Pedro Acosta carregou a KTM nas costas na primeira metade da temporada 2026 da MotoGP. Assim como aconteceu no ano passado, a montadora de Mattighofen se mostrou dependente do jovem espanhol, mas nem ele pôde fazer milagres em meio a seguidos problemas de confiabilidade.

Como acontece já há muito tempo, Acosta tem uma performance bastante superior àquela exibida pelos colegas de marca. Na primeira metade do ano, o piloto nascido em Mazarrón somou três pódios ― foi segundo na Tailândia e na Hungria e terceiro nos Estados Unidos ― e uma pole, ocupando o sétimo posto na classificação, com 148 pontos, 60 a menos do que o líder Jorge Martín.

O contraponto gritante vem de Brad Binder, companheiro de equipe do #37, que não visita o top-3 da MotoGP desde o segundo lugar no GP do Catar de 2024. O sul-africano acumulou só 64 pontos até aqui e tem a 13ª colocação na tabela. Também a bordo de uma RC16, Enea Bastianini fez 76 pontos até aqui, enquanto Maverick Viñales, que perdeu três etapas por lesão, soma só dez.

A pontuação, porém, não é o que mais preocupa. Ao longo da primeira metade do campeonato, a KTM enfrentou diversas quebras. A mais chamativa aconteceu no GP da Catalunha, quando uma falha na RC16 de Acosta causou um acidente gigantesco com Álex Márquez. O piloto da Gresini não conseguiu desviar integralmente e rival, bateu e caiu forte, fraturando a clavícula e a vértebra.

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Pedro Acosta carregou a KTM nas costas na primeira metade de 2026 (Foto: KTM)

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No fim de semana do GP da Alemanha, Pit Beirer, diretor da KTM, assumiu que existe um problema com o motor da RC16, mas a solução depende da anuência das demais equipes, já que a fabricante está sujeita ao congelamento. De acordo com o dirigente, a Aprilia já concordou, mas o ok das demais equipes seguia pendente.

Em se tratando de uma questão de segurança, não apenas para os pilotos da marca, mas para todos os demais, a KTM deve conseguir a aprovação das adversárias, mas o impacto dos problemas permanece. Foram muitos os pontos perdidos por quebra em 2026.

Ainda assim, a posição no Mundial de Construtores parece relativamente segura. Os austríacos ocupam a terceira colocação na tabela, com 190 pontos, 140 a menos do que a líder Aprilia, mas já com 81 de frente para a Honda, que vem logo atrás.

Chegar em Aprilia e Ducati parece um desafio ousado demais para o potencial demonstrado pela KTM até aqui, ainda que Acosta siga operando milagres. Mas manter distância das rivais japoneses não é assim tão inimaginável, ainda mais em uma temporada onde as atualizações serão raras na segunda metade do ano, resultado da mudança de regulamento em 2027.

MotoGP agora parte para as férias e só volta a acelerar entre os dias 7 a 9 de agosto, com o GP da Grã-Bretanha, 12ª etapa da temporada 2026. O GRANDE PRÊMIO acompanha toda a programação do fim de semana, assim como as demais categorias do Mundial de Motovelocidade.