A temporada 2026 da Fórmula 2 acabou de começar com a rodada dupla na Austrália e, embora seja preciso um pouco de cautela para falar da ordem de forças do grid, não é absurdo dizer que Rafael Câmara e Nikola Tsolov têm potencial para brigar pelo título e reviver a rivalidade vista na temporada 2025 da Fórmula 3.

É possível dizer que Tsolov e Câmara estão prontos para a briga não apenas pelo resultado apresentado na corrida principal, em que o búlgaro venceu com o brasileiro logo atrás, mas há outros elementos que ajudam a confirmar a narrativa. O primeiro ponto a ser levado em consideração é o histórico recente das equipes Invicta e Campos.

Desde que a F2 adotou um novo regulamento de carros, a Invicta se colocou como força a ser batida e venceu tanto o campeonato de pilotos quanto o de equipes em 2024 e 2025. A Campos, por sua vez, brigou pelo título de pilotos com Isack Hadjar em 2024 e ficou com o vice nas equipes no mesmo ano. Em 2025, foi apenas terceira colocada entre os times, mas venceu em cinco oportunidades com Arvid Lindblad e Pepe Martí.

E o retrato de 2026 mostra que Invicta e Campos seguem com um equipamento bem competitivo. Durante a pré-temporada, Noel León, companheiro de Tsolov, foi o mais rápido no primeiro dia de testes. Nos outros dois dias, foi Câmara quem ditou o ritmo e liderou as atividades. A Campos, no entanto, seguiu na cola tanto com Nikola quanto com Noel no terceiro dia.

Nikola Tsolov venceu a corrida principal da F2 na Austrália (Foto: F2)

O recorte do GP da Austrália parece o mesmo. É verdade que a pole ficou com a Dams de Dino Beganovic e o top-3 da classificação foi completado pela dupla da Rodin. Porém, a corrida sprint teve vitória da Invicta com Joshua Dürksen e pódio da Campos com León na segunda posição. Rafa terminou fora do top-10 depois de largar de quinto, mas passou quase toda a prova brigando pelo pódio.

Na corrida principal, Beganovic largou mal e despencou no grid, enquanto Martinius Stenshorne e Alexander Dunne assumiram a ponta e pareciam favoritos à vitória. Porém, Dunne, que tem um histórico de movimentos afobados, tocou no companheiro de equipe, o que resultou no abandono duplo dos pilotos da Rodin. Com isso, Tsolov assumiu a ponta e foi seguido por Câmara.

É bem verdade que, no que diz respeito ao ritmo puro, Tsolov e Câmara não pareciam ter o suficiente para superar a Rodin na Austrália. Porém, é preciso levar em consideração que os dois tinham ritmo competitivo ao longo da prova e foram maduros o suficiente para fazer largadas limpas e ficarem longe de confusões durante toda a corrida, enquanto faziam uma boa gestão do desgaste dos pneus. Tudo isso, vale ressaltar, no primeiro fim de semana de corrida como pilotos de F2.

Após as duas corridas realizadas na Austrália, Tsolov lidera a Fórmula 2 com 25 pontos. Câmara e Laurens van Hoepen estão empatados na segunda posição, com 18 pontos.

Joshua Dürksen venceu a sprint da F2 na Austrália (Foto: F2)

“Não imaginava que lideraria o campeonato após a primeira etapa. Eu estava mais focado em evoluir ao longo do ano, mas é bom assumir a liderança, porque agora posso me concentrar em resultados consistentes e manter a calma nas corridas. Não tenho ninguém à frente para tentar alcançar. Obviamente, o campeonato vai oscilar, isso é normal, mas quanto mais consistente você for — olhando para o ano passado — melhor será o resultado. Então esse será o meu objetivo”, destacou Tsolov.

Nikola e Rafa, inclusive, foram rivais na briga pelo título da F3 em 2025, e a consistência foi um dos fatores que fez o brasileiro sair com a taça. Na F2, a oscilação de posições é normal e, para ser campeão, é essencial ser consistente ao longo de todo o fim de semana. Câmara e Tsolov já entenderam o cenário e, por isso, tendem a repetir a rivalidade vivida no passado.

A Fórmula 2 volta a acelerar entre 10 e 12 de abril com a etapa do Bahrein. O GRANDE PRÊMIO faz a cobertura completa do fim de semana.

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