A Stock Car viveu mais uma bomba no começo de julho com a saída imediata da Scuderia Bandeiras do grid em plena temporada 2026. Como uma das principais equipes da categoria e dona de três pilotos no top-10 do campeonato, a ausência do time teve um impacto direto na classificação. Ao invés de excluir a equipe da tabela de pontos ou mantê-la com o nome original, porém, a categoria optou por renomeá-la como ‘Sem Equipe’.

A decisão inusitada pode ser vista nas tabelas do campeonato disponibilizadas no site oficial do Grupo Veloci, que controla a Stock Car através da fabricante Audace Tech e da promotora Vicar, ambas de Lincoln Oliveira. Portanto, a tabela das equipes lista a Eurofarma RC na liderança, com 803 pontos, seguida por Sem Equipe, com 714.

Na classificação dos pilotos, o mesmo se aplica para Nelsinho Piquet, Rubens Barrichello e Átila Abreu, dono e piloto da Scuderia Bandeiras. Todos os três seguem listados na classificação normalmente, com os pontos conquistados nas cinco primeiras etapas do ano, mas aparecem sem equipe.

Piquet e Barrichello, inclusive, estão no top-10 do campeonato e ocupam sexta e sétima posições, com 337 e 318 pontos, respectivamente.

Rafael Suzuki, que também fazia parte da Scuderia Bandeiras na Stock Car e está logo à frente, em quinto, conseguiu se manter no grid e assinou de volta com a Full Time para dar continuidade à temporada 2026. Por isso, o experiente piloto não faz parte dos ‘sem-equipe’ do grid.

No site oficial da Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA), a classificação da Stock Car segue normal, com a equipe de Átila Abreu ainda listada. A Scuderia Bandeiras ocupa a segunda posição e o sexto posto através da subdivisão Bandeiras Sports. Por uma questão de regulamento, equipes só podem ter até dois pilotos inscritos no campeonato, o que força alguns times com mais carros a criarem divisões internas.

Entenda a saída da Scuderia Bandeiras da Stock Car

Conforme antecipado pelo GRANDE PRÊMIO, a Scuderia Bandeiras confirmou no dia 1º de julho a saída do grid da Stock Car com efeito imediato. A decisão foi tomada depois de a equipe alegar “insegurança jurídica” e “deterioração” da relação com a Vicar, promotora da categoria.

A equipe soltou um comunicado em que elenca todos os motivos para a saída imediata, a começar por “preocupações relevantes relacionadas aos procedimentos tributários envolvendo a importação, circulação e comercialização dos pneus utilizados na categoria, operações conduzidas pela Vicar e por sua coligada Audace“. Pertencente ao Grupo Veloci, a Vicar tem Lincoln Oliveira como CEO. Já a Audace, fabricante dos carros da Stock Car, tem como diretor Enzo Bortoleto, filho de Oliveira.

Outro ponto levantado pela Scuderia Bandeiras diz respeito a um bloqueio imposto contra a equipe ao sistema Stock Manager, o que, segundo a notificação extrajudicial de rescisão contratual, impediu a solicitação de peças de reposição e prejudicou deliberadamente as atividades do time. Isso aconteceu apesar de uma decisão judicial determinar que a categoria não poderia impor essa restrição.

Scuderia Bandeiras também alegou falta de segurança técnica na categoria como outro fator que contribuiu para a saída. O forte acidente de Bruno Baptista na etapa de Brasília em 2025, inclusive, é citado na nota oficial da esquadra como exemplo de problema envolvendo o novo chassi, introduzido no ano passado.

Scuderia Bandeiras deixou Stock Car em momento de alta no campeonato (Foto: Rafael Gagliano)

No final de 2025, antes da última etapa da temporada em Interlagos, o GRANDE PRÊMIO teve acesso às pastas de provas das rodadas da Stock Car do ano passado. Nestes documentos, o comissário técnico responsável atesta que os modelos estavam inaptos a irem à pista em 10 das 11 primeiras etapas do calendário.

Na notificação extrajudicial de rescisão contratual com a Stock Car, a Scuderia Bandeiras também cita inconsistências em peças fornecidas pela Audace Tech, que se mostraram “incompatíveis com os
padrões dimensionais exigidos para sua instalação”. A equipe ainda relata que a Stock Car, diante desta situação, “ora determinou a devolução dos componentes, ora autorizou expressamente sua adaptação e retrabalho para viabilizar a continuidade das atividades esportivas”.

Em nota oficial compartilhada através do perfil nas redes sociais, a Vicar — promotora da Stock Car — destaca que a decisão da Scuderia Bandeiras vem na esteira do julgamento da equipe no STJD, em que punições por irregularidades técnicas contestadas pelo time foram mantidas por unanimidade.

Além disso, a nota reforça que a segurança é um valor “inegociável” da categoria. Porém, logo após emitir o posicionamento, a Vicar bloqueou os comentários da postagem e impediu reações por parte dos seguidores.

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