Governo anuncia volta da MotoGP a Buenos Aires na temporada 2027 após 27 anos
Chefe de governo de Buenos Aires, Jorge Macri anunciou nesta segunda-feira (27) o retorno da MotoGP ao país em 2027. Dias atrás, Termas de Río Hondo se despediu do campeonato após não conseguir renovar o contrato que chegou ao fim após a corrida deste ano
Esteban Daniel Nieto, Juliana Tesser e Kaio Esteves
Publicado emO governo de Buenos Aires, capital da Argentina, anunciou nesta segunda-feira (21) que a MotoGP vai retornar ao circuito Oscar y Juan Gálvez em 2027, após uma ausência de 27 anos. O anuncio chega dias após Termas de Río Hondo se despedir do Mundial de Motovelocidade com o fim do contrato atual.
O circuito de Buenos Aires recebeu o Mundial de Motovelocidade em nove oportunidades: 1961, 1962, 1963, 1982, 1987, 1994, 1995, 1998 e 1999. O novo acordo tem validade de quatro anos e as corridas serão realizadas em março.
“É um dia de muita alegria e muito orgulho, com o asfalto ainda quente após a corrida de ontem”, começou Jorge Macri, chefe de governo. “A MotoGP volta a ter sua data em Buenos Aires a partir de 2027 e hoje começa a recuperar seu lugar. Fomos sede de 10 GPs e poderemos voltar depois de 27 anos para ver essas máquinas de 300 km/h girando nos irmãos Gálvez”, seguiu.
O mandatário local destacou que a ambição de Buenos Aires não para por aí: o desejo é garantir espaço também no calendário da Fórmula 1.

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“Fomos eleitos Capital Mundial do Esporte em 2027 e demos mais um passo para consolidar a liderança mundial, mas não nos contentamos, vamos por mais. Este é um primeiro passo para nos candidatarmos como sede da Fórmula 1”, afirmou.
Para voltar a receber a MotoGP, porém, o circuito da capital argentina terá de passar por uma ampla reforma. A expectativa é que as obras comecem em outubro.
“A partir de outubro, realizaremos uma reforma integral do autódromo, que inclui obras na pista, boxes, paddock e segurança e tecnologia. Com esse investimento, posicionamos o Gálvez novamente entre os grandes centros de competição a nível internacional. Isso vai preservar a identidade do nosso autódromo”, pontuou. “Vamos preservar o espírito de um lugar como este. Vamos construir lugares para mais de 150 mil espectadores ao redor da pista, como um circuito mais compacto. A isso se somarão milhões pela televisão e streaming em mais de 200 países. Estamos convencidos de que esses grandes eventos consolidam Buenos Aires como capital do esporte global”, completou.
Diretor-esportivo da Dorna, Carlos Ezpeleta viajou a Buenos Aires logo após a corrida em Brno e celebrou o acerto para o retorno à capital argentina.
“Estamos muito contentes de poder estar aqui anunciando o evento em Buenos Aires, o que creio que é um presente tanto para a MotoGP quanto para a cidade de Buenos Aires e todos os vizinhos, que tenho certeza verão valor neste evento”, disse Carlos.
Questionado sobre o que aconteceu para a saída da pista de Santiago Del Estero da programação, o espanhol respondeu: “Com Termas, tínhamos um acordo que acabava este ano. Ficamos felizes por estar lá por quase dez anos, de 2014 a 2025 ― apenas com a interrupção da Covid e em 2024, que não pudemos fazer ―, mas estamos muito contentes em poder confirmar que a Argentina vai continuar no calendário da MotoGP. E temos de agradecer a Termas e a província de Santiago Del Estero por estes anos”.
O dirigente reconheceu, porém, que a dificuldade de acesso e a distância de Termas de Río Hondo contribuíram para a mudança. De acordo com Ezpeleta, é a nova tendência.
Com o retorno de Buenos Aires, seriam duas as provas na América do Sul, já que o Brasil retorna ao calendário em 2026. Goiânia assinou um contrato de cinco anos para receber o Mundial.
A Argentina vive um momento positivo no Mundial, com um representante fixo na Moto3: Valentin Perrone. O titular da Tech3 é o 13º na classificação do Mundial de Pilotos, mas já subiu ao pódio, com um terceiro lugar no GP da Holanda.
Em Brno, porém, um segundo argentino esteve na classe menor, correndo como substituto de Ruche Moodley: Marco Morelli. O novato se classificou em nono no grid do GP da Tchéquia e fechou a corrida em 13º.
A América do Sul, aliás, também tem mais representatividade, já que Diogo Moreira defende as cores do Brasil e David Alonso corre pela Colômbia.
Carlos, que acompanhou a corrida de 1999 ainda na infância, destacou que é preciso fazer muita coisa no circuito. Assim como em Termas de Río Hondo, o promotor da corrida será o Grupo OSD.
“Está claro que tem muita coisa para fazer. Estive aqui no final de janeiro visitando o circuito, vendo todo o projeto e, claramente, há muito a ser feito, mas também temos 20 meses”, comentou.
Questionado pelo GRANDE PRÊMIO sobre a questão da nacionalidade dos pilotos, já que agora são mais sul-americanos no grid, Ezpeleta respondeu: “A questão da nacionalidade dos pilotos nos preocupa. Já há muitos anos nós investimos na juventude, em diferentes plataformas ao redor de todos os continentes do mundo, e vemos os primeiros resultados”.
“Diogo Moreira, do Brasil, está tendo um impacto muito bom na Moto2, sei que há muitíssimo interesse de muitas equipes da categoria máxima de poder contar com Diogo para o futuro”, revelou. “Também temos a Perrone e a Morelli nas categorias inferiores, que estão indo muito bem. Tenho certeza que muitos outros virão no futuro, pois já criamos essa base do esporte para que os pilotos sigam se desenvolvendo”, avaliou.
Projetista famoso, especialmente na F1, Herman Tilke vai comandar a reforma e se disse orgulhoso para trabalhar em um circuito onde nomes lendários do esporte já passaram e apontou que a reforma terá duas fases.
“Estou muito orgulhoso de estar aqui em um lugar tão mágico e histórico. Juan Manuel Fangio, Michael Schumacher, esses são nomes incríveis e todos eles já pilotaram aqui”, disse Tilke. “Buenos Aires decidiu sediar a MotoGP depois de vários anos. E, para isso, teremos de redesenhar o circuito. Traçamos um plano com duas fases: a fase 1 será para sediar uma etapa da MotoGP em 2027 e a fase 2 será para receber a Fórmula 1. Isso significa um aumento total da licença A para a FIM (Federação Internacional de Motociclismo) e Grau 1 para a FIA (Federação Internacional de Automobilismo)”, explicou.
“Mas não se trata apenas de questões técnicas, com todos os requisitos que temos, mas também das construções, áreas de escape, tudo isso deve resultar em um circuito muito bom emocionante”, avisou. “Tudo o que redesenhamos não servirá apenas para os pilotos, mas também para os espectadores. Isso é muito importante. No meio do circuito teremos um mirante, que será um local para ver as corridas. Depois temos um percurso no circuito, onde os espectadores podem se mover de uma zona para outras curvas e ter uma visão de 360° da pista. Também teremos uma área para shows, que é muito importante para que seja um evento completo. O local também terá uma vista para todo o circuito. Além dos edifícios, me refiro à infraestrutura, pois temos de aumentar muito o paddock porque é necessário muito espaço, além de aumentar o número de garagens e modernizá-las. No fim, queremos que todos tenham orgulho e que criemos um autódromo de última geração”, encerrou.
A MotoGP agora parte para as férias de verão na Europa a volta a acelerar entre os dias 15 e 17 de agosto com o GP da Áustria, direto de Spielberg, 13ª etapa da temporada 2025. O GRANDE PRÊMIO faz a cobertura completa do evento, assim como das outras classes do Mundial de Motovelocidade durante todo o ano.
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