A temporada 2026 é daquelas para ficar na história da MotoGP. Separados por apenas dois pontos após 17 etapas, Jorge Martín e Marc Márquez repetem 2022 como o campeonato mais apertado nos 77 anos do campeonato.
Até aqui, a MotoGP já viu quatro líderes diferentes em 2026: Pedro Acosta, Marco Bezzecchi, Jorge Martín e Marc Márquez. O italiano foi quem passou mais tempo no comando ― oito etapas ―, mas uma sequência de quatro corridas pavorosas o afastou da briga pelo título. Martín, por outro lado, está pau a pau com o companheiro de Aprilia, liderando a disputa já há sete etapas. O espanhol da KTM passou apenas brevemente pelo topo da tabela, assim como o multicampeão, que ficou pouco tempo no comando.
A temporada 2026, porém, chama atenção pela forma de Aprilia e Ducati. A casa de Noale começou o ano muito forte, engatando uma sequência de bons resultados e caminhando para o que parecia ser uma temporada dominante. A rival de Borgo Panigale, por outro lado, não começou o ano com o mesmo gás de outros momentos, mas conseguiu reverter o que caminhava para ser uma derrota.
Além do trabalho de Gigi Dall’Igna, o que permitiu esse avanço da Ducati foi a recuperação de Marc Márquez, que teve de recorrer a mais uma cirurgia no ombro direito para voltar à velha forma ― ainda que com sequelas permanentes das muitas operações na região.

Conforme Márquez e a Ducati avançavam, a Aprilia foi vivendo de tropeços, às vezes com Bezzecchi e outras vezes com Martín. E, assim, deu um fôlego diferente para o campeonato.
Martín e Márquez chegaram à Indonésia na semana passada separados por dois pontos e, mesmo em um circuito favorável à RS-GP e onde o #93 tem um histórico terrível, a diferença permaneceu a mesma. Marc chegou a tomar a ponta brevemente após vencer a corrida sprint de sábado, mas a virada veio no dia seguinte, com Jorge no pódio pelo terceiro lugar e o piloto de Cervera apenas em sexto.
A diferença de dois pontos após 17 etapas não é inédita na MotoGP. Em 2022, Fabio Quartararo deixou a Tailândia com 219 pontos, só dois a mais do que Francesco Bagnaia. Naquele ano, Pecco chegou a ter 91 pontos de atraso para o francês da Yamaha, graças a uma temporada que começou com inúmeros tropeços do #63. Na primeira metade do campeonato, o hoje bicampeão somou apenas 81 pontos, contra 172 do rival francês. Na segunda metade, o piloto da Ducati acumulou 184 pontos, mais do que o dobro da parte anterior do campeonato, e construiu uma virada que culminou com o primeiro título da carreira com 17 pontos.
Naquele ano, ‘El Diablo’ já sofria com os primeiros sinais de déficit de performance da Yamaha e os 76 pontos que conseguiu na metade final do campeonato não foram suficientes para frear Pecco.
Agora, o cenário é um bocado diferente. A RS-GP é a melhor moto do grid, mas a Desmosedici não está tão atrás. Além disso, Márquez faz aquilo que fez a carreira toda: transforma a moto em algo melhor do que ela é. Assim, a disputa é muito mais parelha do que foi outrora.
Vale destacar, contudo, que a MotoGP vive uma fase de alta competitividade. Na última década, apenas uma vez a diferença entre campeão e vice passou dos 100 pontos ― em 2019, Marc Márquez venceu Andrea Dovizioso por 151 pontos. Em apenas outras duas ocasiões, a diferença foi superior a 50 pontos ― em 2018, Marc fechou o ano com 76 pontos de frente para Dovizioso; e, em 2025, o #93 levou o título com 78 de margem para o irmão mais novo.
| Campeão | Pontos | Vice | Pontos | Diferença de pontos | |
| 2016 | Marc Márquez | 298 | Valentino Rossi | 249 | 49 |
| 2017 | Marc Márquez | 298 | Andrea Dovizioso | 261 | 37 |
| 2018 | Marc Márquez | 321 | Andrea Dovizioso | 245 | 76 |
| 2019 | Marc Márquez | 420 | Andrea Dovizioso | 269 | 151 |
| 2020 | Joan Mir | 171 | Franco Morbidelli | 158 | 13 |
| 2021 | Fabio Quartararo | 278 | Francesco Bagnaia | 252 | 26 |
| 2022 | Francesco Bagnaia | 265 | Fabio Quartararo | 248 | 17 |
| 2023 | Francesco Bagnaia | 467 | Jorge Martín | 428 | 39 |
| 2024 | Jorge Martín | 508 | Francesco Bagnaia | 498 | 10 |
| 2025 | Marc Márquez | 545 | Álex Márquez | 467 | 78 |
Na última década, a menor diferença entre campeão e vice foi registrada em 2024, quando Martín derrotou Bagnaia por só dez pontos. Os dois chegaram à corrida final do campeonato separados por 24 pontos e nem mesmo a vitória do italiano foi capaz de frear a conquista do então titular da Pramac.
Agora, a MotoGP tem cinco corridas pela frente ― considerando que o GP do Catar seja realizado como planejado ―, e, com 185 pontos ainda em disputa, tudo pode acontecer. Matematicamente, oito piloto ainda estão vivos na briga: Martín, Márquez, Bezzecchi, Ai Ogura, Fabio Di Giannantonio, Raúl Fernández e Álex Márquez.
O fato, contudo, é que a disputa segue centrada no top-2. Quiçá, no top-3.
Daqui até o fim do ano, a MotoGP vai passar por Austrália, Malásia, Catar, Portugal e Valência. Em todos esses circuitos, a Ducati tem um histórico melhor, mas em Phillip Island, Portimão e Valência, a vitória mais recente foi da Aprilia.
Com equipamentos parelhos e pilotos afiados, são os detalhes que prometem definir o campeonato de 2026.
A MotoGP volta a acelerar de 23 a 25 de outubro, em Phillip Island, para o GP da Austrália, 18ª etapa da temporada 2026. O GRANDE PRÊMIO acompanha toda a programação do fim de semana, assim como as demais categorias do Mundial de Motovelocidade.