Garcia bate Migno na chegada e vence tumultuada prova da Moto3 em Valência
Sergio Garcia alcançou a vitória no GP da Comunidade Valenciana com uma ultrapassagem na penúltima curva do Ricardo Tormo. Batido por só 0s005, Andrea Migno ficou em segundo, com Xavi Artigas completando o pódio de uma corrida para lá de tumultuada
O GP da Comunidade Valenciana teve um final na altura do tumulto que marcou a prova deste domingo (17). Depois de atraso e bandeira vermelha, Sergio Garcia bateu Andrea Migno por só 0s005 para conquistar a primeira vitória da carreira na Moto3.
A prova deste domingo começou com atraso, já que Arón Canet derramou óleo na pista e cai quando ainda se dirigia para o grid. Depois do procedimento de limpeza, a prova começou normalmente, mas foi interrompida ainda no início por um múltiplo acidente.
Na relargada, Andrea Migno teve uma nova chance de sair bem e, desta vez, se manteve na ponta em boa parte da disputa, ainda que nunca com um bom respiro. Na última volta, Garcia teve um ataque frustrado, mas insistiu na curva 13 e passou. Andrea colou no rival, mas recebeu a bandeirada com 0s005 de atraso.
Estreante na Moto3, Xavi Artigas fez uma bela exibição. O piloto de 16 anos chegou a liderar, mas acabou em terceiro, 0s180 atrás do vencedor. Tatsuki Suzuki perdeu o pódio por só 0s066 e ficou com o quarto posto, à frente de Filip Salac.
Arón Canet superou o tumulto inicial da corrida para ficar com o sexto posto, seguido por Marcos Ramírez, Celestino Vietti e Makar Yurchenko. Ai Ogura completa o top-10.
Com o resultado desta última etapa, Dalla Porta fecha o ano com 279 pontos, 79 a mais que Arón Canet, o segundo colocado. Marcos Ramírez fechou o ano em terceiro, com Tony Arbolino e John McPhee fechando o top-5 da classificação.
Saiba como foi o GP da Comunidade Valenciana de Moto3:
Assim como aconteceu ao longo de todo o fim de semana, o dia em Cheste amanheceu frio e com céu azul. Às vésperas da largada da Moto3, os termômetros mediam 16°C, com o asfalto chegando a 18°C.
Pela primeira vez nos 100 GPs da carreira, Andrea Migno tinha a pole-position, o 12º piloto diferente a largar na ponta do grid da Moto3 em 2019, o que representa o maior número desde 1974, quando os números passaram a ser oficialmente registrados.
Marcos Ramírez ficou com a segunda colocação, com Jaume Masià fechando a primeira fila. Arón Canet tinha o quarto posto, seguido por Sergio Garcís e Filip Salac. Campeão antecipado de 2019, Lorenzo Dalla Porta tinha a sétima colocação.
O GP deste domingo, porém, não começou sem ocorrências. Quando ia para o grid, a moto de Arón Canet derramou óleo na pista. O #44 foi a primeira vítima do revés e caiu na curva 6, mas Ayumu Sasaki caiu no mesmo lugar na sequência.
A largada, então, foi adiada para que os fiscais pudessem limpar o asfalto, o que resultou num atraso nos procedimentos em Valência.
No grid, a maioria dos pilotos optou pelo pneu dianteiro H, com apenas Dennis Foggia largando com o S1. Na traseira, os competidores se dividiram entre os Dunlop S2 e H4.
Depois de um atraso de 11 minutos, as luzes se apagaram na reta do Ricardo Tormo, com Masià mergulhando primeiro na curva 1, enquanto Migno teve uma saída muito ruim. Ainda na primeira volta, porém, Jaume caiu na curva 4, entregando a ponta para Ramírez.
Migno se recuperou rápido e assumiu o segundo lugar, já com 1s0 de atraso para o ponteiro. Sergio Garcia era o segundo colocado, à frente de Filip Salac e Tatsuki Suzuki.
Sozinho na ponta, Ramírez tratou de impor um ritmo forte e abriu mais e mais vantagem. Na terceira das 23 voltas da corrida, a vantagem do #42 tinha subido para 1s3.
Ainda na terceira volta, a bandeira vermelha foi acionada por conta de um incidente múltiplo na 11ª curva, paralisando as atividades. Uma das motos da VR46 estava caída, em chamas.
Alguns instantes depois, o replay mostrou o que aconteceu. Carlos Tatay sofreu um high-side e caiu, deixando Niccolò Antonelli e Jeremy Alcoba, que vinham atrás, sem terem para onde ir. O wil-card acabou atingido pelos rivais, enquanto as motos cruzaram a pista, com Foggia sendo coletado pela moto de Antonelli. Yurchenko também foi atingido. Dennis, aliás, foi quem mais se feriu.
#iconeimagem O incidente que causou a bandeira vermelha na Moto3 (Foto: Reprodução)
O piloto da VR46 ficou deitado no asfalto, sendo atendido pelos médicos, enquanto os fiscais formavam um cordão de isolamento para dar certa privacidade ao atendimento.
Antonelli e Alcoba logo foram vistos de pé e retornaram aos boxes, mas as informações sobre os demais eram mais escassas. A MotoGP anunciou apenas que todos estavam conscientes.
A direção de prova, então, decidiu reiniciar a corrida para apenas 15 voltas, restaurando o grid original. A nova formação do grid estava prevista para 11h35 (7h35, de Brasília).
Depois de alguns minutos de paralisação, a corrida foi reiniciada. Desta vez, Migno saiu bem e manteve a ponta, mas logo foi superado por Ramírez. Canet tinha o terceiro posto, à frente de Suzuki e Salac.
Ao contrário do que aconteceu mais cedo, Ramírez não conseguiu escapar e, na segunda volta, tinha 0s122 de margem para Suzuki, que tinha assumido o segundo posto. Terceiro, Migno se defendia dos ataques de Canet, que também era pressionado por Garcia.
Na terceira volta, Albert Arenas caiu na curva 5. O piloto da Ángel Nieto não se feriu e voltou para a pista, seguindo direto para os boxes. Pouco depois, Darryn Binder caiu na curva 5.
Enquanto isso, os pilotos do top-6 seguia juntinho, liderado por Ramírez, que era seguido de perto por Suzuki.
Na sequência, Lorenzo Dalla Porta passou Tony Arbolino, mas sofreu um high-side na curva 4 logo depois, provocando as quedas de Arbolino e Alonso López também.
Seguro, Ramírez ia se mantendo na ponta, mesmo com Suzuki aparecendo mais e mais próximo. Garcia assumiu o terceiro posto, à frente de Migno e Canet. Artigas vinha em sexto, com Salac se aproximando para entrar na briga.
Com oito voltas para o fim, Garcia tomou a ponta de Ramírez, com Artigas passando Migno por dentro para assumir o terceiro posto. Suzuki passou o novato na sequência, se instalando em terceiro.
Ramírez manteve a pressão em Garcia, mas, sem conseguir passar, acabou superado por Artigas, que, na sequência, tomou a ponta do piloto da Estrella Galicia 0,0 na primeira curva.
Pouco a pouco, o piloto de 16 anos foi abrindo vantagem. Com cinco voltas para o fim, o #4 tinha aberto 0s353 de margem para Migno. Garcia tinha o terceiro lugar.
Migno, então, partiu para o ataque e assumiu a segunda posição, mas, pouco depois, foi ultrapassado por Garcia. Apesar do confronto, a margem de Artigas caiu para 0s287.
Com duas voltas para o fim, porém, Artigas escapou da pista na curva 1 e perdeu a ponta. O espanhol voltou para a briga, agora em terceiro. Migno assumiu a liderança, à frente de Garcia.
Na abertura da volta final, Migno tinha 0s05 de margem para Garcia, com Artigas coladinho atrás, e seguido de perto por Suzuki e Salac.
Garcia atacou e até passou, mas levou o troco de Migno rapidamente. Nos metros finais, Garcia passou na curva 13 e conseguiu receber a bandeirada por 0s005 de vantagem.
Moto3, GP da Comunidade Valencia, Valência, Corrida:
Formada em Jornalismo pela Universidade Presbiteriana Mackenzie em 2009, Juliana Tesser começou a carreira atuando como assessora de comunicação na área governamental. A migração para a reportagem aconteceu no fim de 2010.
No ano seguinte, passou a atuar como repórter no Grande Prêmio. Desde então, se especializou na cobertura de motociclismo, especialmente motovelocidade.
Além de editora de moto do Grande Prêmio, Juliana tem experiência com redação publicitária e também como tradutora e agente literária para a publicação no Brasil do livro 'Valentino Rossi - A obra-prima', do jornalista italiano Enrico Borghi.
Primeira mulher a comentar corridas de moto na televisão brasileira, Juliana participa das transmissões da MotoGP na ESPN Brasil desde 2022.