Já virou rotina em 2022: a Aprilia foi o grande destaque do primeiro dia de treinos para o GP da Catalunha de MotoGP. Desta vez, porém, Aleix Espargaró não brilhou solitário na sexta-feira (3) em Barcelona e teve a companhia de Maverick Viñales, que, 0s303 mais lento, formou uma dobradinha com o vice-líder do Mundial.
Correndo no quintal de casa, o mais velho dos irmãos de Granollers estabeleceu em 1min39s402 a melhor marca do dia, mais uma vez mostrando como a RS-GP de 2022 é uma moto equilibrada e bem acertada, que tem funcionado bem nos mais variados traçados. Capitão da Aprilia, Aleix fechou o dia como um pai orgulhoso.

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“Maverick não me surpreende, ele tem uma velocidade impressionante”, elogiou. “Seria bom sempre ter duas Aprilia na frente. Estou orgulhoso de ser o capitão desta equipe. O ambiente é fantástico”, comentou.
Até aqui, Aleix conseguiu a vitória apenas no GP da Argentina e, mesmo satisfeito com este início de GP da Catalunha, o #41 ainda não se vê no mesmo nível de Termas de Río Hondo.
“Na Argentina, tudo foi mais fácil, mas aqui a aderência é muito baixa. Aqui eu estou sofrendo mais com os freios. Estamos bem, mas não estamos no mesmo nível da Argentina”, comparou. “Me sinto bem, fizemos um bom trabalho. Na primeira sessão, fizemos meia distância da corrida com o médio. À tarde, testamos e analisamos os três pneus. Com os macios, fomos rápidos, então estou satisfeito”, continuou.
Viñales, ainda recém-chegado ao time depois de uma longa estadia na Yamaha, segue se entendendo com o protótipo italiano, mas, no traçado de Montmeló, começou com o pé direito desde o minuto um: foi segundo colocado no primeiro treino, melhor até do que Aleix, o quarto, e repetiu o resultado na parte da tarde, melhorando 0s591 entre uma atividade e outra ― a título de comparação, Aleix baixou 1s306 entre um treino e outro.

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“Fomos muito bem hoje. Estou satisfeito com o trabalho e com o que fizemos com os pneus. Mesmo com o pneu usado, fomos muito bem”, comentou Maverick. “No tempo de ataque, não fomos muito bem, mas entendemos como usar o pneu macio também. Demos continuidade ao trabalho”, seguiu.
“Aqui eu posso ser forte no domingo. Eu me senti bem desde o início”, comentou. “Em termos de velocidade, já estou com os melhores, falta entender um pouco a moto. É um trabalho que vem fim de semana após fim de semana. Quando corremos duas semanas seguidas, me sinto melhor. A Aprilia é um projeto novo e interessante e aqui há uma grande vontade de vencer”, anunciou.
Também confirmando a tônica do campeonato deste ano, as motos europeias dominaram as japonesas mais uma vez nesta sexta-feira. Melhor do resto, Enea Bastianini foi 0s488 mais lento que o maior dos Espargaró e liderou as Ducati de Francesco Bagnaia e Jorge Martín.
“Estou feliz com hoje: começamos bem já nesta manhã, ainda que todos os pilotos da Ducati tenham tido um pouco mais de dificuldade do que o esperado”, disse Bastianini. “Fomos muito bem no TL2, no entanto. Ainda temos de melhorar um pouco em algumas áreas do circuito e em relação ao ritmo de corrida, mas devo ficar feliz com essa sexta-feira”, frisou.

“Testei os pneus traseiros médio e duro e ainda não estou certo de qual vou usar para a corrida: me senti bem com o médio no TL1, mas estava esperando um pouco mais do duro”, contou. “Teremos de fazer uma boa avaliação”, completou.
Vindo de vitória no GP da Itália, Francesco Bagnaia fez a melhor de 24 voltas em 1min39s950 e ficou a 0s548 do ponteiro. Apesar da distância não ser tão grande, Pecco vê a Aprilia como favorita, já que entende que as condições de aderência são muito similares àquelas do GP da Argentina.
“Na minha opinião, aqui é ainda pior, mas não é fácil de dizer. Sem dúvida, hoje foi um dia muito bom para eles, porque a Aprilia é muito rápida quando tem pouca aderência, mas Aleix me pareceu mais competitivo em Termas”, observou Pecco. “No momento, vejo Aleix Espargaró dois ou três décimos mais forte do que os demais, mas também é preciso dizer que fiz dois stints com pneus novos, usando tanto os médios quanto os macios, então tem um grupo de muitos outros pilotos, como Fabio Quartararo, Enea Bastianini e Maverick, que têm um ritmo muito similar”, comentou.
“Aqui, o pneu é muito importante, por isso não será fácil de escolher o traseiro, mas veremos se o trabalho que faremos amanhã no TL4 nos levará a estar mais seguros”, declarou.
Pecco destacou que o forte da RS-GP é a tração e, por isso, acredita que a Aprilia sai em vantagem neste GP da Catalunha.
“Eles têm uma tração muito boa. Isso é algo que eu já vi o ano todo. Mas nesta pista eles podem fazer mais a diferença, porque no resto, a aderência é menor. Mas, realmente, não sei. Tenho certeza que é uma característica desta moto”, frisou. “Este asfalto piora a cada ano, então é realmente difícil ser rápido nas curvas e também nas freadas. Neste momento, estamos muito no limite, mas se a situação piorar mais, seria um problema. Neste momento, não sei se podemos forçar em nenhum momento. A corrida não será nada fácil”, garantiu.
Líder do Mundial, Fabio Quartararo ficou apenas com o nono melhor tempo. De contrato renovado com a Yamaha, o francês anotou 1min40s123 na melhor volta do dia e foi 0s721 mais lento do que o ponteiro.
Questionado se esperava uma pista mais emborrachada no sábado, Quartararo respondeu: “Esperamos, pois sabemos que temos dificuldade sem aderência. Sabemos que, com pouco grip, a Aprilia é super-rápida. Mas nós, com certeza, temos dificuldade”.
“Mesmo em termos de ritmo de corrida, eu estava seis, sete décimos mais lento do que Aleix”, apontou. “Nesta pista, você consegue sentir se está lento ou não, mas sinto que não podia ser mais rápido, pois nas curvas 3, 4 e 9, você abre o acelerador e patina. Senti que estava pilotando realmente bem, mas simplesmente super lento”, apontou.
Indagado se estava preocupado com o alto desgaste dos pneus, o francês de Nice declarou: “Não é porque patina mais que tem maior consumo de pneu. O problema agora é que o pneu desgasta e nós somos lentos”.
“Então não estou preocupado com o desgaste do pneu, mas estou mais preocupado que me sinto super lento e acho que muitos pilotos se sentem da mesma forma”, ponderou. “É difícil realmente entender o potencial com condições tão ruins na pista”, pontuou.
Na visão do líder do campeonato, Aleix é o único piloto realmente forte no momento e, se a corrida fosse agora, ele teria de se contentar em limitar os danos.
“Se a corrida fosse agora, seria limitação de danos, mas sabemos que nesta pista, quando mais borracha você deposita, mais aderência você tem”, indicou. “Então espero que tenhamos muito mais drip durante o fim de semana e sabemos que não vai chover, então se emborracharmos a pista todos os dias, espero que tenhamos uma enorme melhora no domingo em termos de ritmo, pois, no momento, acho que só Aleix pode ter um ritmo realmente rápido. Ele é só cinco décimos mais rápido, também está baixando, mas ainda é cinco décimos mais rápido. Para nós, cai mais rápido”, encerrou.
A classificação do GP da Catalunha de MotoGP acontece no sábado, às 9h10 (de Brasília). O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades do Mundial de Motovelocidade 2022.
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