A tensa relação entre Fabio Quartararo e a Yamaha ganhou mais um capítulo esta semana. Após o francês criticar publicamente a postura da equipe e revelar que não recebeu autorização para testar os pneus Pirelli antes da temporada 2027, a equipe respondeu com críticas diretas ao piloto e fechou novamente a porta para uma participação no teste da Áustria.
Quartararo havia surpreendido ao afirmar que, por “motivos pessoais”, não pretendia ajudar no desenvolvimento da Yamaha. Após o GP de Aragão, o #20 explicou que a insatisfação estava relacionada principalmente à decisão de não permitir a participação no teste com os pneus Pirelli.
“Para esclarecer as coisas, é que… não sei se posso dizer isto, mas vou dizer de qualquer maneira: queria fazer o teste da Áustria. Mas, infelizmente, a Yamaha não quer que eu teste os pneus Pirelli”, afirmou.
A relação entre Quartararo e Yamaha já vinha se deteriorando desde a discussão sobre o projeto da M1 para 2026. Segundo o francês, a preferência era pela continuidade do motor de quatro cilindros em linha, enquanto a fábrica decidiu apostar no V4.

“A relação já tinha ficado um pouco complicada antes, principalmente pelas discussões que tivemos sobre qual moto usar em 2026. Para mim, a escolha era clara: tínhamos de continuar com o motor de quatro cilindros em linha. A Yamaha finalmente decidiu apostar no V4. Foi difícil de aceitar”, explicou.
Em resposta, Paolo Pavesio, diretor-executivo da Yamaha, questionou a postura de Quartararo diante das tentativas da equipe de introduzir novas peças na M1.
“Fabio reclama constantemente que não estamos desenvolvendo a moto e, quando pedimos para testar peças novas, ele nos critica por isso, dizendo que fica desorientado. Falta objetividade. É claro que não estamos no nível que gostaríamos. Mas, assim como os nossos rivais, estamos tentando avançar”, declarou.

Para os testes da Áustria, Massimo Meregalli, chefe da Yamaha, confirmou que Toprak Razgatlıoğlu e Izan Guevara serão os responsáveis pelos trabalhos com a moto de 2027. Meregalli também justificou a decisão com o argumento de que os demais fabricantes adotaram uma estratégia semelhante, embora a KTM tenha permitido que Pedro Acosta testasse a moto de 2027 em Brno, enquanto a Honda também deu a Joan Mir e Luca Marini a oportunidade de experimentar o novo protótipo.
“Todos os fabricantes tomaram essa decisão. Jorge Martín e Ai Ogura não testarão a Aprilia, Francesco Bagnaia não testará a Ducati, Pedro Acosta não testará a KTM e também não deixaremos Jack Miller testar a nossa moto de 850cc”, disse o dirigente.
”Fabio deveria seguir o exemplo de Miller: ele sempre dá tudo e garante que, mesmo nos momentos difíceis, todos mantenham o bom humor”, concluiu.
A MotoGP volta a acelerar de 11 a 13 de setembro no GP de San Marino e da Riviera de Rimini, 14ª etapa da temporada 2026. O GRANDE PRÊMIO acompanha toda a programação do fim de semana, assim como as demais categorias do Mundial de Motovelocidade.