Jack Miller avaliou que a Yamaha conseguiu melhorar o desempenho da YZR-M1 ao longo da temporada 2026 da MotoGP. Ainda assim, o australiano reconheceu que existe um déficit de velocidade, mas ponderou que não faz sentido reclamar, já que nada pode ser feito no momento.
No fim do ano passado, a Yamaha abandonou a tradição dos motores de quatro cilindros em linha e adotou o modelo V4, como é usado pela concorrência. A mudança, contudo, exigiu o redesenho completo da moto.
Até aqui, a mudança de rumo não deu resultados expressivos. A Yamaha é a lanterna no Mundial de Construtores, com 78 pontos, 312 a menos do que a líder Aprilia.
No fim de semana, Miller conseguiu um décimo lugar na corrida sprint, mas não conseguiu repetir o desempenho na prova principal, já que precisou ser cauteloso com o desgaste dos pneus. O australiano recebeu a bandeirada no domingo na 11ª posição, a 27s206 de Marc Márquez, o vencedor.

O #43, contudo, resistiu para se manter no top-10, mas acabou superado por Enea Bastianini na volta 16 e por Brad Binder na penúltima das 23 voltas no MotorLand.
“Dei tudo que tinha. Infelizmente, tivemos de ceder posições para a KTM ali no final”, disse Miller. “Tentei dificultar ao máximo para eles, mas foi como se estivesse brigando com as mãos amarradas nas costas”, comentou.
“Quando você perde a aderência, que, no momento, é nosso único ponto forte, fica difícil. Honestamente, a moto está funcionando muito bem. Não posso culpá-las nas curvas. Estamos só perdendo demais nas retas”, sublinhou. “Mas nós sabemos disso. Não podemos fazer muito a respeito, então não faz sentido reclamar. Temos de seguir em frente com o que estamos fazendo. Tentei dificultar ao máximo para Enea freando tarde, mas, no fim, ele me passou no meio da reta. E Brad [Binder] fez o mesmo”, acrescentou.
Jack explicou, ainda, que a necessidade de preservar os pneus o impediu de explorar a velocidade de curva da Yamaha da mesma maneira que fez na sprint.
“Sabia depois da sprint que teria de controlar mais a dianteira, e fiz isso. Mas, ao fazer isso, perde-se velocidade na curva”, explicou. “Na sprit, eu era o quarto geral no último setor, tão rápido quanto Marc, e posso garantir que isso não vinha da reta oposta”, comentou.
“Não pude pilotar assim na corrida principal. A frente escapa muito e você destrói os pneus. Tive muita granulação ontem, então fui bem cauteloso”, relatou. “O pneu dianteiro ficou bom até o fim. O traseiro acabou no finalzinho, mas é assim que tem de ser”, frisou.
Por fim, Miller destacou que, ainda que o motor V4 siga sendo um ponto fraco da YZR-M1, a Yamaha conseguiu progressos.
“Se você acrescenta 20cv, isso vai mudar a característica da moto. Mas, dito isso, acredito que conseguimos mudar isso muito rápido. É uma moto novinha, então estamos fazendo o que podemos”, encerrou.
A MotoGP volta a acelerar entre os dias 11 a 13 de setembro para o GP de San Marino e da Riviera de Rimini, 14ª etapa da temporada 2026. O GRANDE PRÊMIO acompanha toda a programação do fim de semana, assim como as demais categorias do Mundial de Motovelocidade.