O dia amanheceu ensolarado no Circuito de Barcelona-Catalunha e com grande expectativa para a estreia oficial dos monopostos da temporada 2022 da F1. Os três primeiros dias de testes eram esperados sob certo sigilo, sem imagens de televisão ou público nas arquibancadas. No entanto, no início da manhã, o paddock catalão já apresentava um grande número de pessoas, incluindo jornalistas, funcionários da equipe e os primeiros convidados das equipes. A sala de imprensa surpreendeu com uma longa fila de jornalistas. Quer dizer, de secreta, essa primeira sessão não teve nada. Ainda bem.
Como de costume, apesar do sol e do céu azul, a temperatura na pista estava bem baixa no momento em que a luz verde autorizou o início das atividades. Grandes rivais de 2021, Mercedes e Red Bull logo ganharam o traçado. George Russell foi quem assumiu o W13 de cara, acumulando enorme quilometragem com o modelo prata. Max Verstappen, por sua vez, surgiu com um RB18 ousado, que revelou soluções interessantes, como sidepods modulares e um desenho singular das saias laterais, melhorando o fluxo de ar por baixo do carro. O bico e as asas também se destacaram. O holandês completou mais 140 giros, comprovando uma excelente confiabilidade – aliás, esse foi um dia sem paralisações, dramas ou quebras.
No entanto, os alarmes também dispararam em algumas garagens. Equipes como Alfa Romeo e Haas enfrentaram dificuldades iniciais, que as perseguiriam durante a maior parte do dia. A sensação inicial era de que a hierarquia do grid não mudaria com os novos carros, já que a Mercedes e a Red Bull começaram os testes com força. Os tempos de volta não foram tão significativos pela manhã. Os giros iniciais em 1min23s e 1min22s sugeriram que era possível melhorar, apesar da baixa quilometragem. Como um efeito de comparação, a pole de Lewis Hamilton em 2021 ficou na casa de 1min16s7 no GP da Espanha, então, a rápida aproximação dos tempos deixou claro que, no final do dia, as marcas poderiam cair.
E assim foi: o homem mais rápido do dia acabou sendo Lando Norris, com um tempo final inesperado em 1min19s568, feito em cima do composto C4 (macio) no final da tarde. A McLaren estava sólida e, apesar de alguns longos períodos sem sair à pista, conseguiu fechar o dia com 103 voltas. Portanto, o primeiro dia de trabalho do inglês foi realmente positivo, mas comparado ao trabalho dos rivais também não foi um destaque espetacular. A equipe britânica, em silêncio, foi colocada à frente de uma das sensações do dia, a Ferrari.
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O time de Maranello reserva expectativas altas, principalmente pelo fato de ter abdicado da temporada 2021 pelo projeto deste ano. A escuderia preparou muito bem o carro de 2022, apresentou um design ousado e, na pista, foi muito forte tanto em termos de quilometragem quanto em tempos de volta. Carlos Sainz à tarde e Charles Leclerc de manhã completaram o top-3, com mais de 150 voltas em um único dia. A F1-75 parece funcionar, é confiável e até rivais como Lewis Hamilton já a colocam como um dos favoritos para dominar a temporada. É cedo para tirar conclusões, muito cedo mesmo, no entanto, a sensação inicial é que estão realmente prontos, com um carro muito bem trabalhado que, pelo menos neste dia de estreia, funcionou incrivelmente bem. Nenhum problema aparente, apenas alguns longos períodos de trabalho na garagem, mas resolvendo todos os contratempos em questão de minutos.
Só que a Ferrari não é o único carro que despertou o interesse em Barcelona. Desde o início da manhã, quem chamou a atenção foi o RB18 da Red Bull. Não tendo imagens do carro real até esta manhã, os primeiros flashes do carro de Milton Keynes deixaram o mundo sem palavras pelo seu design radical, uma aerodinâmica muito elaborada, principalmente nas laterais com pontões totalmente diferentes do resto dos rivais. Verstappen foi o responsável pela condução do carro durante todo o primeiro dia, mas não se destacou na tabela de tempos. A compreensão é que a equipe se concentrou em coletar informações, comparando os dados da fábrica com os da pista e entendendo bem o funcionamento da arma com a qual querem defender o título do holandês.
O campeão do mundo percorreu 147 voltas, uma maratona muito importante para o desenvolvimento deste monoposto. Sem falhas aparentes, muitas simulações de ritmo de corrida e uma atmosfera totalmente positiva de que as coisas estão indo bem. No meio da manhã, o consultor Helmut Marko chegou ao circuito e, antes de tudo, foi conversar com seu pupilo. O clima parecia de calma, com risos e tapinhas nas costas. Isso se traduzirá em velocidade na pista? Hoje não podemos dizer com certeza, longe disso, mas as sensações transmitidas pela Red Bull é de que tudo parece sob controle.

Ao lado, a Mercedes transmitia energias semelhantes, com um Russell entusiasmado. Sem problemas, a sensação era de que a correlação de dados está indo como o planejado. Hamilton, antes de entrar no carro à tarde, falou à imprensa e deixou claro a confiança no novo projeto. “A minha equipe não comete erros”, disse o heptacampeão ao ser perguntado sobre a nova era de carros da F1. A verdade é que o britânico parece muito mais relaxado e ansioso para enfrentar uma temporada em que deve reeditar a disputa com Verstappen. A amarga derrota de Abu Dhabi é coisa do passado, e pegar o W13 à tarde provou isso. 50 voltas e um tempo semelhante ao de George, pouco mais de 1s abaixo do melhor tempo e coletando dados valiosos para o time. Seja um carro mais rápido ou mais lento, o plano de trabalho da Mercedes é imbatível e, como todos os anos, eles baseiam a pré-temporada no acúmulo de quilômetros, dados e informações.
Outro piloto que se destacou foi Fernando Alonso. Correndo em casa e confiando em seu plano para 2022, o espanhol completou um dia de muito trabalho, quando passou também das 100 voltas. Uma quilometragem valiosa para esclarecer dúvidas sobre a confiabilidade do carro e do motor Renault. A equipe francesa é seguramente uma das grandes incertezas até aqui, mas esse primeiro dia foi realmente positivo e menos atrapalhado do que em anos anteriores. Ainda assim, no meio da manhã, Fernando permaneceu nos boxes por muitas horas, com o carro despido, o motor descoberto e muito trabalho dos mecânicos.
Mas o asturiando conseguiu deixar os boxes pouco tempo depois e acabou fechando um dia sólido, sem problemas, com uma longa tarde de quilometragem. Curiosamente, a equipe está cobrindo as brânquias nas laterais do carro, manobra que só foi vista nos franceses. Pode ser devido a algum problema de motor ou aerodinâmica, mas não parece alarmante ou preocupante. O carro funciona, resta saber se terão ou não velocidade para competir.
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Mais discretamente, Aston Martin e AlphaTauri fecharam o primeiro dia com mais de 100 voltas. Já a Williams se destacou mais pelos testes aerodinâmicos e por ter ‘pintado’ até o bico do carro com a parafina, como forma de entender a aerodinâmica. Ainda assim, a equipe inglesa trouxe novidades e alguns detalhes inovadores. Essas três equipes devem continuar no pelotão do meio para o fundo, mas com uma mudança tão grande no regulamento, nunca sabe em que posição exatamente nesse grupo. Por enquanto, foi um primeiro dia em que quase todo mundo saiu no lucro, sem muitos contratempos, embora com pequenas pausas para trabalhar nos carros. Apesar disso, todos completaram a sessão sem drama.
O aspecto negativo ficou para Haas e Alfa Romeo. Especialmente o caso do time ítalo-suíço, que nem chegou a 40 voltas durante essa quarta-feira. Robert Kubica foi quem guiou primeiro o carro camuflado, mas a manhã foi cheia de problemas – o polonês percorreu apenas nove voltas. O modelo passou boa parte do dia completamente desmontado. Mais tarde, Valtteri Bottas conseguiu fechar 23 giros, o que contrasta com os mais de 150 que algumas equipes conseguiram fazer.
Dessa forma, o sentimento é semelhante ao enfrentado por alguns dos piores times nas últimas temporadas. É a única equipe sem apresentar o carro novo, o que já indica que estão atrasados com tudo. A versão disfarçada dá um certo apelo à pista, mas o design não parece nada de espetacular, sem detalhes inovadores como os que outras equipes trouxeram e com a sensação de que o trabalho feito até agora não está dando certo. O time coletou poucas informações sobre a pista, o que é apenas mais uma dor de cabeça. Amanhã é a vez de Guanyu Zhou, o único estreante da temporada, que também precisa de quilômetros para se preparar para sua estreia.
O dia se mostrou surpreendentemente positivo em Barcelona. Em anos de grandes mudanças, é normal o registro de quebras e falta de confiabilidade dos carros, bandeiras vermelhas, mas não parece ser o caso agora, em geral. E isso é o grande destaque deste começo da F1 em 2022.