Pol Espargaró alertou para uma das principais mudanças da MotoGP para 2027: a chegada da Pirelli como fornecedora exclusiva de pneus no lugar da Michelin. Piloto de testes da KTM no desenvolvimento do protótipo de 850cc, o espanhol acredita que a transformação será muito maior do que a vivida pela categoria em 2016, quando Michelin substituiu a Bridgestone.

“São pneus muito diferentes. E tenho a sensação de que os pilotos não estão muito conscientes da mudança que vai acontecer”, afirmou o piloto, durante o fim de semana do GP de Aragão.

Para o #44, a mudança de pneus terá impacto direto no estilo de pilotagem. O espanhol lembrou a experiência vivida quando a categoria deixou a Bridgestone para adotar a Michelin e apontou uma diferença ainda maior no próximo ano.

“Já ouvi muitas vezes Toprak Razgatlıoğlu comparar os pneus atuais com os Pirelli, que utilizava na WSBK (Mundial de Superbike), e dizer que não consegue pilotar com estes Michelin e que não se sente confortável. Vivi a passagem da Bridgestone para a Michelin e agora a da Michelin para a Pirelli, e a mudança será brutal, muito maior do que a vivida naquela mudança em 2016″, garantiu.

Pol Espargaró (Foto: Red Bull Content Pool)

“Naquela época, cada fornecedor tinha pontos melhores e outros piores, mas a forma de pilotar era muito parecida. Agora, com os Pirelli, muda completamente, a moto é outro mundo”, emendou Espargaró.

O piloto de testes da KTM também citou o que aconteceu na Moto2 em 2024, quando a Pirelli substituiu a Dunlop. Na ocasião, houve mudanças importantes na hierarquia entre os pilotos, algo que Pol espera ver novamente na classe principal.

“Na Moto2, quando houve a mudança de pneus, pudemos ver que pilotos que não andavam bem passaram a andar, e outros competitivos desapareceram. E não tenho nenhuma dúvida de que isso vai acontecer na MotoGP.”

Joan Mir (Foto: Michelin)

“Os pilotos da MotoGP vão ter muito pouco tempo, enquanto os da Moto2 e da WSBK vão chegar conhecendo muito bem os pneus”, completou.

Por fim, apesar das mudanças, o espanhol acredita que a nova era poderá tornar a MotoGP mais equilibrada e menos perigosa. As motos terão menos potência e velocidade máxima, mas serão mais leves, mantendo um desempenho próximo ao atual.

“Será diferente. Para alguns, será bom e, para outros, ruim. É uma categoria em que as motos vão andar menos, mas não vão ter menos aceleração. Isso não quer dizer que serão mais lentas no tempo de volta. Acredito que serão muito parecidas apesar de terem menos potência, porque são mais leves, e isso faz com que as motos sejam muito rápidas. Mas, por serem menos pesadas e terem menos velocidade máxima, vão ter menos perigo.”

A MotoGP volta a acelerar de 11 a 13 de setembro no GP de San Marino e da Riviera de Rimini, 14ª etapa da temporada 2026. O GRANDE PRÊMIO acompanha toda a programação do fim de semana, assim como as demais categorias do Mundial de Motovelocidade.