Diretor-executivo da KTM, Gottfried Neumeister confirmou que a montadora austríaca fez uma “forte oposição” à ideia de limitar a apenas uma moto por piloto na MotoGP, mas saiu em defesa da proposta de adotar um teto orçamentário, tal qual já é feito na F1. Na visão do dirigente, isso precisa ser construído por meio do diálogo entre todos os envolvidos.
Durante os debates para a assinatura de um novo acordo de participação entre as cinco fábricas e a organização do Mundial de Motovelocidade, surgiu a proposta de reduzir o número de protótipos, deixando apenas uma unidade disponível por piloto a cada etapa. A ideia, porém, precisava do apoio unânime das fábricas, o que não aconteceu graças ao veto da KTM.
Além de explicar a recusa pela proposta, Neumeister valorizou o empenho de Dorna e Liberty Media na busca por mais recursos para a MotoGP, mas considerou que isso precisa ser feito da maneira correta. O dirigente chegou até a sugerir a adoção de um combustível padronizado.
“Isso é algo pelo qual tenho simpatia pelo Liberty e pela Dorna, que não sejamos apenas nós gritando por mais dinheiro. Como fábricas, nós também precisamos contribuir”, disse Neumeister. “Em primeiro lugar, também precisamos fazer um show, fazer a nossa parte. Em segundo lugar, o teto orçamentário: se você não consegue mais dinheiro, é uma coisa bem natural”, seguiu.

“Acho que se for feito da maneira certa ― não estou tentando criar rumores, mas, por exemplo, se todos têm o mesmo combustível, não acho que os fãs curtiriam menos”, ponderou. “Que benefício você perde se tem um fornecedor de combustível ou se todos trabalham com a mesma base a ainda somos desafiados a extrais mais daquilo?”, questionou.
Em 2027, a MotoGP vai adotar um combustível 100% limpo, que não faz uso de materiais fósseis. De acordo com o site italiano GPOne, o custo é elevado, chegando a € 86 por litro [cerca de R$ 509 por litro].
“Todo mundo vai precisar de alguém para fornecer combustível sustentável, então é um pé no saco, uma dor de cabeça, e custa muito dinheiro. Por que não simplificar algo que não estraga o espetáculo e que você sequer vê?”, sugeriu.
O CEO explicou que a KTM se opôs à ideia de ter uma única moto por piloto, já que entende que seria prejudicial ter um piloto esperando um reparo ou até fora de uma corrida.
“Fui muito transparente ao dizer que não gostava da regra de moto única, pois é realmente uma questão de os pilotos poderem ir ao limite, voltar correndo e subir na próxima”, explicou. “Isso é parte do que a MotoGP realmente é, pois, sim, podemos economizar, mas isso é contra as corridas. Pelo menos no meu entendimento do esporte a motor”, justificou.
Neumeister saiu em defesa, também, da adoção de um teto orçamentário na F1. Diretor-executivo adjunto da MotoGP, Carlos Ezpeleta já admitiu que o Mundial debate à adoção de um formato similar ao da F1.
“Não acho que o teto seja sempre o verdadeiro limite [na F1]. No entanto, isso pelo menos deu a todas as equipes uma base na qual você é capaz de competir, e agora vemos equipes menores brigando na ponta”, avaliou. “Acho que seria uma coisa boa, pois isso permite que todos os outros disputem com oportunidades iguais. Portanto, sou a favor de moto geral”, acrescentou.
“Mas acho que precisamos fazer isso de uma maneira inteligente. Para mim, isso é sempre um diálogo. Não é uma questão de impor alguma coisa”, apontou. “Você pode ter uma opinião diferente, mas precisa reunir as pessoas ao redor da mesa, ouvir primeiro, e aí encontrar realmente as melhores soluções para o esporte. Acho que é para isso que estamos todos aqui. Queremos disponibilizar este esporte para uma audiência ainda maior: fazer com que as pessoas se apaixonem pelo esporte, pelo universo das por duas rodas, pela experiência de por andar de moto. Para mim, é disso que se trata”, encerrou.
A MotoGP volta a acelerar de 2 a 4 de outubro, em Motegi, para o GP do Japão, 16ª etapa da temporada 2026. O GRANDE PRÊMIO acompanha toda a programação do fim de semana, assim como as demais categorias do Mundial de Motovelocidade.
GP do Japão de MotoGP: veja os horários no Brasil e em Portugal
Horários no Brasil*
- Treino livre 1 (1/10): 21h
- Treino (2/10): 3h
- Treino livre 2 (2/10): 22h10
- Q1 (2/10): 22h50
- Q2 (2/10): 23h15
- Corrida sprint (3/10): 3h
- Corrida (4/10): 2h
Horários em Portugal
- Treino livre 1 (2/10): 2h45
- Treino (2/10): 7h
- Treino livre 2 (3/10): 2h10
- Q1 (3/10): 2h50
- Q2 (3/10): 3h15
- Corrida sprint (3/10): 7h
- Corrida (4/10): 6h
*Horários de Brasília.