tardozzi, chefe da equipe italiana, garantiu que a falha não deve voltar a acontecer.
Márquez sofreu com o comportamento irregular do freio dianteiro durante a corrida no Red Bull Ring. O espanhol chegou a passar reto pela curva 1 e revelou depois da prova que esteve perto de abandonar. Mesmo com a dificuldade, conseguiu recuperar posições nas voltas finais e terminou em quinto, como a melhor Ducati.
Segundo Tardozzi, a equipe conseguiu encontrar a origem do problema ao analisar os dados coletados durante a corrida. A Ducati, porém, não detalhou publicamente qual componente ou procedimento provocou a falha.
“Agora sabemos o que aconteceu e corrigimos para que não aconteça novamente. Realmente esperamos que não aconteça de novo”, afirmou Tardozzi, segundo relato da imprensa internacional sobre a entrevista concedida à transmissão oficial da MotoGP.
Márquez chegou a pensar em abandonar na Áustria
O problema apareceu ainda nas primeiras voltas da corrida. Márquez largou da segunda posição, mas perdeu terreno rapidamente e chegou a ocupar o sétimo lugar. Na curva 1, o piloto teve uma falha na resposta do freio dianteiro e saiu da pista.
“Estávamos sofrendo um pouco durante todo o fim de semana, embora ainda conseguíssemos ser mais ou menos rápidos. Mas, assim que comecei a corrida, percebi que alguma coisa não estava funcionando bem nos freios e passei a sofrer ainda mais”, explicou Márquez após a prova.
O campeão mundial também relatou que a alavanca do freio não apresentava comportamento constante. Em determinados pontos de frenagem, a resposta era diferente de uma volta para outra, o que dificultava a condução da Desmosedici GP26.

A situação foi suficientemente grave para que Márquez cogitasse abandonar a prova. O funcionamento do sistema, porém, melhorou durante a corrida, permitindo que o espanhol voltasse a ganhar posições na parte final.
“Hoje tivemos muita sorte, porque, em um momento da corrida, percebi que ‘OK, não consigo continuar’. Mas então, os freios começaram a funcionar de uma volta para a outra. Aí comecei a ficar mais rápido de novo e ganhei algumas posições, mas obviamente já era tarde demais”, contou.
Ducati teve outro problema de freios na Áustria
A falha não ficou restrita à moto de Márquez. Francesco Bagnaia também relatou problemas nos freios durante o GP da Áustria, embora tenha conseguido administrar a situação e completar a prova em sétimo.
“Infelizmente, tive um pequeno problema nos freios, mas consegui administrar a situação”, afirmou Bagnaia após a corrida.
Na avaliação de Tardozzi após a etapa, o caso de Márquez foi particularmente evidente. O dirigente afirmou que problemas relacionados aos freios já haviam sido registrados anteriormente entre pilotos da Ducati, mas classificou o episódio do espanhol como algo diferente.

“Infelizmente, ele teve um problema. O mais grave foi quando passou reto na curva 1. Depois, por algumas voltas, teve algumas dificuldades, mas agora Gigi Dall’Igna e os engenheiros vão analisar as razões pelas quais isso aconteceu”, disse Tardozzi após a prova austríaca.
A promessa de solução chega justamente antes de uma etapa particularmente exigente para os sistemas de frenagem. Motegi possui várias fortes zonas de desaceleração e é apontado como um dos circuitos do calendário que mais exigem dos freios.
Márquez chega a Motegi 12 pontos atrás de Martín
O problema na Áustria teve impacto direto na disputa pelo campeonato. Enquanto Márquez terminou apenas em quinto, Jorge Martín cruzou a linha de chegada em segundo e ampliou a vantagem na liderança da MotoGP.
O piloto da Aprilia chegou a 306 pontos, contra 294 de Márquez, abrindo 12 pontos de diferença na classificação.
Em Motegi, Márquez tenta recuperar terreno justamente em uma pista na qual a Ducati possui um histórico recente positivo. Em 2025, Francesco Bagnaia conquistou pole, vitória na sprint e triunfo na corrida principal no circuito japonês.
“Este ano é um campeonato normal. No ano passado, não era normal chegar a Motegi com uma vantagem tão grande”, disse Márquez ao comparar a situação atual com a de 2025.
Além da solução para os freios, a Ducati terá outro ponto de atenção em Motegi: o novo asfalto do circuito e a escolha de pneus da Michelin. A fornecedora levou uma alocação ampliada para o fim de semana e repetiu no Japão a carcaça traseira mais rígida que causou dificuldades às Desmosedici no Red Bull Ring.
GP do Japão de MotoGP: veja os horários no Brasil e em Portugal
Horários no Brasil*
- Corrida sprint (3/10): 3h
- Corrida (4/10): 2h
Horários em Portugal
- Corrida sprint (3/10): 7h
- Corrida (4/10): 6h
*Horários de Brasília.