ÁLEX MÁRQUEZ SABIA QUE SERIA DIFÍCIL, MAS ACABOU SURPREENDIDO NA CHEGADA À MOTOGP. Irmão mais novo de Marc, o #73 foi contratado pela Honda no fim do ano passado para ocupar o lugar deixado vago por Jorge Lorenzo, mas, com vínculo de um ano, tinha de provar sua capacidade para defender à permanência no time da asa dourada.
A pandemia do novo coronavírus, porém, causou uma reviravolta na carreira do jovem de Cervera. Antes mesmo de conseguir provar do que é capaz ― ou até mesmo de mostrar-se incapaz ―, Álex assistiu a Honda negociar seu lugar com Pol Espargaró.

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Na última segunda-feira (14), a Honda anunciou a chegada do caçula dos Espargaró no próximo ano, com Álex descendo para a LCR para ocupar o posto que hoje é de Cal Crutchlow.
Neste cenário, Alex entra na pista já rebaixado, mas não é por isso que as coisas ficaram mais fáceis. O #73 ainda tem uma pedreira pela frente: fazer frente ao hexacampeão da MotoGP. E isso, como vimos com Dani Pedrosa e Lorenzo, por exemplo, não é fácil nem para quem acumula uma farta quilometragem na classe rainha.
As mais variadas categorias do mundo já oferecem evidência o bastante para uma certeza: talento não tem relação com o DNA. Mas, ainda que este não fosse o caso, a trajetória de Álex já mostra que ele não é dotado do mesmo dom inato do irmão. O que não faz dele um piloto ruim, longe disso, mas existe uma diferença clara ― talvez até gritante ― na capacidade dos dois.
Apesar dos títulos de Moto3 e Moto2, a passagem pela classe do meio mostrou que o jovem espanhol precisou de um longo período de adaptação: foram cinco temporada até o título. Marc, por sua vez, ficou apenas dois anos por lá e garantiu um vice e o título.
A diferença entre os irmãos é clara, assim como a certeza de que Marc fará tudo que puder para ajudar Álex. Ainda assim, na hora do ‘vamos ver’, o mais novo estará por conta própria. Mesmo assim, ter um contrato assinado com a HRC até 2022 é um alívio e tanto.
Ao aceitar o convite da Honda, Álex zerou as variáveis e se colocou ao alcance de todos os padrões de comparação possíveis com o irmão. Por si só, isso já seria um desafio e tanto. Agora, o #73 terá de fazer o trabalho sabendo que a fábrica japonesa não o considera bom o bastante para a vaga que ocupa.
Ir para a LCR não é de tudo ruim, mas a maneira como as coisas foram feitas coloca uma barreira a mais para um piloto que já tinha desafios o bastante na estreia na classe rainha. Resta saber como Álex vai lidar com tudo isso.