Marc Márquez saiu de Motegi com aquilo que a Ducati mais precisava: 37 pontos, a diferença para Jorge Martín reduzida a apenas dois tentos e mais uma demonstração de força justamente em um cenário que parecia desenhado para favorecer a Aprilia. O #93 venceu a corrida sprint e o GP do Japão, completou a varrida do fim de semana e, de quebra, transformou um campeonato que ainda tinha Martín na liderança em uma disputa praticamente colada. Foi a sexta vitória de Marc na temporada, com mais uma mensagem clara na briga pelo campeonato: quando o assunto é ritmo de corrida, o catalão quase pratica outro esporte.
Marc Márquez não precisou necessariamente de uma Ducati mais equilibrada para fazer isso. A RS-GP mostrou durante todo o fim de semana que tinha uma relação especialmente boa com o novo asfalto de Motegi, enquanto a Desmosedici GP26 voltou a encontrar algumas das dificuldades de equilíbrio que apareceram na Áustria.
Martín largou da pole, liderou as primeiras 11 voltas e chegou a abrir 0s6, mas não conseguiu transformar a vantagem inicial em controle da prova. Marc simplesmente foi desidratando a margem do espanhol até encontrar o espaço para atacar e assumir a ponta.
Marc Márquez não se desesperou quando Martín abriu vantagem, tampouco precisou forçar uma aproximação artificial nas primeiras voltas. Esperou. Entendeu o comportamento do pneu, preservou o equipamento e, quando percebeu que a vantagem do rival havia evaporado, partiu para cima. A ultrapassagem na 11ª volta foi consequência de um processo de estudo do rival construído desde o começo da disputa.
O detalhe do famigerado pneu especial torna a história ainda mais interessante. A Michelin levou para Motegi a mesma construção traseira reforçada que havia castigado a marca de Borgo Panigale no Red Bull Ring, justamente por causa das características do novo asfalto e do risco de superaquecimento.
Depois do desastre com o macio na corrida curta, a fornecedora retirou o composto da alocação e recomendou o duro especial para o GP. Era, portanto, mais um elemento que poderia colocar a GP26 em uma situação desconfortável. Só que o chamado “pneu anti-Ducati” não foi problema para Marc Márquez.
Marc encontrou nele uma ferramenta para impor o próprio ritmo, extraindo velocidade da Ducati sem destruir a borracha e, depois de assumir a liderança, ainda teve margem para controlar Martín até a bandeirada. O próprio espanhol reconheceu a dimensão do feito ao admitir que pilotou praticamente de forma perfeita e, mesmo assim, não conseguiu vencer. É uma daquelas situações em que o resultado não explica tudo. Simplesmente porque estamos falando de Marc Márquez.

A vitória em Motegi vale mais do que os 25 pontos do domingo. Ela completa uma varrida de 37 pontos que recoloca Marc no retrovisor de Martín e mostra que a briga pelo título entrou em uma fase em que qualquer detalhe pode mudar tudo.
Martín ainda lidera, com 333 pontos, mas agora tem apenas dois de vantagem para o #93, que chegou a 331. Bezzecchi, terceiro no Japão, segue mais distante, enquanto a disputa pelo campeonato volta a ter essencialmente entre dois nomes.
O Japão era uma oportunidade que precisava ser aproveitada ao máximo antes da chegada à Indonésia, justamente o território que historicamente cobra um preço alto do espanhol. Mandalika nunca foi um circuito fácil para o espanhol e, em 2025, virou um dos capítulos mais dolorosos de sua trajetória recente.

Por isso, a melhor leitura possível do fim de semana japonês talvez seja justamente essa: Marc Márquez fez tudo o que podia antes de entrar novamente em um território que já lhe trouxe problemas demais. Venceu sprint e GP, cortou boa parte da vantagem de Martín no campeonato em apenas dois dias e saiu de Motegi com a liderança ao alcance de um resultado. É só o começo da decisiva perna asiática da MotoGP.
A MotoGP volta a acelerar de 9 a 11 de outubro, em Mandalika, para o GP da Indonésia, 17ª etapa da temporada 2026. O GRANDE PRÊMIO acompanha toda a programação do fim de semana, assim como as demais categorias do Mundial de Motovelocidade.