Chefe da Ducati, Davide Tardozzi admitiu que a MotoGP sentiu o impacto da aposentadoria de Valentino Rossi. Na visão do dirigente, o Mundial perdeu mercado na Itália, já que o #46 atraia público e era “um herói até para as avós”.
Desde a chegada do Liberty Media, que comprou a fatia majoritária das ações da Dorna, a detentora dos direitos comerciais da MotoGP, o esporte entrou em uma nova era, registrando aumento de interesse em algumas praças. Na Itália, contudo, Tardozzi sente que o movimento é diferente, especialmente após a aposentadoria do multicampeão no fim de 2021.
“Perdemos fatia de mercado na MotoGP nos últimos anos”, disse Tardozzi em entrevista à publicação alemã Speedweek. “Não posso falar pelos outros países, [mas] o fato de não termos mais Valentino Rossi é um problema. Valentino Rossi era uma estrela, um herói até para as avós”, seguiu.
“Ele garantia que assistissem a MotoGP. Por outro lado, Pecco Bagnaia é muito conhecido na Itália há alguns anos e, claro, Ducati e Aprilia também ― elas estão fazendo um bom trabalho na promoção. Mas também está claro que a TV por assinatura não está ajudando”, ponderou. “Entretanto, este mundo tem de sobreviver, e as emissoras de TV paga pagam um bom dinheiro, então os organizadores tendem a seguir essa direção. Não sei como as coisas vão caminhar com os novos donos, como planejam comercializar o campeonato. Acredito que a era da TV paga não pode ser revertida”, acrescentou.

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Apesar da percepção de Tardozzi, o GP da Itália do ano passado registrou o maior público em duas décadas, com 166.074 pessoas. Misano registrou um movimento similar, com 174 mil espectadores.
O chefe da Ducati destacou, ainda, o fato de que a Fórmula 1, apesar de ter ingressos mais caros, já consegue um bom público nos autódromos no início do fim de semana.
“Fico impressionado quando olho os preços dos ingressos da Fórmula 1 e as arquibancadas estão cheias desde a manhã de sexta-feira”, comentou. “Fico pensando se estamos errando em algum lugar”, assumiu.
“Mas também é óbvio que a MotoGP não pode simplesmente ir para Las Vegas, Dubai ou Monte Carlo”, lembrou. “As coisas são muito diferentes aqui, e nós temos de estar muito mais preocupados com a segurança. Isso faz uma grande diferença”, encerrou.
A MotoGP retorna entre os dias 29 e 31 de maio, para o GP da Itália, direto de Mugello, na sétima etapa da temporada 2026. O GRANDE PRÊMIO faz a cobertura completa do evento, assim como das demais classes do Mundial de Motovelocidade.
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