Francesco Bagnaia enfim conseguiu estancar a sangria causada por Jorge Martín nas últimas etapas da MotoGP. Depois de assistir o espanhol tomar a liderança do campeonato com uma vitória na sprint, o titular da Ducati fez valer o número 1 que estampa na Desmosedici e não só retomou a liderança do Mundial de Pilotos no GP da Indonésia deste domingo (15), mas o fez com uma atuação maiúscula.

O fim de semana de Pecco ganhou contornos temerários ainda na sexta-feira, quando não conseguiu uma vaga direta no Q2 da classificação. Na manhã de sábado, o cenário complicou de vez, já que também falhou em assegurar uma das duas vagas restantes na fase final via Q1. Como resultado, ficou apenas com a 13º colocação, a pior posição de largada desde que foi 25º no GP de Portugal do ano passado.

Francesco Bagnaia recuperou a liderança da MotoGP (Foto: Ducati)

▶️ Inscreva-se nos dois canais do GRANDE PRÊMIO no YouTube: GP | GP2
▶️ Conheça o canal do GRANDE PRÊMIO na Twitch clicando aqui!

Na corrida sprint, Martín, que saiu em sexto depois de também não conseguir uma classificação perfeita, fez o que precisa: venceu, tomou a liderança do campeonato e abriu sete pontos de vantagem para o rival.

Pecco fechou o sábado sabendo o que tinha de fazer no dia seguinte: “Ser talvez um pouco mais agressivo na primeira parte da corrida e fazer ultrapassagens”.

Ainda assim, o irmão de Carola e Filippo sabia que tinha uma árdua tarefa pela frente: “Largar de 13º é muito difícil, mas vamos tentar”.

E ele tentou como ninguém. A largada espetacular veio de Martín, que tomou o comando ainda nos primeiros metros, mas Bagnaia escalou o pelotão muito rapidamente. Já na primeira volta, o italiano tomou o sexto posto. No giro seguinte, avançou para quarto. Na volta 3, já estava em terceiro, posição que manteve até a 12ª passagem.

E foi aí que a corrida mudou de vez. Dominante até então, Martín caiu sozinho e abandonou, cedendo pontos — e a liderança da MotoGP — para Bagnaia. Mas o pupilo de Valentino Rossi queria mais.

Francesco buscou Maverick Viñales, que tinha herdado a ponta depois de passar boa parte na corrida na segunda colocação. Com sete voltas para o fim, Pecco apareceu no comando, mas sem construir uma margem decisiva. Pressionado por Fabio Quartararo, o espanhol da Aprilia voltou a encostar em Pecco, que foi impecável até o último milímetro para receber a bandeirada com 0s306 de vantagem para o ‘Top Gun’ e retomar a liderança do Mundial, agora com 18 pontos de margem.

“Estou muito contente, porque largar tão atrás nunca é fácil”, disse o italiano, que é o primeiro a vencer na MotoGP largando de fora das quatro primeiras filas desde Marco Melandri no GP da Turquia de 2006. “Por isso, me pus a forçar desde o início. Quando me vi em terceiro e com certa margem atrás, decidi começar a analisar as coisas”, contou .

“Comecei a rodar tranquilo, esperando para ver o que aconteceria nas últimas dez voltas. Neste momento, voltei a apertar para me aproximar de Maverick e, quando passei, me dediquei a gerir, porque era importante terminar com o maior número de pontos”, avaliou. “Não só pelo campeonato, mas também por mim. Quando Jorge caiu, só pensei em ganhar”, assumiu.

O campeão vigente aproveitou, também, para dar uma cutucada em Martín, que chegou na Indonésia afirmando que Pecco sentia a pressão.

“Falam cedo demais às vezes. É melhor deixar as coisas acontecerem e falar depois”, avaliou.

Martín, porém, ou não deu bola para o recado ou fingiu que não viu.

“Fico com a velocidade. No momento, sem dúvida, eu sou o mais rápido e espero seguir demonstrando isso nas próximas corridas”, disse Jorge. “Por estatística, cedo ou tarde tinha de chegar a falha. Mas a velocidade será vista em outros circuitos. Aqui eu dominei”, disparou.

O espanhol explicou, por fim, como se deu a queda e avaliou que um ritmo mais lento não teria evitado o abandono.

“Estava bastante concentrado. Tinha tudo muito claro hoje. Tinha um momento que Maverick parecia se aproximar, e decidi forçar até aumenta a distância para quase 3s. Aí tive uma falha na curva 10, fui um pouco na parte suja, e, ao entrar na 11, não pude salvar”, narrou. “A queda foi porque escapei meio metro, pois esta pista está muito suja. Ir um pouco mais lento não teria mudado nada. Temos de aprender com os erros e, na próxima vez, quando tiver 2s5 [de vantagem], baixar o ritmo”, concluiu.

A MotoGP volta a acelerar no GP da Austrália, em Phillip Island, no final de semana do dia 22 de outubro. O GRANDE PRÊMIO faz a cobertura completa do evento, assim como das outras classes do Mundial de Motovelocidade.

Divórcio de Marc Márquez e Honda é fim de uma era. Mas também inevitável