O duelo entre Marc Márquez e Jorge Martín chegou ao Japão cercado pela expectativa de um novo capítulo na briga pela liderança do Mundial de Pilotos. Mas, depois da sexta-feira de treinos em Motegi, ficou claro que os dois podem ter de lidar com alguns intrusos no caminho. Álex Márquez e Pedro Acosta apareceram com força suficiente para mudar o desenho da disputa, enquanto Marco Bezzecchi também voltou a colocar a Aprilia entre as motos mais rápidas do grid. E, se o treino é um primeiro retrato do fim de semana, o cenário é bem menos previsível do que a simples diferença de 12 pontos entre Martín e Marc poderia sugerir.
Álex foi quem mais chamou atenção. O piloto da Gresini não apenas liderou o treino decisivo, como estabeleceu 1min42s811 e bateu o recorde da pista no momento em que mais precisava encontrar desempenho. A volta veio nos instantes finais, quando todos colocavam pneus novos e buscavam a posição direta no Q2. Não foi, portanto, uma liderança construída apenas em uma janela específica do treino: Álex já havia sido quarto na TL1 e terminou o dia como referência.
Mais importante do que a posição isolada é a maneira como Álex apareceu. A Gresini pode não carregar o mesmo peso de Ducati, Aprilia ou KTM na disputa pelo campeonato, mas o #73 colocou a GP26 a apenas 0s076 de Acosta e 0s100 de Marc Márquez.
Os três ficaram separados por exatamente 0s1, uma margem pequena demais para tratar o resultado como uma fotografia circunstancial do fim de semana. Álex, vice-campeão mundial em 2025, mostrou que tem ritmo para entrar na conversa caso consiga repetir esse nível durante sábado e domingo.

Acosta, por sua vez, parece ter levado para Motegi a confiança construída na vitória na Áustria. O espanhol passou boa parte do treino entre os primeiros, chegou a tomar a liderança de Marc Márquez e Bezzecchi e terminou apenas 0s076 atrás de Álex.
A KTM, que não parecia inicialmente a protagonista mais óbvia em um circuito tão associado à Ducati, encontrou desempenho suficiente para colocar o #37 na discussão. E isso muda um pouco a leitura sobre o fim de semana. Embora tenha negado a intenção de brigar pelo título na quinta-feira, Acosta — que sempre andou bem em Motegi — pode começar efetivamente a interferir na briga que envolve os ponteiros do campeonato.
Já Marc Márquez fez exatamente o que se esperava de um piloto que chega ao Japão precisando recuperar terreno. Foi terceiro, ficou a apenas 0s100 do líder e apareceu na ponta em diferentes momentos da sessão. O problema para o espanhol é que, desta vez, não parece haver uma vantagem evidente da Ducati sobre os rivais.

Bezzecchi foi quarto, Bastianini colocou uma KTM no top-5 e até Fabio Di Giannantonio e Fabio Quartararo terminaram à frente de Martín. A velocidade de Marc está ali, mas o ambiente competitivo ao redor dele parece mais apertado.
No fim, o principal recado da sexta-feira é que Motegi não mostrou uma disputa particular entre Marc e Martín, mas um grupo de quatro motos muito próximas na frente. Até mesmo a Honda, que corre em casa, teve em Diogo Moreira e Johann Zarco os principais representantes e mostrou bom ritmo no circuito japonês.
Claro que é cedo para transformar isso em tendência para o sábado e, principalmente, para o domingo, mas a primeira amostra já foi suficiente para ampliar a lista de pilotos capazes de aparecer como protagonistas no Japão.
A MotoGP volta à pista nesta sexta-feira (2), a partir das 22h10 (de Brasília), para o TL2 do GP do Japão. O GRANDE PRÊMIO acompanha toda a programação do fim de semana, assim como as demais categorias do Mundial de Motovelocidade.