Jack Miller afirmou que 19 dos 22 pilotos da MotoGP não querem disputar o GP do Catar, previsto para a próxima semana, em meio à instabilidade no Oriente Médio. Após a etapa da Malásia, neste domingo (1º), o australiano disse que os competidores já manifestaram a posição aos organizadores e cobrou que os responsáveis assumam a responsabilidade caso decidam manter a corrida.
Em entrevista a jornalistas, Miller afirmou que os pilotos deixaram a insatisfação clara à organização do campeonato e questionou a necessidade de viajar para o país diante do cenário atual.
“Eu não quero ir. Ninguém quer ir para o Catar. Somos 19 [pilotos] que não queremos ir para lá. Não acho que deveríamos correr nessas condições. Deixamos nossa opinião muito clara sobre isso. Vamos ver qual será a decisão”, declarou.
O australiano também destacou que os competidores se mobilizaram para levar a preocupação aos organizadores e afirmou que a questão ultrapassa os interesses dos próprios pilotos.
“Como pilotos, nos unimos e fizemos o que estava ao nosso alcance, utilizando os recursos que tínhamos à disposição. Não apenas por nós, pilotos, mas também pelas outras pessoas envolvidas no campeonato. Conversando com 50% do paddock, verá que ninguém quer ir. Não entendo por que precisamos ir. Não entendo”, afirmou.

Miller ponderou que sua preocupação não está necessariamente relacionada à segurança do Catar em si, mas à instabilidade nos países vizinhos. Para o piloto, a situação gera incerteza sobre a realização de um evento internacional de grande porte.
“O local em si é seguro, por enquanto. Adoro o Catar, mas o problema está nas áreas ao redor. Infelizmente, os países vizinhos enfrentam algumas questões. Há muita incerteza para se realizar um evento de alcance global por lá. Não estamos escondendo o fato de que corremos às 10h55 [horário local] e nem escondendo onde estaremos nem o horário em que estaremos nesse local”, disse.

Por fim, o piloto da Pramac Yamaha também cobrou que a organização assuma a responsabilidade pela decisão de realizar a etapa caso considere seguro manter o evento. Miller mencionou ainda a questão do seguro e a participação do Estado do Catar na cobertura, mas ressaltou que esse aspecto não elimina a necessidade de esclarecer quem responderá pela decisão.
“O ponto principal para nós, pilotos, é a questão da responsabilidade. Alguém precisa se responsabilizar. Se eles [MotoGP] querem que a gente vá para lá, então assumam a responsabilidade. Não acho que seja um pedido descabido. O seguro é uma coisa — e o fato de vir do Estado do Catar é um grande reforço, não só para nós, pilotos, mas para todos que estiverem trabalhando lá. Mas isso é algo para depois. Vocês acreditam, de fato, que é seguro estarmos lá? Então assumam a responsabilidade”, concluiu.
A MotoGP volta a acelerar entre os dias 6 e 8 de novembro, em Lusail, para o GP do Catar, 20ª etapa da temporada 2026. O GRANDE PRÊMIO acompanha toda a programação do fim de semana, assim como as demais categorias do Mundial de Motovelocidade.