Durou pouco o discurso de igualdade de chances entre Charles Leclerc e Carlos Sainz dentro da Ferrari na disputa pelo título da temporada 2022 da Fórmula 1. Com Max Verstappen 43 pontos à frente do monegasco na classificação, Mattia Binotto admitiu que não vai demorar muito para a Ferrari começar a priorizar nas corridas o piloto que estiver na frente.
O comportamento da Ferrari com sua dupla de pilotos foi muito questionado principalmente depois da estratégia atrapalhada que novamente custou não só a vitória, como o pódio a Leclerc. Na Inglaterra, durante o safety-car provocado por Esteban Ocon na parte final da corrida, a equipe italiana optou por levar aos boxes apenas Sainz para colocar pneus macios, deixando o #16 na pista com compostos duros e desgastados. Leclerc, que vinha em primeiro, se tornou presa fácil aos adversários e, mesmo depois de muito lutar, cruzou a linha de chegada em quarto.
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Sainz, com isso, conquistou a sua primeira vitória na F1 e somou pontos importantes, chegando a 127 na tabela. Mas Binotto já avisou que a briga pelo título não deve ser entre sua dupla, uma vez que isso pode prejudicar a Ferrari no Mundial de Construtores. “Primeiro, o que tentamos fazer em cada corrida foi maximizar os pontos da equipe”, disse o italiano à Sky Sports.
“São dois campeonatos, e maximizando pontos da equipe, tenho certeza de que também estamos potencializando as oportunidades dos pilotos, tirando pontos dos adversários. E os adversários entre si não devem ser Charles e Carlos, e sim Max, Lewis [Hamilton] e outros”, ressaltou.
“O carro mais rápido na pista será priorizado. Certamente, é a melhor coisa a se fazer nesse momento do campeonato. Se mais para frente, um dos dois tiver mais oportunidades, certamente tentaremos dar a ele prioridade total. Mas não é a situação agora. Portanto, teremos de lidar com isso”, completou o chefe da equipe.
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As decisões tomadas no GP da Inglaterra prejudicaram bastante Leclerc, que não escondeu a frustração em perder mais uma corrida na estratégia de pit-stop — o mesmo aconteceu em Mônaco. Porém, o piloto rejeitou qualquer indício de crise nos boxes de Maranello, dizendo, inclusive, que todos estão “extremamente unidos”.
Binotto reconheceu que era bom ver a dupla competitiva nas corridas, mas reforçou que a prioridade sempre será o que for melhor para a Ferrari. “Sei que quando há ordens de equipe, todo mundo nos culpa porque temos de deixá-los brigar, mas quando eles ficam livres para isso, falam que deve haver ordens de equipe. O que quer que façamos está sempre errado.”
“Lembro-me de 20 anos atrás, aqui na Áustria, ter ouvido as vaias da arquibancada. Eu estava aqui”, acrescentou, referindo-se à controversa vitória de Michael Schumacher em 2002, quando Rubens Barrichello teve de ceder posição para o alemão quando liderava, e a ordem foi cumprida praticamente em cima da linha de chegada.
“Mais uma vez, o que estamos tentando fazer é potencializar os pontos da equipe, que é o certo a ser feito”, concluiu Binotto.