Jorge Martín colocou Francesco Bagnaia nas cordas. Campeão vigente, o italiano tinha construído uma vantagem de 66 pontos na liderança do Mundial de Pilotos 2023, mas o rival da Pramac golpeou na artéria, e o #1 ainda não conseguiu aplicar um torniquete para estancar a sangria.

Pecco começou o ano em boa fase, abrindo caminho para o que seria a primeira defesa de título bem sucedida da Ducati na MotoGP. Tudo mudou, porém, a partir do GP da Catalunha. Ao ser ejetado da moto ainda na segunda curva da corrida de Barcelona, o italiano viu o mundo virar de ponta cabeça.

Jorge Martín vive o melhor momento da carreira (Foto: Gold & Goose/ Red Bull Content Pool)

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Verdade seja dita, Pecco deu uma sorte danada. É que, mesmo atropelado por Brad Binder, sofreu apenas lesões mínimas e voltou à pista logo de imediato. Em San Marino, o pupilo de Valentino Rossi foi muito bem no controle de danos: somou 23 pontos no fim de semana e viu a vantagem diminuir só mais 14 pontos.

O desembarque na Índia, contudo, registrou mais um sangramento importante. Pecco foi segundo na corrida sprint, cedendo mais três pontos ao rival de Madri. Mas, no domingo, o cenário piorou mais ainda, já que um abandono somado a um segundo lugar de Jorge custou outros 20 pontos.

Em um cenário como este, Pecco estava obrigado a reagir. Mas o momento é todo de Martín, que segue desferindo seguidos golpes a fim de quebrar a resistência do piloto da Ducati. Agora, o irmão de Carola e Filippo se vê diante de uma chance real de perder a liderança do campeonato pela segunda vez no ano — a primeira foi na Argentina, segunda etapa de 2023, quando Marco Bezzecchi tomou o comando —, já que sustenta só oito pontos de frente.

“Vou focar em mim mesmo, mas, se Martín me superar, será porque está melhor do que nós”, assumiu Bagnaia. “Mas eu já sei o que é pressão, então vou me concentrar em mim e esquecer os outros”, garantiu.

Neste sábado (30), Pecco não teve a menor chance de se aproximar de Martín, que dominou a MotoGP e venceu a sprint com facilidade, mas teve de duelar com Jack Miller para garantir o terceiro posto na prova curta da MotoGP.

“Sempre que você tem alguém como Jack na frente, você sabe que vai ser difícil, porque ele freia muito tarde”, comentou. “Amanhã será uma outra história, pois hoje era impossível conseguir mais do que isso. Eu esperava ter mais aderência na traseira, mas não tinha”, contou.

“Na classificação, eu tinha muita aderência na traseira, mas depois sumiu. Temos de ver o que aconteceu”, ressaltou.

Aos 25 anos, Martín corre também para provar um ponto: preterido em favor de Enea Bastianini, o espanhol quer mostrar que merecia o lugar na equipe de fábrica da Ducati. O que faz dele um adversário ainda mais ameaçador para Pecco.

A fuga deste sábado, todavia, surpreendeu até o titular da Pramac, que reconheceu que teve de forçar o ritmo mais do que o esperado por causa da pressão de Brad Binder, que terminou em segundo.

“Foi uma corrida dura, esperava que ela fosse mais lenta”, disse Martín. “Mas, no momento em que vi que tinha bom ritmo, dei tudo que tinha. Brad me fez forçar mais do que eu esperava”, comentou.

Martín destacou a escolha de pneus como um ponto chave para domingo, mas conta com um bom acerto para não ser atrapalhado pelo desgaste.

“Foquei em buscar coisas para amanhã. A escolha de pneus está clara, então espero que a gente não erre como na Índia”, torceu. “Estamos trabalhando em alguns detalhes para entender o acerto. Fizemos algumas mudanças e elas podem nos ajudar. Espero que amanhã possa ir com mais calma, controlando os pneus. Vamos lutar por outra vitória no domingo”, avisou.

“Pensava que Marc Márquez, Pecco e Brad tinham um ritmo muito parecido com o meu, mas, no fim, consegui escapar o suficiente”, concluiu.

A largada da MotoGP para as 24 voltas do GP do Japão, em Motegi, está marcada para às 3h (de Brasília) deste domingo. O GRANDE PRÊMIO faz a cobertura completa do evento, assim como das outras classes do Mundial de Motovelocidade.

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